A IDADE DA ILUMINAÇÃO

01 Jan 2018
Desenvolvimento Pessoal
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A IDADE DA ILUMINAÇÃO

 

Dia 1 de Janeiro de 2018:

Começa um novo ano e quero começar por desejar aos meus queridos leitores, que fielmente me acompanham, um excelente ano 2018. Espero que este seja um ano de conversão; por conversão entendo: um ano de transformação – um ano em que finalmente, com uma atitude fresca e renovada, retomamos o novo caminho –, uma nova jornada, com uma confiança e forças renovadas. O ano de 2017 foi um excelente ano para mim, mas soube-me a pouco… Desenvolveu-se uma necessidade de me voltar para fora de mim! A vida de atleta exige uma atitude egoísta para que os objetivos sejam alcançados; estamos constantemente a pensar nas horas de descanso que devem ser cumpridas, nas sessões de treino nas quais levaremos o nosso corpo ao limite, nas competições que se pintam no horizonte, nas medalhas que desejamos alcançar… Com efeito, gera-se um vórtice que alimenta o ego e que não permite que tenhamos a capacidade de nos devolvermos para fora de nós, de nos voltarmos para os outros.

Senti-me engolido por 2017 no sentido em que fui escravo do meu ego. Pensado melhor, houve momentos em que me poderia ter dado mais aos outros e não tive essa coragem. Madre Teresa de Calcutá, o expoente desta Caridade que se está a desenhar em mim, diz:

“Eu sei que o meu trabalho é uma gota no oceano, mas sem ele o oceano seria menor.”

Fui reduzido ao castigo dos meus projetos e ambições. Fui mais pobre. Neste empobrecimento de alma, brilhei menos, fui menor e não contribui com o meu trabalho para o oceano em todos nos nos vemos inevitavelmente mergulhados. Mas em 2018, neste primeiro dia do ano, que é dia Mundial da Paz quero pedir a Deus esta coragem em que está envolta o verdadeiro espírito da Caridade. Quero deixar-vos o mesmo convite. Desta forma, com a candura de uma criança recém-nascida, podemos perguntar: Neste ano que começa como posso eu contribuir para um mundo mais generoso – como poderei ser um Campeão do Serviço?

Este ano, para concretizar o meu desejo de ser mais para o meu semelhante, abracei três projetos de voluntariado. Vou trabalhar no Centro Juvenil e Comunitário Padre Amadeu Pinto – um místico valente que ficou célebre pela frase “Vamos fazer o bem bem feito” – com os jovens e crianças a dar explicações nas mais diversas disciplinas. Tenho dois explicandos, o Lucas e o Miguel – dois seres humanos em que a curiosidade é maior que a consciência de existir. Nesta mesma direção, a convite do NEP (Núcleo de Estudantes de Psicologia) vou trabalhar na Clínica Psiquiátrica de São José (com os meus três internamentos devido à minha doença mental certamente que terei algo a acrescentar a este projeto!). Finalmente, trabalhando com a população juvenil, vou abraçar uma missão no bairro do Zambujal a convite da minha antiga professora de Matemática do Colégio São João de Brito. Estou cheio de esperança e convencido que todas estas experiências me afagarão o Humanismo que me é inerente. Quero ser externo a mim e, nesta condição de partilha, quero voltar-me para o serviço que somos convidados a praticar por Jesus Cristo. (Peço a bênção de Deus para que nunca se atraiçoe no meu espírito o egoísmo que nos segrega numa menoridade!).

Neste dia Mundial da Paz – que cumpre o seu 51º aniversário – somos convidamos a refletir sobre as nossas ações no sentido de nos questionarmos se somos agentes promotores da paz – uma paz que permite a construção do reino de Deus (Parem por um instante: deixem-se ensopar por esta consciência…).

 

Penso que nesta reflexão desenvolve-se no espírito um enlightment, uma iluminação – em tudo semelhante à dos filósofos do século XVIII –, que nos permite uma aproximação ao Humanismo consomado no versículo 39 do Evangelho de São Mateus: “Ame o próximo como a si mesmo”. Nesta aproximação ao Deus que se fez Verbo encarnado, somos iluminados neste Ano Novo que começa e invitados a construir uma realidade mais generosa e congregadora que nos sopra um espírito de Caridade. De facto, o tema abraçado pelo Papa Francisco para o ano que começa “Migrantes e refugiados: homens e mulheres em busca de paz“ é evidência desta necessidade num mundo em que existe a carência desta reconciliação com a paz.

Quando nos damos aos outros, meditamos na nossa individualidade. É este gigantismo de alma que desejo para o ano de 2018; esta matéria que se compraz no meu entendimento e nele exprime a vontade de Deus. Todos nós podemos contribuir mas um mundo melhor, mas esse trabalho tem que começar em nós mesmos. Ninguém muda o mundo, se não se deixar atuar pelo Espírito Santo; esta consciência social é nos exigida veementemente – impõe-se e destrói ao ego! Desejo que em 2018 todos nós sejamos capazes de contribuir (da forma que nos for mais conveniente) para a Paz. Muitos de nós não têm tempo (devido à urgência e efemeridade do tempo real!) para se dedicar ao voluntariado, mas certamente que podemos ser agentes de Paz nas nossas famílias, com os seus amigos, no nosso local de trabalho… Este é o meu desafio para vocês: Como posso eu ser um agente de Paz no meu dia-a-dia em? Está tudo em ti!

CARTER B REY


 

Fotógrafo: Tomás Monteiro

Assistente de Fotografia: Irís Liliana

Make-up: Ani Toledo

Cabelo: Rui Rocha

Styling: Carter B. Rey

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