AREIAS DO TEMPO

09 Out 2019
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AREIAS DO TEMPO

Submerso no jazido que me compraz: 9 de outubro de 2019

 

“Chega a ser aquilo que és” – Píndaro

 

Vivemos numa sociedade massificada pela informação, pelo trabalho, pela ansiedade, pela depressão… Num status quo afundado no capitalismo e consumismo desmedido, encontrarmo-nos não é uma missão fácil. No nosso quotidiano pensar é um luxo a que me dou e não me privo pois, apesar da dor que este exercício sugere, agradeço imenso à formação em Filosofia que tive no Colégio São João de Brito com a minha professora e (hoje!) amiga Joana Rigato.

“Tal como as casas têm fachadas eu tenho este modo de ser” dizia Fernando Pessoa. Pensar é não se deixar engolir pela realidade e no limite, quando muito exaustivo, pode-se tornar num sistema punitivo que não nos deixa viver o presente. E o que acontece quando não estamos presentes? Perdemo-nos numa tempestade metafísica que nos consome até nos tornarmos gás sideral perdido entre o brilho das constelações e a infinidade do universo: desconectamos com as nossas raízes valorativas e não passamos de cadáveres adiados. Já senti na pele o que é viver numa condição pensante intransponível em que se experiência um tédio existencial que nos consome as vísceras. Este período correspondeu à fase posterior ao meu primeiro surto psicótico.

Segundo a Organização Mundial de Saúde em 2050 mais de cinquenta por cento da população mundial sofrerá de depressão. Este movimento fenomenológico terá necessariamente relacionado com a interface homem/tecnologia. Os avanços nas mais diversas áreas do conhecimento despertam falsas necessidades no Homem. Por exemplo, nas camadas mais jovens existe uma necessidade de gostos nas redes sociais para um conjunto de objetivos finais que têm um tanto de banalidade como um pouco de insanidade; o nosso cérebro não está preparado para o ritmo a que acontecem as alterações ambientais, antropológicas, sociais e económicas que se registam na atualidade. Exige-se uma adaptação imediata: não existe tempo para se experienciar o nosso eu emocional e, consequentemente, existe um desconhecimento da nossa parte em relação a esses mesmos fenómenos psíquicos e psicológicos. É urgente construir fundações resilientes!

E como ser mais resiliente? Hoje trago-te uma sugestão: Já pensaste em meditar? Tirar 20 minutos do teu tempo diário para te encontrares contigo próprio? Quando se fala em meditação não se discute outro tema senão aceitação e consolidação de resiliência psicológica; na vida vão te surgir momentos desafiantes e que te vão colocar à prova. Será que estás preparado para quando a adversidade se sentar  à mesa contigo e te olhar nos olhos? Como a irás encarar? Quando meditas tiras tempo para perceber os caminhos que se encontraram no mapa interno e privado do teu ser consciente aceitando-te tal como és e aquilo que te acontece na vida. A meditação permite construir pontes onde outrora houve a tragédia e a carência de sentimentos; ajuda-te a viver as tuas emoções, a colocar os teus pensamentos (independentemente da sua natureza!) em perspetiva: colocaste na posição de observador. Posso-te dizer por experiência própria que é uma sensação revigorante quando sabes que chega ao momento do dia (por ti definido!) para te experienciares e saboreares a tua existência física e espiritual em todas as suas latitudes e alturas. Meditar é estar presente.

Como fazê-lo? Muito simples: coloca-te numa posição confortável e concentra a tua atenção na tua respiração; podes, por exemplo, contar as respirações até dez correspondendo a primeira inspiração ao número um e a última expiração ao número dez, o ciclo repete-se – poderás concentrar-te, em alternativa, na cadência da respiração. Começa a viver o presente e as tuas emoções! Tu és um #DLFighter – Está tudo em ti!

Sinceramente,

Carter B. Rey


Foto: Duarte Machado

Roupa: Mango Man

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