Arquivo da categoria: Desenvolvimento Pessoal

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A ORIGEM

A novidade rasga os velhos hábitos paradigmáticos instaurados na mente pelo sedentarismo; trás frescura onde outrora existia restos de preguiça que não permitem o avanço. Quando criei o blogue foi com a intenção deliberada de te fazer chegar conteúdos que te obrigassem a pensar e te descalçassem – retirando-te o conforto de uma noção mais exacerbada e influente do ego.

Não pensar significa que aceitamos sem noção crítica o que nos envolve, mantendo ativo o espírito que pode corromper os enérgicos traços da criança que há em nós ansiosa para responder a um «porquê»! Mantermo-nos curiosos é tudo aquilo que fortifica e unifica uma entidade geradora de humanidade e integração nos quais se dá resposta à caridade humanitária.

Se não nos questionarmos deixamos que nos nossos olhos se enraíze o pragmatismo estático e imóvel que fermenta uma potencial necessidade de desconstrução do outro que somos nós. Se absorvermos com inércia estacionária o mundo que nos envolve corremos o risco de nos distanciarmos da essência que alberga o mais necessitado. Não te esqueças – Está tudo em Ti!

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PSIQUIATRIA E SAÚDE MENTAL – OS DESAFIOS DE UM ATLETA COM UMA DOENÇA MENTAL – PARTE XVII

Hoje é o Dia Mundial da Doença Mental; neste dia, como doente mental, gostaria de fazer um enaltecimento a todas as pessoas que vivem na mesma condição que eu.

Enquanto pessoa que luta todos os dias contra o estigma da doença mental gostaria de deixar uma palavra para o público que não tem a capacidade de calçar os sapatos de quem constantemente luta a favor da sua emancipação enquanto ser humano; não esperamos que tu nos aceites mas simplesmente respeites a nossa vulnerabilidade.

Acredita em mim quando te digo que não é fácil. Todos nós temos os nossos defeitos inseguranças, pontos menos fortes ou positivos; um doente mental tem tudo isso mais uma pedra que pesa toneladas às suas costas e da qual não se consegue desembaraçar com a facilidade de quem bebe um copo de água. É TRAMADO viver neste limiar da existência humana onde somos sugados para os mais cavernosos e obscuros buracos da consciência inconsciente que nos atira para um mar de sargaço onde reina a incerteza de uma novidade incerta e modificada ao ritmo das perturbações neuronais de que somos castrados.

Sê mais humanista e abraça uma causa que pode não criar um vínculo de identificação, mas que participa da tua essência. Se lutas todos os dias para ser uma pessoa melhor, veste a tua camisola e sai à rua com um sorriso no rosto porque nunca serás colocado em causa por ninguém exceto por ti mesmo. Não te esqueças – Está tudo em Ti!

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PSIQUIATRIA E SAÚDE MENTAL – OS DESAFIOS DE UM ATLETA COM UMA DOENÇA MENTAL – PARTE XVI

Hoje o dia começou de uma forma totalmente diferente. Ontem meti como objetivo acordar às 5 horas da manhã, correr, meditar; fazer um processo de visualização e ler durante alguns minutos.

Na escuridão da madrugada irrompi determinado em conquistar os meus objetivos. Estou numa fase bastante motivadora da minha vida porque sinto que a cada dia estou a cumprir a minha missão: tal como aconteceu hoje no programa Agora Nós onde fui entrevistado pela Tânia Ribas de Oliveira e pelo Zé Pedro numa entrevista fluída, dinâmica e cheia de amor de ambas as partes. Senti um enorme respeito da parte dos apresentadores pela minha história, mas mais do que respeito o que eu quero tocar são corações feridos, magoados ou de alguma forma endurecidos pela vida. Por vezes a vida pode ser bastante dura e, neste processo de revelação e conquistas, pode existir uma calcificação do coração como defesa do perigo e da desilusão!

Estou agradecido a Deus e aos meus orixás por me permitirem viver a minha vida da forma que agora estou a determiná-la. Quero impactar o mundo nas minhas três valências de polarização: doença mental, racismo e homofobia; acredito que o meu testemunho pode levar uma mensagem de esperança a muitas pessoas! Qual é o impacto que queres deixar no planeta? Não te esqueças – Está tudo em Ti!

 

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PSIQUIATRIA E SAÚDE MENTAL – OS DESAFIOS DE UM ATLETA COM UMA DOENÇA MENTAL – PARTE XV

“Já vi que não queres ser ajudado: entregas-te à calanzisse; a mãe já não fala mais!”

Foram estas as palavras que me acordaram hoje de manhã; de facto, estou com uma dificuldade em acertar as horas de sono e, como resultado, acordo sempre bastante tarde – a medicação também faz das suas no que a este departamento se faz referência. Mas factos são factos; a verdade é que me demorei mais tempo na cama e a minha mãe não gostou disso. No entanto, também é verdade que ela não faz parte do meu mundo interno e não se apercebe do imenso esforço que faço para acordar mais cedo.

O dia prosseguiu. Comi a comida da terra e senti-me na disposição de enfrentar o mundo e os desafios da minha doença mental (as vozes hoje estavam mais baixinhas!). Fui beber café com os meus pais no meu café de eleição – Doce Impakto –, depois segui em direção a Lisboa para ser entrevistado pela rádio Aurora no Hospital Júlio de Matos.

A rádio Aurora luta para uma sociedade mais saudável e justa através da emissão de depoimentos que combatem a estigmatização da doença mental – uma das minhas valências e polarizações na luta por um mundo mais igualitário e com mais amor.

Numa conversa dinâmica e descontraída a entrevista dividiu-se em três segmentos: 1) o meu olhar sobre a problematização da doença mental; 2) quais as soluções por mim propostas para o combate ao estigma; 3) de que forma eu vivo a minha doença mental.

Foi uma entrevista muito interessante e da qual nascerão vários frutos. Fiquem atentos às notícias. Não te esqueças – Está tudo em Ti!

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PSIQUIATRIA E SAÚDE MENTAL – OS DESAFIOS DE UM ATLETA COM UMA DOENÇA MENTAL – PARTE XIII

O Outono irrompe pela margem de tempo mais discreta, pois o calor do Verão continua a manifestar-se em toda a sua magnitude; isto faz-me recuar no tempo e condimentar na minha tenacidade enquanto atleta de alta competição. Não sei porque relaciono os dois acontecimentos, mas na minha consciência tempera-se esta verdade inexorável esculpida num tempo ido e passado que imprimiu na minha memória a saudade do cheiro a suor e a atmosfera bafia do centro de treinos.

Até a doença mental se ter manifestado na minha vida eu era este homem forte e corajoso capaz de enfrentar qualquer desafio. No momento em que escrevo estas palavras desprende-se do meu entendimento a imagem do jovem rebelde que ia para a rua para lutar com os rapazes mais maturados para desta forma impor a sua virilidade de menino inocente e assustado.

Toda a zanga nasce de um conflito interior que se quer cingir numa violência ao seu agressor. Sinto-me desta forma; violentado por um presente que a custo me rouba aqui ou ali um sorriso forçado e que encontra a sua natural lhaneza na minha interioridade sensível e variável que se quer transmitir ao mundo numa forma refinada de Amor e sentido de Justiça que imperam na minha ancestralidade africana.

Tudo o que existe em mim é um homem que quer – e vai – vencer a doença mental e evocá-la para um elevado patamar energético onde as emoções verdadeiras se fundem e convencem com a sua frescura renovada. Já pensaste quantas pessoas a tua história pode inspirar? Não te esqueças – Está tudo em Ti!

O Outono irrompe pela margem de tempo mais discreta, pois o calor do Verão continua a manifestar-se em toda a sua magnitude; isto faz-me recuar no tempo e condimentar na minha tenacidade enquanto atleta de alta competição. Não sei porque relaciono os dois acontecimentos, mas na minha consciência tempera-se esta verdade inexorável esculpida num tempo ido e passado que imprimiu na minha memória a saudade do cheiro a suor e a atmosfera bafia do centro de treinos.

Até a doença mental se ter manifestado na minha vida eu era este homem forte e corajoso capaz de enfrentar qualquer desafio. No momento em que escrevo estas palavras desprende-se do meu entendimento a imagem do jovem rebelde que ia para a rua para lutar com os rapazes mais maturados para desta forma impor a sua virilidade de menino inocente e assustado.

Toda a zanga nasce de um conflito interior que se quer cingir numa violência ao seu agressor. Sinto-me desta forma; violentado por um presente que a custo me rouba aqui ou ali um sorriso forçado e que encontra a sua natural lhaneza na minha interioridade sensível e variável que se quer transmitir ao mundo numa forma refinada de Amor e sentido de Justiça que imperam na minha ancestralidade africana.

Tudo o que existe em mim é um homem que quer – e vai – vencer a doença mental e evocá-la para um elevado patamar energético onde as emoções verdadeiras se fundem e convencem com a sua frescura renovada. Já pensaste quantas pessoas a tua história pode inspirar? Não te esqueças – Está tudo em Ti!

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PSIQUIATRIA E SAÚDE MENTAL – OS DESAFIOS DE UM ATLETA COM UMA DOENÇA MENTAL – PARTE XII

As paredes quentes respiravam a atmosfera densa e étnica das pessoas que passavam pelas ruas; umas com caras de felicidade, outras com caras menos felizes – mas todas unificadas num passado ancestral rico e precioso que lhes está cunhado desde a nascença. Um homem fumava um pensativo cigarro sendo a sua cor um contraste claro com a povoação que lhe circundava; no entanto, existia algo na sua disposição corporal que indicava que ele, para além de familiarizado, fazia parte de toda a moldura cénica.

Perante este cenário, havia um negro que andava nervosamente devido ao seu atraso para o compromisso que lhe esperava. Trazia com uma certa elegância o quimono que herdou da arte sagrada que lhe aperfilhou enquanto jovem rebelde e castiço. O gingar das suas ancas transpirava a cultura que passou do pai do seu pai do seu pai. A sua postura deixava antever uma profusão de nações que encontravam o seu encontro no sorriso – discreto – pincelado na sua face.

Enquanto caminhava, deixava para trás todas as contradições (ansiosas por darem as mãos!); embora a sua composição física fosse atlética, o mais atento dos olhares desnudava uma certa lentidão na démarche e um baloiçar de braços pouco convencional para um desportista. O seu rosto elevava a sua condição débil pois naquela composição quase teatral observava-se uma determinação voraz.

O homem negro desta historia sou eu e o meu sorriso existe porque sei que conto com o teu apoio para superar esta fase mais conturbada. Ainda que o teu estado mental não te permita estar com a alegria que desejas, acredita que a vida tem sempre um abraço para te reconfortar. As minhas vozes são as escadas da elevada montanha que tenho que escalar mas sou eu que decido o meu destino. Quem é o condutor da tua vida? Não te esqueças – Está tudo em ti!

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PSIQUIATRIA E SAÚDE MENTAL – OS DESAFIOS DE UM ATLETA COM UMA DOENÇA MENTAL – PARTE X

Naquela noite em que a minha mãe me disse que eu não ia prosseguir os meus estudos devo-me ter sentido como o céu se deve sentir numa noite sem estrelas; todas as minhas constelações perderam o seu encanto e nas galáxias – onde existia um brilho sideral – pairava agora a sombra de uma carreira que se via por cumprir com um grande desencanto. Mas como vos contei ontem a minha estrelinha brilhou na imensa escuridão que se proporcionava no manto celestial e eu consegui uma oportunidade inédita: estudar no prestigiado Colégio São João de Brito através de uma bolsa de estudos. Mas como isto aconteceu? É caso para dizer que o esforço compensa sempre: nesse ano, após a conclusão dos exames finais, o padre Abel Bandeira (que fora meu professor de Religião e Moral) levou os meus exames para o Colégio no sentido de me ser adjudicada uma atenção especial fase ao talento intelectual que emanava dos meus genes negros; como resultado final dessa apreciação consegui um aval positivo e a oportunidade surgiu no início da manhã seguinte onde todas as minhas estrelas voltaram a brilhar. Como também adiantei no artigo de ontem não foi uma oportunidade acolhida com todo o entusiasmo.

 

O MUNDO NOVO

Enquanto o padre Abel me contava acerca dos detalhes do Colégio, o pânico gerou-se dentro da minha cabeça confusa e preconceituosa: o que vai fazer um puto do bairro no meio de um bando de meninos mimados? De certeza que vou ser discriminado! Quando me sinto assim aflito em tomar uma decisão falo com a minha mãe. O seu pragmatismo é o bálsamo para as minhas feridas. Como qualquer mãe diria, a minha progenitora aconselhou-me a aceitar a proposta e que o preconceito estava a ser gerado pelo meu medo de me adrentar por um terreno desconhecido. Acabei por dizer um sim receoso! Mas não me aventurei nesta jornada sozinho; iria-me fazer companhia a minha melhor amiga de infância – a formidável e fantástica Inês Pereira (atualmente hospedeira de bordo). Sentia-me protegido; enquanto a minha cara mostrava medo, a minha amiga tinha a sua cara habitual – Quem se meter comigo está feito! Não deveriam os homens proteger as mulheres? Pois bem, nesta história de encantar a Inês era o príncipe e eu era a princesa. “Oh colega (ainda hoje nos tratamos assim) por amor de Deus” – dir-me-ia sempre que os meus neurónios começavam a colidir como pequenos asteróides. Lembro-me do primeiro dia de aulas: senti-me esmagado pelas proporções do Colégio, na minha cabeça tudo era demasiado grande – uma capela enorme, corredores a perder de vista, laboratórios equipados; auditórios, campos de ténis, piscina, tudo e mais um par de botas como se costuma dizer. Fiquei a olhar para o Colégio como um burro para um palácio! As diferenças para a nossa escola básica eram abissais: os conflitos e a porrada não existiam (era tudo uma paz tirando o reboliço próprio das idades juvenis); quando os alunos se portavam mal eram gentilmente convidados a sair e estes acatavam as regras (onde estavam as respostas tortas e caras de aborrecimento?); os patifes a pedir dinheiro eram substituídos por crianças a pagar pequenos almoços com notas de cinquenta euros – quando eu na maioria das vezes não tinha dinheiro para o pagar-; haviam dois responsáveis por cada piso (aonde estavam as mil contínuas)… Podia continuar a lista de diferenças a noite toda…

 

QUEBRAR O GELO

Todos as minhas ideias pré-concebidas caíram por terra: nunca fui discriminado, existia um natural interesse dos alunos em aproximarem-se de mim (mas eu colocaria barreiras a estas tentativas até ao final do 10º Ano), os professores tinham uma genuína  paixão pelo ensino e forneciam-me aulas extra sempre que eu faltava às aulas (de outra forma teria sido impossível conciliar os estudos com a carreira da alta competição; o meu professor de Educação Física deixava-me perder peso durante as aulas). Estavam todas as condições reunidas para eu conseguir alcançar os meus objetivos. Saí do Colégio a escrever melhor, a ler livros e mais comunicativo e expansivo – contrariando a minha natureza mais introvertida. Foi uma experiência apaixonante e enriquecedora a todos os níveis e deu-me um know-how diferente no que toca à capacidade de trabalho e exigência.

 

NOVOS DESAFIOS

Sempre que uma oportunidade te bater à porta não sejas como eu. Adopta uma postura confiante e acredita nas tuas capacidades. Vais ser desafiado mas no final das contas vai valer a pena. Não te esqueças – Está tudo em Ti!

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PSIQUIATRIA E SAÚDE MENTAL – OS DESAFIOS DE UM ATLETA COM UMA DOENÇA MENTAL – PARTE IX

A minha mãe sempre foi o meu maior ídolo pelo testemunho de vida que me imprimiu desde tenra idade. Esta super-heroína teve a capacidade – conjuntamente com o meu  pai – de dar aos meus seis irmãos e a mim próprio uma rígida educação que se estendia desde as tarefas que tínhamos que fazer em casa até aos próprios estudos. Infelizmente, os meus irmãos decidiram terminar as suas carreiras académicas cedo; como resultado dessa decisão, a minha mãe obrigou-os a irem trabalhar e a darem uma contribuição monetária para casa. “Eles tinham que ir trabalhar; a olhar para a minha cara é que não iam ficar!” – recorda, entre risos, a matriarca nas nossas tardes de conversa cálida, reconfortante e inspiracional. Quando oiço estes testemunhos da minha mãe desejo que os filhos que vou adoptar tenham a oportunidade de escutar estes ensinamentos ancestrais, ensinados por uma educação num colégio de freiras em Angola quando tinha nove anos de idade: “Lá aprendemos tudo menos a sermos putas!” – marca repetidamente no seu discurso motivacional (os palavrões na boca da minha mãe indiciam a sua eloquência africana!). Nas mãos desta senhora «mãe de todos» – como a apelidou a minha professora de Filosofia Joana Rigato num artigo que escreveu – a minha carreira académica foi tomada com uma firmeza de dedo em riste!

 

A DIVISÃO FATAL

Quando entrei para o primeiro ciclo estudei na Escola  Branca do Monte da Caparica. (A minha vida é feita destas contradições entre o meu tom negro petróleo e os locais em que frequento;  a minha habitação fica no Bairro Branco do Monte da Caparica. Não é irónico? No mínimo: curioso!) Do meu primeiro dia de aulas lembro-me do pânico que senti quando o meu pai me deixou na escola e partiu; a minha sala de aulas ficava no primeiro andar e recordo-me de ter medo que as escadas me levassem para outro sítio: qualquer versão fantasmagórica do Hotel Transylvania (série de televisão da Disney). Com toda a adrenalina a correr nas veias, subi as escadas e entrei na sala de aulas. Nos primeiros dias de aprendizagem era um aluno banal e distraído: fazia as tarefas que me eram exigidas mas sem grande esforço ou particular dedicação. Isto foi assim até algo ter acontecido. À medida que as aulas foram decorrendo ocorreu uma transformação na disposição da turma: a professora separou a turma entre negros e brancos. Sim; foi isso mesmo que ouviste; como uma situação destas ocorre em pleno século XXI não sei! Como se não bastasse, exercia violência sobre os alunos negros. Lembro-me de uma colega minha que durante uma das tardes a professora chamou-a ao quadro para resolver uns cálculos aritméticos básicos. Os seus nervos congelaram a sua sabedoria; as suas pernas pareciam duas canas de bambu a baloiçar ao vento. A resposta não saía perante os gritos histéricos da minha professora; nisto, num só movimento, a docente prega-lhe um estalo com tanta energia  cinética que a aluna bate com a cabeça no quadro e urina nas calças. A turma ficou em choque: tudo o que cresceu dentro de mim foi uma revolta! Algo tinha que mudar e o que mudou foi a minha atitude. Perante a minha incapacidade de protestar, decidi que naquele momento ia estudar para ser o melhor aluno da turma. Nunca deixei que me compartimentassem em rótulos e ideias pré-definidas. A verdade é que após alguns meses de trabalho sério, tornei-me no melhor aluno da turma e os grupos étnicos foram dissolvidos.

 

UMA OPORTUNIDADE CAÍDA DO CÉU

Prossegui os meus estudos na Escola Básica 2/3 do Monte de Caparica. Entre rebeldia e boas notas segui até ao 9º ano. E aqui aconteceu algo mágico que mudou a minha vida para sempre; no final deste ano de transição para o ensino secundário tive a pauta cheia de cincos menos a Inglês que tive um quatro. Estava todo contente com a possibilidade de estudar e prosseguir os meus estudos para ser médico; no entanto, numa noite muito triste a minha mãe disse que não tinha possibilidades para eu prosseguir os meus estudos – chorámos os dois e eu fiquei devastado. Todos nós temos uma estrela guia, não é verdade? A minha revelar-se-ia na manhã seguinte quando o Padre Abel Bandeira me trouxe uma notícia: “Vais estudar no Colégio São João de Brito!” Devo admitir que a minha primeira reação foi a de ir estudar no meio de meninos mimados e chatos! O que aconteceu a seguir? Vão ter que me visitar amanhã para saber o desfeche desta história. Não te esqueças – Está tudo em ti!

 

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PSIQUIATRIA E SAÚDE MENTAL – UM ATLETA COM UMA DOENÇA MENTAL – PARTE VIII

Hoje não estou a ter um dia fácil mas estou a fazer um esforço para me manter positivo: as vozes estão a atormentar-me desde manhã; não é fácil gerir o meu mundo interno e coordená-lo com o meio físico que me envolve. Quando me sinto assim é como se estivesse fora da realidade e alguém comandasse o meu corpo; é como se o verdadeiro Célio fosse submerso num mar de sargaço e fosse difícil manter-me à tona. Estou, de repente, no  meio de areias movediças e quanto mais luto para sair mais me afundo. No entanto, estou contente porque apesar de tudo consigo cumprir as minhas tarefas diárias. Já não estou a tomar um dos comprimidos para dormir – o Morfex – o que já representa uma vitória.

 

BOLA DE NEVE

Esta minha nova condição psiquiátrica é uma total novidade para mim. Mas o que será a causa de todos estes pensamentos obsessivos e sem sentido? Existem duas possibilidades: a primeira relaciona-se com o meu passado e outra com um traço de personalidade. Por um lado, possíveis traumas de infância  estarão neste momento a emergir; é como se as peças de roupa tivessem todas trocadas e espalhadas pelo chão do meu subconsciente, de súbito, surge uma personagem que pede que tudo aquilo seja arrumado e organizado. Esta personagem que surge são as vozes que emanam deste cenário desorganizado para dizerem à minha matéria consciente para que tudo seja limpo. Por outro lado, a minha incapacidade de ser flexível comigo próprio pode explicar o quadro sintomatológico. Todas estas pressões resultam nesta combinação explosiva.

 

UM FOCO NO FUTURO

O que me ajuda a sobreviver nestas situações é a crença num Bem maior e que equaliza as minhas forças positivas e negativas. Quando te sentes submerso pela negatividade o que te ajuda a sobreviver? Escreve-me (celio.ucha.dias@gmail.com) a contar a tua história. Não te esqueças – Está tudo em Ti!

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PSIQUIATRIA E SAÚDE MENTAL – UM ATLETA COM UMA DOENÇA MENTAL – PARTE VII

Os seres humanos nasceram com duas necessidades básicas: serem amados e evitar o sofrimento; por um lado, desejamos sentirmo-nos importantes e queridos, mas, por outro lado, desejamos não sofrer. Como a doença mental já me trouxe o sofrimento que tenho vindo a relatar nos artigos anteriores, hoje venho contar-vos a história da minha adopção.

 

UM FILHO DESEJADO

Os meus pais são refugiados: vieram para Portugal em 1975 para fugir à guerra colonial. Vieram para Portugal sem conhecer ninguém e sem nada. Passaram das fazendas e lavadeiras de Angola para enfrentar a pobreza e a fome num país que os acolheria com os braços semi-abertos – isto porque o apoio que muitos refugiados receberam foi deficitário e o cenário que foi proporcionado aos meus pais foi onde reinada a incerteza do dia de amanhã. Passou-se fome e privações; a primeira habitação dos meus pais foi um barracão de lata sem casa de banho e minado de insetos, répteis e roedores. Longas são as tardes em que me sento na cozinha a ouvir as histórias que a minha mãe conta acerca destes tempos longínquos. Quando fui parar às mãos da minha mãe tinha quinze dias; na altura ela tomava conta de crianças como modo de subsistência. Quando celebrei um mês fiquei ao total encardo de uma família pobre constituída pelo meu pai, pela minha mãe e pelos meus seis irmãos (tenho quinze sobrinhos!). Nesta altura fui acolhido no ceio de uma família que me acolheu de abraços abertos: que amor é este que quebra as barreiras do preconceito e da discriminação? (A minha família é toda branca!); que amor é este  que acolhe nas mãos um novo rebento e decide deliberadamente iluminá-lo com a sua luz?

Quero que fiques a pensar nestas questões e no poder de um amor que quebra barreiras: Não te esqueças – Está tudo em Ti!

 

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PSIQUIATRIA E SAÚDE MENTAL – UM ATLETA COM UMA DOENÇA MENTAL – PARTE VI

Hoje estou a ter um dia complicado porque estou a ouvir as vozes desde o período da manhã e como se não basta-se estou a ter problemas no back office do site. Mas asssumi um compromisso diário contigo que não o vou quebrar. Hoje partilho contigo a minha frustração e o meu lado menos bonito, o Célio não tão brilhante. Aceitas-me desta forma?

Queres partilhar o teu dia comigo? Escreve-me (celio.ucha.dias@gmail.com). Lembra-te que tens em ti todos os sonhos do mundo: Está tudo em ti!

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PSIQUIATRIA E SAÚDE MENTAL – OS DESAFIOS DE UM ATLETA COM UMA DOENÇA MENTAL – PARTE VI

O ser humano tem duas necessidades básicas: ser amado e evitar o sofrimento; por um lado, gostamos de nos sentir queridos e importantes, mas por outro lado,  queremos ter uma existência com poucas mágoas ou ressentimentos porque isso é desagradável e causamos dor. Como ser humano que sou tenho essas duas necessidades e ironicamente tenho as duas porções da balança em abundância: tenho uma família que me adora e que me ama (há uma clara reciprocidade da minha parte) e nos últimos dois anos tenho sofrido bastante com  doença mental. Mas hoje venho-te falar de amor incondicional: um amor que é cego e arde sem se ver.

 

A TOALHA AZUL

Lembraste da tua primeira recordação?  Peço-te que feches os olhos; agora, nesse estado de dormência viaja num mar de sargaço – cada filamento é uma lembrança, um momento que faz parte da tua história. O que sentes? Encontraste esse pedaço da tua manta de retalhos? Quando faço esse exercício vem-me sempre a mesma memória: a minha mãe a carregar-me ao colo numa toalha azul. É um momento de uma intimidade e sentimento muito fortes para mim, é uma doce e densa matéria emocional. Quando estou neste estádio lembro-me da minha infância que foi vivida com bastante alegria no seio da minha família que me escolheu para ser amado.

 

AMOR É SÓ UM

Nasci no Hospital Garcia de Horta no dia 8 de Fevereiro de 1993. Com quinze dias fui deixado pela minha mãe biológica na casa da minha mãe adoptiva – que na altura tomava conta de crianças como forma de subsistência. No início, a minha mãe biológica – que se chama Eleonor Ucha – deixava-me e ia buscar-me; no entanto, quando fiz um mês de vida a minha mãe biológica deixou-me ao cuidado da minha mãe – que como se gosta de apresentar chama-se Maria de Lourdes (muito chique a minha mamã com o seu nome francês!) da Silva Manteigas Basílio – em termo de responsabilidade total. Quando a Eleonor entregou-me à minha mãe foi marcada e decidida dizendo: “Fique com ele e não o entregue a ninguém”. Já imaginaste o quão forte este gesto é? A deslocação de responsabilidades e da inversão de papéis; foi dizer que a partir daquele momento a minha ama seria de facto minha mãe. Tal como a Virgem Maria disse sim à sua missão, a minha mãe disse à missão de cuidar de mim para sempre. Que  coração é este que aceita sem negar carregar e gerar nova vida? Que amor é este que quebra as barreiras de todo o preconceito? Que mulher é esta que toma em seus  braços um novo rebento e aceita iluminá-lo com a sua luz?

 

UMA VIDA DURA

Os meus pais são refugiados; vieram de Angola para Portugal na sequência da guerra de 1975. Ao início tiveram uma vida bastante complicada: na altura tinham quatro filhos, sendo que um dos meus irmãos, o Artur,  tinha apenas um mês; no total tenho seis irmãos. Viveram-se dias complicados. Passou-se fome e privações. A primeira casa dos meus pais foi um barracão sem casa de banho… É muito bonito ouvir a minha mãe e o meu pai a contar estas histórias de luta e inspiração. Os meus pais estão casados há 48 anos e a educação que me foi transmitida é o resultado de uma cumplicidade e entendimento entre duas pessoas que se amam e se respeitam mutuamente.

 

O Compromisso

Hoje as vozes estão muito intensas o que significa que a minha concentração está afetada. Penso que o artigo não está com a qualidade dos anteriores. Mas o importante é que vim aqui dar o meu testemunho e tu estás desse lado para me ouvires. Obrigado por esse acto de generosidade – Não te esqueças – Está tudo em Ti!

Se tiveres uma história para me contar envia-me um email para celio.ucha.dias@gmail.com. Quero ouvir-te e conhecer-te!

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PSICOLOGIA E SAÚDE – OS DESAFIOS DE UM ATLETA COM UMA DOENÇA MENTAL – PARTE V

Os relacionamentos não são fáceis e as pessoas de quem gostamos são aquelas que, por vezes, queremos que mudem mais. Nunca te aconteceu? Quereres que a tua mãe fosse menos chata e implica-se menos por seres desarrumado (a)? A minha mãe é fanática das limpezas e eu como sou desarrumado gostava que ela fosse mais flexível em certos aspetos; “Enilson [nome de casa] já viste como deixaste a casa  de banho?” – grita a minha mamã com gestos largos e expansivos: eu já a suar porque pensei que passou um tsunami na casa de banho e quando vou a ver… era apenas uma toalha fora do lugar (Mãezinha, se eu pudesse mudar algo em ti seria isso… mas os beijinhos de damos na boca ajeitam algumas das situações mais acesas e perigosas).

 

UMA TEMPESTADE COM PELE

Quando saí do meu segundo internamento na ala psiquiátrica do Garcia da Horta estava com o fogo nas ventas. Como é que alguns dos meus melhores amigos não me foram visitar ao hospital e como é que nem foram capazes de ligar à minha família para saber como é que eu estava? Toda uma teoria da conspiração Illuminati a brotar dos meus (alguns queimados, devo admitir) neurónios. (Tive um companheiro que dizia que eu era o seu maluquinho – um termo que eu aceitava de bom agrado – para qualificar a minha capacidade de inventar teorias lunáticas; será que já era doente mental antes de efetivamente o ser? Tendo em conta que o meu melhor amigo Gonçalo Mansinho me chamava bipolar pelo facto de todos os dias ser uma pessoa diferente, penso que sim. Era o que eu lhe dizia: “Eu deito-me uma pessoa e no dia seguinte não sei quem sou!” (Tenho alter-ego feminino que se Sheila – a personagem é uma prostituta espanhola que estuda filosofia e incorpora a personagem da Cármen Miranda -; em grossos modos: tudo o que é preciso é um baton vermelho (sim, porque sou seletiva!), uma lingerie, uns saltos altos e uma toalha para colocar em volta da cabeça e toda a magia acontece ao som da música pop mais rasca – Doina Babcenco achas que descrevi bem parte dos nossos serões? Já imaginaram um negro grande e musculado a dançar e a fazer o twerk? Não percam a minha próxima atuação no Finalmente!) Resumindo: sou uma pessoa que vê o branco e o preto – para mim não existem cores intermédias – facto que em parte, fora de brincadeiras, justifica a minha doença mental.

 

COLOCANDO EM PERSPETIVA

Tenho um treinador japonês que se chama Go Tsunoda; a nossa relação e conexão espirituais são inexplicáveis; foi o primeiro homem com quem me liguei emocionalmente isto porque durante a minha adolescência e parte da vida adulta não deixava que os homens se aproximassem de mim a um nível mais profundo porque não queria que pensassem que estava sexualmente interessado neles (Afinal de contas por ser gay tenho que gostar de todos os indivíduos do sexo masculino, certo? Estou aqui só do meu salto alto mandando um shadezinho – se não sabes o que isto significa pergunta ao teu amigo gay que te explique, está bem? – Beijinho no ombro migas!) E porque a primeira relação emocional com um homem não foi com o meu pai? (Se quiseres saber manda-me um email para celio.ucha.dias@gmail.com)

Passei momentos inesquecíveis com este meu treinador e a melhor parte de tudo eram as nossas conversas filosóficas. O Go estudou literatura no Japão e estabeleceu-se na Europa aos 27 anos e é um homem com uma densidade emocional simplesmente avassaladora. Quando tive o primeiro surto psicótico, passados alguns meses estivemos juntos e ele disse-me o seguinte: “A mim  quando me disseram que estavas louco achei que eles eram todos uns cobardes só porque dizias que querias matar pessoas!” – nisto faz uma pausa enfática e no segundo seguinte atira-se na minha direção e abala-me desta forma: “Se Célio Dias quer matar Go Tsunoda, mata-me!” Como podem calcular fiquei estremecido e fiz o meu melhor para não chorar!

Aprendi muitas temáticas interessantes com o Go desde a minha maneira como vejo atualmente o Judo até à forma como me relaciono com o meu namorado. Numa dessas tardes perdidas entre melancolia e passado ele disse-me o seguinte:

“Sabes Célio: a vida é um longo processo de aprendizagem e nesse processo há pessoas que ficam e outras que vão. Devemos deixar que as que partem levem a nossa paz com elas e as que fiquem mereçam o nosso amor.”

Neste momento estou desligado dos meus amigos do judo; algumas amizades não sei se vou conseguir reatar porque quando estava descompensado magoei muito essas pessoas… Mas hoje que estou mais equilibrado sinto que sou capaz de num processo maturado e de desenvolvimento fazer exatamente aquilo que o Go me ensinou. Sendo muito pratico: o meu melhor amigo Gonçalo Mansinho está atarefado com a faculdade, com os treinos bi-diários e com o stress da qualificação olímpica; vou julgá-lo por nestes últimos meses estar mais distante ou vou valorizar o momento em que eu completamente sedado da medicação me colocou creme nos pés? Ele é o meu melhor amigo e a vida como ele não me trará portanto nestes meses em que estamos mais afastados vou ter o mesmo discernimento de amor da filha do comerciante do romance Alquimista de Paulo Coelho que sem egoísmo deixa pastor partir rumo ao seu destino.

 

OS SOLDADOS DO AMOR

No desenvolvimento desta temática quero agradecer aos meus Soldados do Amor à minha mãe que quando lhe disse que a queria matar abraçou-se a mim, beijou-me e disse que eu não era capaz de o fazer porque o Bem que me lidera é mais brilhante em mim; a maturidade do meu afilhado que me implorou para eu não me matar; ao meu braço direito – a minha mana Cátia – que, quando disse que lhe queria matar, desarmou-me rindo-se e disse-me que então íamos ter que lutar os dois; à melancolia do meu pai que me diz que me ama; à minha sobrinha com quem falo sempre que as vozes estão a falar comigo; ao meu sobrinho que me mantém no caminho da luz e não me deixa cometer nenhuma loucura; e, finalmente, ao meu compadre (marido da minha irmã Cátia) que me abraça quando me sinto perdido.

Quero ainda agradecer ao presidente do Comité Olímpico o Dr. Manuel Constantino, ao presidente da Federação Portuguesa de Judo Jorge Fernandes e à selecionadora nacional Ana Hormigo que têm providenciado o meu suporte financeiro desde que rescindi o meu contrato com o Benfica.

Quero agradecer à generosidade do meu Mestre Vitor Caetano e da sua mulher Angelina Caetano por me terem recebido de braços abertos e sem despeito no meu clube mãe – o CNS Construções Norte-Sul. Dois corações de uma humanidade arrepiante!

Obrigado a todos os Soldados do Amor que me acompanham nesta jornada. Quero agradecer-te a ti que estás desse lado e que me transmites as tuas energias positivas. Se estás a passar por um momento bom na tua vida hoje à noite não te esqueças de agradecer – mais que não seja porque quando mostramos gratidão os nossos centros de recompensa libertam dopamina que nos permite relaxar -se estás a passar por um mau momento coloca um sorriso na cara e acredita que a tua oportunidade vai chegar – Está tudo em TI!

Se me quiseres escrever sente-te à vontade, eu quero ouvir a tua história: celio.ucha.dias@gmail.com.

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METAFÍSICA DO MATERIALISMO

Vivemos apegados aos objetos materiais. É para eles que vivemos e é sobre eles que edificamos as nossas vidas. A Sociedade ensina-nos um consumismo desmedido e nessa medida perdemo-nos. O sentido da vida, se existir algum, não é a aquisição de bens materiais mas antes o desenvolvimento de uma vida espiritual profunda e séria.

A felicidade que advém do adquirir é um sentimento epidérmico, não é auto-sustentável, não alimenta. Os bens materiais são grilhões que nos prendem e não nos deixam desenvolver e evoluir para um estádio de uma vida mais preenchida – este é o verdadeiro sentido da vida! Somos maiores do que os bens que nos preenchem a um nível superficial.

Jesus Cristo rasga com todo o caráter material da condição humana. O Cristianismo dá-nos um Deus que se fez pequenino; um Deus que poderia ter vindo ao mundo com todo o seu esplendor e glória, mas que preferiu conhecer o Humanismo e a carne de uma forma pobre, austera e livre de composições materiais. És maior que a tua dimensão física. Está tudo em Ti!

CARTER B. REY


Fotógrafo: Tomás Monteiro

Assistente de Fotografia: Irís Liliana

Make-up: Ani Toledo

Cabelo: Rui Rocha

Styling: Carter B. Rey

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A GRANDEZA DE SE SER PEQUENO

O que somos nós perante o Universo que se impõe? Quem somos nós perante a enormidade dos planetas e constelações? Não somos mais do que poeira sideral – cósmica – que se desvanece num leve sopro de uma brisa. Pensar no Universo é uma medida de humildade pois faz-nos pensar que, de facto, não somos nada; o Homem não é a medida de todas as coisas.

Temos um ego gigante que se interfere e deturpa a realidade. Neste gigantismo de alma perdemos a consciência de se ser pequeno. Quando nos reduzimos à nossa insignificância universal, atómica, percebemos que à um enorme espaço no caminho que nos precede. Quando somos humildes percebemos que há mais lugar a ser ocupado.

O ego é maior numa sociedade capitalista mas tem que existir um trabalho para a sua destruição para que possamos viver uma vida mais caridosa. Vamos ser a gota no oceano que contribui, na sua menoridade, para a imensidão azul em que todos nós nos vemos submersos. Vamos ser pequenos e aprender com o Universo – energia elétrica. Está tudo em Ti!

CARTER B. REY

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O ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

Muitas vezes estamos e vivemos num estado de cegueira permanentes. É uma cegueira aguda que não nos permite ver o que está diante dos nossos olhos e que nos fecha na nossa própria concha. É uma cegueira que nos agoniza as emoções e não nos permite estarmos congregados com a nossa essência; somos afastados da nossa condição humana.

Somos cegos quando decidimos não amar o próximo como a nós mesmos; somos cegos quando não estamos disponíveis para sermos seres de Caridade e Irmandade. A sociedade vive num atual estado de cegueira que não nos permite sermos maiores que a nossa individualidade. Somos ensinados a dobrar o joelho perante o ego que se generaliza num egoísmo.

Mas eis que chega Jesus Cristo – o Príncipe da Paz – para nos trazer a verdadeira luz do mundo. Quando Ele sopra sobre nós, somos capazes de enxergar a verdadeira natureza de um espírito de Caridade que vai beber ao Amor a unidade do Espírito Santo. Sai das trevas. Deixa-te iluminar pelo espírito de verdade e comunhão do Senhor. Está tudo em Ti!

CARTER B. REY

 


Fotógrafo: Tomás Monteiro

Assistente de Fotografia: Irís Liliana

Make-up: Ani Toledo

Cabelo: Rui Rocha

Styling: Carter B. Rey

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GUERRA DE MUDANÇAS

O cérebro é a máquina mais fascinante do Universo; continuamos a saber mais dados sobre a superfície de Marte do que da matéria cinzenta que comanda os nossos pensamentos e através da qual experienciamos o mundo que nos rodeia. De facto, a expressão deves escutar o teu coração devia ser mudada para deves escutar o teu cérebro.

No entanto, a afirmação anterior perderia todo o romantismo. Hoje falo do cérebro porque o que mais aprecio no seu funcionamento é o caráter treinável das suas funcionalidades. Assim, com o enquadramento teórico certo e com o especialista adequado, podemos treinar emoções, pensamentos e ideias… Até competências como a motivação e a resiliência.

Ao longo do meu percurso como atleta, alterei a minha estrutura mental de forma radical: passei do menino que se deixava perder com os amigos mais velhos do clube para o adulto com uma crença vital que foi aos Jogos Olímpicos. Se eu fui capaz de mudar a minha mente para uma mente campeã tu, com trabalho, também consegues! Está tudo em Ti!

CARTER B REY


Fotógrafo: Tomás Monteiro

Assistente de Fotografia: Irís Liliana

Make-up: Ani Toledo

Cabelo: Rui Rocha

Styling: Carter B. Rey

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UM SONHO DE UM RECÉM-NASCIDO

Todos temos uma voz que merece ser escutada; no entanto, nem sempre encontramos a coragem necessária para nos expressar: muitas vezes somos silenciados pelo nosso medo de magoar outras pessoas pelo conteúdo da nossa mensagem. Existir significa deambular neste limbo em que se misturam as nossas vontades intrínsecas com as contradições externas.

Sempre encontrei esta dificuldade de me expressar, de me fazer compreender pelos outros. Esta foi a razão pela qual decidi criar este blogue. Sinto uma grande necessidade de me expressar e de comunicar os meus pensamentos ao mundo; escrever alivia-me a dor de pensar e permite-me ligar-me de uma forma mais compacta à realidade que me rodeia.

Acredito que todos nós viemos ao mundo com uma missão – uma mensagem que nos foi encriptada no coração. Se escutarmos a frequência da voz com que vento nos sopra ao ouvido, conseguiremos escutar o que Universo nos segreda ao Entendimento. Qual é a tua missão? Está tudo em ti!

CARTER B REY


Fotógrafo: Tomás Monteiro

Assistente de Fotografia: Irís Liliana

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Cabelo: Rui Rocha

Styling: Carter B. Rey