FADIGA MUSCULAR A 334,73 EUROS

28 Mai 2016
Pessoal
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FADIGA MUSCULAR A 334,73 EUROS

A DOR ABDOMINAL

No Sábado passado, o meu corpo começou a queixar-se: o lado direito da região abdominal começou a doer-me intensamente. Inicialmente, pensei que se tratava de fatiga. No entanto, a dor não passou: intensificou-se na mesma região. Treinei as duas vezes na Segunda-feira e na Terça-feira, como prescreveu o meu treinador, mais conhecido por Professor Jorge, mais duas vezes. Depois do treino da noite de Terça-feira, a dor agravou-se a ponto de me começar a interferir na marcha, ou seja, comecei a ter dificuldades em andar. Com este quadro clínico, não haviam dúvidas: era chegado o momento de consultar o meu médico de eleição – o Dr. Google (Viva a tecnologia!) Abri o computador e iniciei a minha pesquisa; rapidamente encontrei páginas que me falavam de doenças terminais. Com esta sentença médica, mais a minha tendência para a dramatização, estava perante o pior cenário de sempre. Os pensamentos negativos começaram a invadir a mente… Comecei a pensar em como gostaria de ser recordado (Jesus, como eu sou novo!)

AINDA MAIS DOR

Depois de uma sentença médica tão fundamentada em exames e análises médicas, na Quarta-feira de manhã fui para o treino consciente de toda a minha nova condição. Enquanto ia no táxi, comecei a olhar com nostalgia pela janela e a pensar no que iria ter mais saudades depois do adeus final (Comer frango com as mãos, dançar e rir-me com os meus amigos foram os pensamentos que saltaram de imediato!) Quando iniciei o treino a dor atacou mais uma vez, comecei a caminhar ainda mais encurvado; fui para o hospital a ouvir a minha kizomba… Em menos de duas horas tudo aconteceu: fui atendido por uma médica que usava os óculos na ponta do nariz, não me retribuiu o cumprimento quando entrei no consultório e falava com movimentos esvoaçantes; tinha tirado sangue e feito mais uma cena porque não gosto de agulhas; e, finalmente, recebi uma medicação intravenosa. Passado este tempo, em que pensei estar numa pista de fórmula 1, voltei a entrar no gabinete da médica, desta vez com a Telma, para descobrirmos uma versão doce da mesma pessoa que quase não me olhou da primeira vez que a encontrei. “Penso que já nos conhecemos da televisão”, disse a médica para a Telma (Claro que esta situação foi motivo de piadas depois de abandonarmos o consultório!) Com uma voz delicada – eu, ainda a pensar na primeira abordagem que tinha tido com a mesma senhora -, disse-me que os resultados das análises estavam normais. Voltei para casa, não treinei à noite. Mas a dor não desapareceu…

MAIS EXAMES? NÃO, OBRIGADO!

Na Quinta-feira a dor começou a alastrar-se para a região lombar, eu a pensar em todas as coisas que o Dr. Google me tinha dito! Fiz a musculação aos membros inferiores e a trabalhei a parte técnica com o meu parceiro de treino, o Nuno Albuquerque. Na Sexta-feira: mais dor e propagação; o vírus estava instalado (talvez na minha cabeça!) e tinha ambos os lados nas regiões abdominal e lombar afetados. Fui mais uma vez ao hospital, a caminhar com a cabeça quase no chão e a contorcer-me com dores. Desta vez, a termo particular, na recepção do atendimento das urgências cobraram-me 90 euros pela consulta e, num tom simpático o recepcionista disse-me: “Quaisquer exames ou tratamentos a que o senhor tenha que ser submetido, os custos adicionais ser-lhe-ão cobrados no final do processo”. Por momentos esqueci as dores, comecei a pensar que cada minuto dentro daquele espaço significaria uma diferença de euros na minha conta bancária! (Mas como abandonar o processo depois do diagnóstico do Dr. Google?)

Desta vez, fui atendido por uma médica de meia idade, com bastante energia, pragmática e com um humor refinado – a Dr. Ana Maria Saque. Entre contorções e movimentos exorcistas, foi inevitável não me rir perante a sua descontração. Só houve um problema: estava determinada em mandar-me para casa com um diagnóstico! (Afinal o do Dr. Google não era válido?) “Telma: não me estou a conseguir concentrar naquilo que a médica me está a dizer! Cada vez que a doutora me diz que tenho que fazer mais um exame, só penso nos euros a sair!”, confidenciei à minha companheira de boas e más horas. Tudo foi mais divertido na sua presença – apesar do aumento progressivo das dores. Depois das análises, uma injeção, dois choros por saber que tinha que ser picado, uma radiografia e uma ecografia, obtive o diagnóstico: fatiga muscular. Estava perplexo! O médico que me realizou a ecografia explicou-me que quando os esforços são constantes estas situações podem verificar-se (Todas aquelas horas de espera e dois treinos perdidos para saber que estava com cansaço muscular? Maior anedota de sempre!) Saí abatido, com a mente a pensar nos cifrões que ia gastar. Despedi-me da Dr. Ana Maria Saque que, com um sorriso, prometeu acompanhar a minha carreira. Quando me dirigi à recepção, tive duas quebras de tensão que justificavam um internamento: 244,73 euros! Estiquei o cartão multibanco relutantemente (Ao menos, poderia ter tido algo que justificasse este dinheiro…)

BALANÇO FINAL

Pensando em todo o contexto, o meu corpo já me tinha dado sinais de que estava a precisar de descansar aos quais não +prestei a devida atenção. Muitas vezes são estas paragens forçadas que nos fazem abrandar o ritmo e repensar as nossas ações. Tenho realmente que descansar mais: dormir talvez entre os treinos da manhã e da tarde. O ritmo alucinante não vai acabar, por isso, o melhor mesmo é criar estratégias que me permitam uma melhor recuperação. Acho que vou ter que voltar a fazer as massagens que tanto detesto. Apesar de considerar uma perca de tempo e ficar sempre bastante ansioso porque começo a pensar nas coisas que poderia fazer enquanto estou ali deitado na marquesa, a verdade é que o meu corpo está precisar desse mimo. É como dizem: O descanso também é um treino! Portanto, durante este fiim de semana são sopas e descanso! Depois de sair do hospital, fui jantar com a minha amiga Sandra Borges, também judoca no Benfica. Rimo-nos até à exaustão e ela deu-me novas ideias que poderia desenvolver aqui no blogue.

Tirarmos um tempo para descansar não é um luxo: é antes uma obrigação! Muitas vezes pensamos que somos imbatíveis até que um situação grave nos bate à porta. No meu caso foi apenas cansaço muscular (ainda me estou a rir só de pensar neste diagnóstico);mas quantas vezes não são situações mais graves? Neste fim de semana, o que aconselho é que tiremos o pé do acelerador e aproveitemos o “dolce far niente”. Vão esperar que uma “fatiga muscular” vos interrompa obrigatoriamente? Aceita o desafio e relaxa. No final do dia só duas coisas contam: saúde e as nossas relações pessoais!

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