PSIQUIATRIA E SAÚDE MENTAL – OS DESAFIOS DE UM ATLETA COM UMA DOENÇA MENTAL – PARTE VI

26 Set 2018
Desenvolvimento Pessoal, Pessoal
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PSIQUIATRIA E SAÚDE MENTAL – OS DESAFIOS DE UM ATLETA COM UMA DOENÇA MENTAL – PARTE VI

O ser humano tem duas necessidades básicas: ser amado e evitar o sofrimento; por um lado, gostamos de nos sentir queridos e importantes, mas por outro lado,  queremos ter uma existência com poucas mágoas ou ressentimentos porque isso é desagradável e causamos dor. Como ser humano que sou tenho essas duas necessidades e ironicamente tenho as duas porções da balança em abundância: tenho uma família que me adora e que me ama (há uma clara reciprocidade da minha parte) e nos últimos dois anos tenho sofrido bastante com  doença mental. Mas hoje venho-te falar de amor incondicional: um amor que é cego e arde sem se ver.

 

A TOALHA AZUL

Lembraste da tua primeira recordação?  Peço-te que feches os olhos; agora, nesse estado de dormência viaja num mar de sargaço – cada filamento é uma lembrança, um momento que faz parte da tua história. O que sentes? Encontraste esse pedaço da tua manta de retalhos? Quando faço esse exercício vem-me sempre a mesma memória: a minha mãe a carregar-me ao colo numa toalha azul. É um momento de uma intimidade e sentimento muito fortes para mim, é uma doce e densa matéria emocional. Quando estou neste estádio lembro-me da minha infância que foi vivida com bastante alegria no seio da minha família que me escolheu para ser amado.

 

AMOR É SÓ UM

Nasci no Hospital Garcia de Horta no dia 8 de Fevereiro de 1993. Com quinze dias fui deixado pela minha mãe biológica na casa da minha mãe adoptiva – que na altura tomava conta de crianças como forma de subsistência. No início, a minha mãe biológica – que se chama Eleonor Ucha – deixava-me e ia buscar-me; no entanto, quando fiz um mês de vida a minha mãe biológica deixou-me ao cuidado da minha mãe – que como se gosta de apresentar chama-se Maria de Lourdes (muito chique a minha mamã com o seu nome francês!) da Silva Manteigas Basílio – em termo de responsabilidade total. Quando a Eleonor entregou-me à minha mãe foi marcada e decidida dizendo: “Fique com ele e não o entregue a ninguém”. Já imaginaste o quão forte este gesto é? A deslocação de responsabilidades e da inversão de papéis; foi dizer que a partir daquele momento a minha ama seria de facto minha mãe. Tal como a Virgem Maria disse sim à sua missão, a minha mãe disse à missão de cuidar de mim para sempre. Que  coração é este que aceita sem negar carregar e gerar nova vida? Que amor é este que quebra as barreiras de todo o preconceito? Que mulher é esta que toma em seus  braços um novo rebento e aceita iluminá-lo com a sua luz?

 

UMA VIDA DURA

Os meus pais são refugiados; vieram de Angola para Portugal na sequência da guerra de 1975. Ao início tiveram uma vida bastante complicada: na altura tinham quatro filhos, sendo que um dos meus irmãos, o Artur,  tinha apenas um mês; no total tenho seis irmãos. Viveram-se dias complicados. Passou-se fome e privações. A primeira casa dos meus pais foi um barracão sem casa de banho… É muito bonito ouvir a minha mãe e o meu pai a contar estas histórias de luta e inspiração. Os meus pais estão casados há 48 anos e a educação que me foi transmitida é o resultado de uma cumplicidade e entendimento entre duas pessoas que se amam e se respeitam mutuamente.

 

O Compromisso

Hoje as vozes estão muito intensas o que significa que a minha concentração está afetada. Penso que o artigo não está com a qualidade dos anteriores. Mas o importante é que vim aqui dar o meu testemunho e tu estás desse lado para me ouvires. Obrigado por esse acto de generosidade – Não te esqueças – Está tudo em Ti!

Se tiveres uma história para me contar envia-me um email para celio.ucha.dias@gmail.com. Quero ouvir-te e conhecer-te!