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SABOR A PRIMAVERA

Estamos a menos de uma semana da Primavera e, por vezes, sinto o meu pensamento deslizar para as recordações de roupa leve e calor. É, sem dúvida, a minha estação do ano preferida: não gosto do calor exagerado do Verão, nem do frio do Inverno. A Primavera é a estação que equilibra na medida certa a temperatura; o céu limpo, os aromas pelo ar, fazem-me perspectivar um novo começo, um renascer. Quantas vezes não precisamos de nos reinventar para seguir em frente? Nesta época do ano tudo nos transmite vigor: as pernas despidas e os campos de flores.

Para celebrar o início de mais uma estação de esperança, hoje apresento-vos este fato da Dockers. Um fato com um corte elegante, desenhado num tecido leve e confortável – com uma excelente textura. Um fato cheio de cor que nos proporciona um aspecto renovado – um quebrar com o frio e o Inverno. Um look que pode ser utilizado para irmos a uma reunião se quisermos optar por um registo mais jovem e descontraído. Os ténis são Dkode e o relógio da Nixon. Se o calçado relaxa um fato que também pode ser utilizado num contexto mais requintado, o relógio é um detalhe que o complementa em classe. Opções que estão em harmonia com a suavidade primaveril… Porque a Primavera sente-se até na roupa!

Fato&Camisa: Dockers

Sapatos: Dkode

Relógio: Nixon


CRÉDITOS

Fotografia: Ana Rita Lima

Agradecimentos Especiais

Triângulo das Bermudas

Trend me too | Days of Light and Fights | Célio Dias | Modalisboa Kiss | Nair Xavier FW 16-17

MODALISBOA: NAIR XAVIER – KALYMNOS

PREENCHIMENTO

Ontem tive um dia ocupado e recheado de emoções fortes. Quando finalmente cheguei à cama, tudo o que pude sentir foi uma enorme satisfação e preenchimento. Depois de ultrapassada a lesão no ombro, estou finalmente a treinar e a preparar da melhor forma o meu próximo desafio: o Grand Prix da Geórgia. Paralelamente: recebi o convite por parte da designer de roupa masculina Nair Xavier para desfilar na sua coleção da ModaLisboa. O desfile foi ontem e, por isso, tive mais um dia alucinante – o que é sempre um enorme gozo!

A CEM QUILÓMETROS HORA

O primeiro compromisso do dia foi uma reunião na faculdade com os meus professores de Psicologia Cognitiva – Rita Jerónimo e Ricardo Lopes – para discutir os dados de um estudo sobre a atenção em que estou envolvido. Quando cheguei ao ginásio, tudo o que fiz foi levantar pesos e sentir o corpo a queimar de dor; mais um treino de resistência muscular na ordem de trabalhos. Cumprido o meu dever, estava na altura de pensar no desfile: tinha que voltar para o Jamor, almoçar, fazer a barba e cortar o cabelo; tomar banho, escolher a roupa e voar até à Praça do Município. Duas horas depois, cheguei ao backstage; tive ainda tempo de ir buscar o meu convite para a celebração dos 50 anos do Nuno Gama no CCB – uma exibição sensacional, com uma grande mensagem.

KALYMNOS

Depois dos ajustes finais, era chegado o momento de exibição da peças: as luzes e a música sincronizaram-se, criando uma atmosfera mística que encheu os bastidores com a atitude e energia certas. Uma coleção com cores sóbrias, muita textura e com raízes no fundo do mar. Nair Xavier, designer angolana, viajou até à ilha grega de Kalymnos para encontrar inspiração numa profissão marítima, contudo extinta, cujos praticantes mergulhavam até às profundezas dos mares para recolher esponjas; devido à descompressão, muitos destes indivíduos morreram ou ficavam paraplégicos. Assim, num exercício de afastamento das suas vivências e experiências pessoais, a designer encontrou a forma perfeita de homenagear a valentia destes homens numa linha contemporânea e elegante. Utilizou peles e tecidos sintéticos, dada a sua preocupação ambiental, para nos presentear com mais uma coleção brilhante e com a sua marca pessoal – não fosse Nair Xavier a mulher decidida que, aos 8 anos, se imaginava a desenhar roupa para homens. Influenciada pela “pop culture” e pelo mundo da moda internacional, a estilista, numa atitude irreverente, acrescentou poder e sensualidade à sua coleção ao pensar num detalhe em tecido: o berloque; apesar de ser uma peça tipicamente feminina, foi um detalhe ousado e masculino que nos deu um toque de charme e classe.

NAIR: ATÉ JÁ!

Quando pisei a passerelle, senti o calor das luzes e, ao som do “beat” de Kendrick Lamar, deslizei por todo aquele comprimento sentindo-me imponente com todo o vestuário; desejando que o seu final fosse até ao meu armário… Isso não aconteceu, infelizmente! No entanto, no final do desfile, fui contagiado por uma imensa energia e pelo sorriso extraordinário da Nair – que estava evidentemente orgulhosa do trabalho da sua equipa. Tendo sido um dos convidados especiais, o João Montez, apresentador na TVI, e eu tivemos a honra de ladear a protagonista da noite durante a sua show press. Quero agradecer à Nair pela sua acessibilidade, à sua equipa; agradecer ao Guilherme Fernandes da GAFFVisuals – estamos a preparar um projeto muito interessante – e a todas as pessoas que fizeram desta oportunidade uma realidade. Fiquem atentos porque vão ouvir falar mais vezes do nome NAIR XAVIER aqui no blogue!


CRÉDITOS

Fotos do desfile: Rui Vasco

Fotos individuais: Trend me Too

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OS BENEFÍCIOS PSICOLÓGICOS DE VIAJAR

ATÉ AO FIM DO MUNDO

Quando penso na palavra viajar, o sentimento que vem associado é, sem quaisquer dúvidas, gratidão. Tenho a oportunidade incrível de competir em diferentes locais do planeta, conhecer novas culturas e estar exposto a outras realidades e formas de pensamento. Há riquezas que não são mensuráreis: quando entramos dentro de um avião, ou até dentro de um comboio, com um novo destino em mente; com as malas às costas e um espírito aventureiro, é como se nos preparássemos para carregar ouro para dentro de nós. Viajar é isso: estarmos em contacto com os outros numa experiência que nos vai alterar, transformar e vestir-nos de ouro!

QUANDO A PSICOLOGIA TEM UMA PALAVRA A DIZER

Viajar não é um luxo: é uma necessidade humana e que possui uma base genética. Somos primatas e naturalmente curiosos: prova disso é o facto de os nossos antepassados se terem atrevido a explorar as terras e caminhos para além do continente africano. Atualmente, os cientistas chegaram à conclusão dos benefícios psicológicos de uma viagem:

  • Reduz o stress e aumenta o conhecimento: ao sairmos de uma rotina, somos inundados por um bem-estar geral; estar em contacto com outras culturas e formas de pensamento aumenta a nossa percepção e compreensão do mundo em nosso redor.
  • Fortalece o cérebro: vários estudos demonstram que os viajantes assíduos apresentam um maior número de ligações neurais devido à contínua exposição à novidade.
  • Aumenta a felicidade: viajar é acima de tudo uma experiência social; vários dados nos indicam que as experiências nos proporcionam uma satisfação mais duradoura do que a aquisição de bens materiais.

ARRUMA AS MALAS E ESVAZIA A CABEÇA

Não importa se o destino é longe ou perto, se é necessário nos deslocarmos de avião ou de carro; explorarmos aquilo que nos rodeia, aquilo que o mundo tem para nos oferecer, faz de nós seres humanos mais completos. Vivendo em Portugal: temos a sorte de nos podermos aventurar numa infinidade de localizações e paisagens diversas; existe um brutal património arquitectónico e natural a ser descoberto. Toca a fazer as malas?

Contudo, não nos podemos esquecer de um pré-requisito fundamental: evitar estereótipos e preconceitos. Ao viajar, vamos percecionar outras formas de cultura; desde a comida, ao vestuário, arquitetura e, até, formas de pensamento. É importante mantermos um espírito aberto à novidade pois só desta forma a experiência de uma viagem pode ser realmente gratificante. Acredito que apenas abraçando a diversidade de um ser humano multi-cultural é que uma felicidade global é possível. Viajar acrescenta-nos mais uma experiência, mais uma história aquilo somos; mais uma página no nosso capítulo. Que nova história queres contar? Arruma as malas, abre-te ao mundo e…Bem, boas viagens!


CRÉDITOS

Fotografia: Ana Rita Lima

AGRADECIMENTOS ESPECIAIS

Triângulo das Bermudas

 

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RAIOS DE SOL, VENTO E CHUVA

Parece que os dias de Sol vieram para ficar; no entanto, ainda não podemos andar completamente à vontade. No último fim de semana, persuadido pelo bom tempo, imprudentemente, acabei por ir até à rua com menos roupa. Depois de caminhar até ao comboio, percebi que não tinha feito a escolha mais sensata: a minha garganta começou logo a dar de seu sinal e, a verdade, é que comecei a semana engripado – o que é particularmente mau quando estou a combater, pois não consigo respirar convenientemente. Mas não há razões para tristezas: ainda hoje consegui treinar bem e, depois do treino, fui até ao café; posicionei-me na esplanada a meu belo prazer e ali fiquei, a pensar em nada, a ser afagado pelo calor dos raios de sol.

Como sugestão para dias que já parecem Primavera, mas que nos podem pregar uma partida de última hora, este Alder Jacket da Element pode ser uma boa opção: tecido impermeável, quente e confortável; podemos usá-lo unicamente com uma T-shirt básica e umas jeans. Já que o Sol está a manifestar-se no céu, porque não usarmos os nossos Ray-ban? Icónicos, cheios de personalidade, e que nos vão dar um certo ar de estrelas de Hollywood. Porque estar na moda é mais do que ter os últimos artigos: para mim, é estarmos confortáveis na nossa pele e vestirmo-nos de acordo com o nosso estado de espírito!


CRÉDITOS

Fotografia: Victor Hugo

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YES: THEY ARE DOCKERS

Depois de um treino de resistência muscular: tudo é exigência e custo! Por isso, subir até ao terceiro andar de escadas é uma tarefa extenuante; subir degraus é uma brincadeira de crianças, mas não depois de termos esforçado o nosso corpo até ao limite – ainda tenho as pernas a derreter… Mas: quando nos abrem a porta do Triângulo das Bermudas, como se fosse a da nossa própria casa, com um largo sorriso, todas as paragens ao longo das escadas são recompensadas.

A Catarina cumprimenta-me esticando-se nas pontas dos pés – as boas energias fazem dissipar o cansaço; enquanto passeamos pela sala, vejo a Diana atarefada a atender uma cliente – apesar do ritmo dos seus movimentos, existe tranquilidade no seu rosto. Passados alguns momentos, somos recebidos pelo Ivan que nos encaminha para a sala do evento. Com a simpatia que lhe é característica, deixa-nos à vontade; sinto o meu corpo relaxar ainda mais e toda a cor das roupas preenche-me a visão. A mente divaga num mundo de ideias…  A Rita está a sorrir – timidamente.

Foi desta forma que a Rita, também colaboradora no blogue, e eu fomos acolhidos no evento da Dockers: hoje foi-nos apresentada a sua coleção de calças Dockers Slimmer Fits. Contrariamente ao desconforto sentido na subida das escadas, sinto finalmente as minhas pernas serem abraças pela qualidade de umas calças desenhadas num estilo elegante e descontraído. Na minha cabeça: esqueço a dor do treino e fica o prazer de umas calças feitas à minha medida; sorriu – o café e os bolinhos também contribuem para o efeito. De manhã o meu treinador deu-me quilos de ácido lácteo, pela tarde recebo um par de calças: faz-se justiça e nós descemos as escadas com alegria.


CRÉDITOS

Fotografia: Ana Rita Lima

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CIÊNCIA: QUANDO O CONHECIMENTO MAGOA A EMOÇÃO

Ciência: lá vens tu novamente nesse cavalo, negro e branco, trazendo a vida e a morte. Será de alguma forma possível fugir à oposição destas duas forças? És feita da mesma massa desses cruzeiros que defendem a religião – lutam harmoniosamente, espalham o terror. Pudesse eu saltar o abismo do impossível, de charuto na boca, algemas na mão… Prender-te-ia! Uma dor te desejaria infligir: intelectual em toda a sua experiência – pois é isso que tu me fazes. Criminosa. Qual é a diferença entre ti e os rapazes do meu bairro que, parecendo plantas, esperavam o iminente advento? Diz-me o que vos distingue. Ou menos, eles vendiam um pó – uma chave – que me poderia libertar de todos os teus pesados grilhões. Pudesse eu experienciar esses estados mentais…

És criminosa porque envenenas toda a magia do amor – assassinas o encanto de um reino de conto de fadas: as emoções. Matas a alegria do meu entendimento. E se tudo se limitar a hormonas e reações? Quero anular-te! Pudesse o Homem curar sem entender o interior da sua varinha de condão… Contudo, existe sempre um “como” e um “porquê” que, como cobradores de impostos, exigem satisfações; odeio a vossa inevitabilidade genética! Ciência: és um buraco negro; sinto-me inadvertidamente atraído por ti! Amo-te com toda a profundeza do meu cérebro; sim, do cérebro – não do coração. Não me ensinaste que o amor não passa de dopaminas e ilusão? Agora: não te sintas indignada ou magoada por não te dizer que te amo do fundo do meu coração. Alberto, onde estás tu? Como conseguias satisfazer-te apenas com a não compreensão da beleza dos campos de flores? Ensina-me a tua arte.

Estou cansado… Vou dançar. Sabes porquê? Porque nos movimentos frenéticos – africanos – perco-me num estado de alienação. É a versão mais próxima do meu eu da ceifeira de Pessoa. Poeta, entendo-te. Que descanses! Ou menos tu podes experimentar, agora, um completo estado de ausência racional…

O suor escorre-me pela testa – fresco. Sinto-me feliz porque te arrumei numa gaveta mental: “Informação impiedosa – Cuidado!”

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112 ANOS: GALA DE ENTREGA DOS GALARDÕES COSME DAMIÃO

Nesta fota, da esquerda para a direita: Teresa Portela, Diogo Antunes, Teresa Vaz Carvalho, Marisa Vaz Carvalho, Dulce Félix, Ricardo Ribas, João Ribeiro e Ana Oliveira.

 

Ontem tive o prazer de marcar presença na Gala de Entrega dos Galardões Cosme Damião. Foi uma noite entusiasmante e cheia de energia – exuberante na sua celebração. O Sport Lisboa e Benfica comemorou o seu 112º Aniversário: 112 anos de História, 112 anos de sonhos, 112 anos de muitos, muitos títulos… 112 anos de paixão! Quero agradecer a este grande clube por me possibilitar fazer parte da mística benfiquista nestes últimos três anos da minha carreira. Quero agradecer ao Projecto Olímpico do Sport Lisboa e Benfica e a toda a estrutura humana da instituição por todos os dias trabalharem para o benefício e em prol dos atletas de todas as modalidades. Sem quaisquer dúvidas: aqui tenho a estrutura basilar que me impulsiona para os meus sonhos e fazem das medalhas uma realidade… Um profundo: obrigado. Quero agradecer ainda: a todos os grandes nomes do passado do clube, no entanto sempre presentes, por me ensinarem o que é viver o Benfica e a sua mística; alguns deles tive eu a honra de ouvir as suas palavras em primeira mão ao longo da noite de ontem. Obrigado por me inflamarem de orgulho e por serem um acrescento à minha motivação. (Grandes discursos!)

Quero também agradecer aos designers e às equipas que permitiram que me apresentasse nesta gala de uma forma brilhante – pelo menos o meu fato não me deixa mentir! Um agradecimento especial ao Nuno Gama, à Maria João Bahia, à equipa do Triângulo das Bermudas e à equipa do Trend me Too. Obrigado por terem tornado a minha noite mais cintilante… E é como diz o lema do meu clube: juntos somos, sempre, mais fortes! Esta foi a mensagem mais sonante da noite; só na união é que vencemos, só em equipa é que faz sentido um espírito de partilha. Com efeito, obrigado a todas as pessoas que uniram o seu talento e trabalho em mim – que mais não tive senão honra em usar estes artigos tão especiais.

 

 

 

Fato: Nuno Gama | Sapatos: Exceed Shoe Thinkers | Joías: Maria João Bahia | Relógio: Nixon

Agradecimentos especiais: Triângulo das Bermudas & Trend me Too


CRÉDITOS:

Fotografia da Gala: Miguel Nunes / ASF

Fotografias do Outfit: Trend me Too

Trend me too | Days of Light and Fights | Editorial de Apresentação

THE DANCING LOOK

Não há nada melhor do que ritmos africanos para aquecer o nosso corpo! Estou a viver uma época bastante feliz agora que a kizomba e o kuduro são celebrados por toda a parte em Portugal. Inicialmente: devo confessar que foi um pouco estranho para mim ligar a radio e ouvir músicas de artistas como o Nelson Freitas, Badoxa e C4 Pedro. Durante breves momentos, ficava com uma sensação de incredibilidade; agora, quando isto acontece, aumento o volume o mais alto que posso e começo a cantar e a dançar. Eu não me consigo descrever sem a dança ou a música. Até quando estou a competir eu danço! Danço no metro, no barco, na rua… Basicamente em todo o lado desde que esteja bem-disposto. Normalmente, durante as minhas reuniões familiares costumamos dançar e divertimo-nos bastante ao som de África. Quando eu era mais novo, as minhas irmãs mais velhas ensinaram-me alguns passos e movimentos. Nunca tive aulas de dança – gostaria muito – mas passo muitas horas à frente do computador a ver os vídeo clips dos meus artistas preferidos. Por isso, quando pensei no blogue tive uma ideia: misturar África, a dança e a moda. Depois de algumas horas de treino, aqui está o primeiro desses vídeos. Neste em particular, estou a usar alguns conjuntos que podem ser escolhidos durante esta temporada de Inverno. Um agradecimento especial à equipa do Triângulo das Bermudas por serem sempre tão profissionais e simpáticos comigo – o que é um privilégio tendo em conta que estamos a falar de moda! Espero que gostem e que deixem este ritmo africano aquecer o vosso dia.

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A PREPARAÇÃO OLÍMPICA E A ANALOGIA DO ICEBERG

Há cerca de três semanas magoei-me no ombro durante o treino: estava a meio de um combate eletrizante, fisicamente exigente, em estado de comprenetação; de repente, num movimento expolsivo, caí com o cotovelo esquerdo no chão. Dores implacáveis e fogo no ombro! Depois de uma ressonância magnética, compreendi a extensão da lesão: os músculos estabilizadores do ombro foram danificados, uma lesão de gravidade média. No entanto, grave o suficiente para me afastar tanto de Paris como de Dusserdorf – cidades onde teria compromissos importantes para a preparação olímpica. Depois de alguns dias de zanga e raiva, foi chegada a hora de colocar em perpectiva: avaliar o momento e retirar as lições necessárias para continuar; no fundo, perdoar a lesão e seguir em frente. Nem todas as pessoas reagem da mesma forma à adversidade: umas demoram mais tempo a absorver e perdoar o momento, outras menos… Geralmente, tenho a capacidade de conseguir resolver rapidamente os nós que se dão na minha cabeça.

Depois de fazer as pazes com o momento da lesão, consegui ver o meu “iceberg”. Inevitavelmente, na estrutura emergente da água está o sucesso visível ao extretior: as vitórias celebradas, os punhos cerrados, os gritos de euforia e as medalhas. Por outro lado, a sustentar toda essa massa de gelo, debaixo de água, estão os momentos e emoções que só eu posso saborear: lágrimas, suor, frustração, sensação de vitória, derrrota, desespero, horas de trabalho… É esta alternância de bons e maus momentos que pole o brilho das medalhas no pico de iceberg. (Que belos são os punhos cerrados, as palavras soltas pelo ar: COME ON!)

Gosto de me sentir desafiado e cheio de adrenalina. É isso que me apaixona na alta competição… O drama, a dor, o desafio constante! Os combates que mais gosto são aqueles em que estou a perder e depois consigo ganhar ou aqueles que só consigo ganhar na raça. (Sinto arrepios no corpo só de escrever estas palavras!) Esta é a beleza do meu iceberg e de uns tantos outros espalhados num mar de sonhos, envolvidos por um líquido de concretizações e dopamina… Nunca vamos poder controlar os eventos que nos acontecem, mas podemos controlar a forma como reagimos a eles; só assim é possível guardarmos todas as pedras do nosso caminho e construirmos um castelo consistente.


CRÉDITOS

Imagem da Competição – JudoInside

Iceberg – Diffen

Warm

KEEP IT WARM

Parece que o nosso país foi abençoado por um Inverno com Sol – ameno. (Já dizia o poeta que somos o povo eleito!) Lembro-me de um Campeonato da Europa de Sub-23 na Sibéria onde estavam uns agradáveis -25o C. Era simplesmente impossível andar na rua sem se sentir o corpo a congelar! Felizmente, o nosso Inverno não é tão rigoso. Apesar de os últimos dias chuvosos, não nos podemos queixar de um frio extremo ou de catástrofes naturais. Sendo nós o povo das lamúrias, parece-me bem não termos mais uma situação de que nos lamentar.

Um clima assim permite-nos sair à rua sem um exagero de roupa. Por isso, quando o tempo está convidativo, gosto de optar pelas camisolas de malha. São elegantes, confortáveis e mantém-nos quentes. Esta camisola de malha da Levi’s gosto bastante porque posso usá-la em várias ocasiões, enquandrando-me sempre dentro do meu estilo: clássico desportivo. Apesar deste exemplar já ser da coleção passada, deixo-o aqui algumas opções para os fãs – como eu – das malhas.Se no Inverno gostam de se sentir agasalhados mas não usar um excesso de roupa, têm aqui algumas possibilidades simpáticas.


ONDE ENCONTRAR

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CRÉDITOS

Fotógrafo: Luís Sustelo

Assistente de fotografia: Rita Lima

Make-up: Ani Toledo

Célio Dias

ESFERAS EM ACÇÃO

“Dedicarmo-nos a diferentes actividades ajuda-nos a um melhor equílibro emocional.”

SEM LIMITES
O judo ofereceu-me uma possibilidade de descoberta de mim mesmo. Em japonês, a palavra judo signfica “o caminho da suavidade”. O judo tem um enorme impacto na minha vida precisamente por esta razão: proporcionou-me um caminho. (Quanto à suavidade: posso dizer que não a assimilei da mesma forma; um pouco por falta de jeito, não consigo encontrar o tempo de entrada em diversas técnicas!) Apesar de todo este grande significado, não me consigo dedicar inteiramente a ser judoca – escrever aqui no blogue é apenas uma das muitas actividades a que me dedico. Mas será que, ao dedicar-me a outras actividades, poderei dispersar a minha concentração para as competições?

Quando era mais novo, com alguma arrogância talvez, disse várias vezes à minha mãe: “Eu não nasci para viver no bairro!”. Dizia-o, não porque não gostasse de lá viver ou tivesse vergonha, simplesmente acreditava num projeto maior. A minha mãe sempre entendeu isso, por isso, acabou por me incentivar ferverosamente em todas as actividades a que me dediquei. (Isso aconteceu até mesmo no futebol, onde tenho dois pés esquerdos muito talentosos!). Foi o judo que me catapultou para essa outra realidade; transformou-me profundamente: tornei-me numa pessoa mais comunicativa e menos agressiva. Antes de ser judoca era normal a minha mãe ser várias vezes comunicada por causa da minha agressividade; lembro-me de uma vez no 5º Ano em que dei um valente soco num colega meu por causa de um desentendimento banal e fui chamado ao Concelho Directivo da escola – as boas notas foi o que evitaram a minha expulsão. Eventos como este eram uma regularidade; mas depois de me tornado judoca e ter aprendido o valor do auto-controlo, nunca mais me envolvi em conflitos físicos na minha vida!

RESILIÊNCIA – UMA NOVA PERSPECTIVA
O judo deu-me a possibilidade única de conhecer o mundo e entrar em contacto com culturas fascinantes. Se assim o é, porque sinto uma necessidade de me realizar noutras áreas? Em 2013, apercebi-me que pensar apenas nas competições não era algo positivo para mim. Depois de me lesionar no ombro durante o Campeonato Europeu de Juniores, fiquei dez meses afastado dos eventos competitivos. Nessa altura, tinha decidido que apenas faria duas actividades: treinar e competir. (Estão mesmo a imaginar o que aconteceu, não?) De repente, tudo parecia não fazer sentido. Eu como uma bússula sem norte. Todas as peças da minha vida perderam compatibilidade! Um (bom) desastre…

Com este acontecimento compreendi a necessidade de não nos focarmos exclusivamente numa actividade. A resiliência – capacidade de enfrentar positivamente situações adversas – relaciona-se diretamente com este facto. Os psicólogos dizem-nos que as pessoas mais resilientes são aquelas que se dedicam a diversas actividades. Porquê? Porque isso lhes permite uma melhor gestão das frustações; se, por exemplo, a última entrevista de trabalho não nos correu bem, podemos sempre equilibrar-nos e mantermo-nos positivos porque o nosso projecto pessoal está num bom caminho! Por isso, deixo o conselho: não temam arriscar noutras áreas com medo de se perderem pois poderá estar aí uma importante fonte de equilibrio emocional.

Pintura

PINTURA

“Na incoerência das nossas personalidades encontramos a beleza da natureza humana.”

O SONHO
Nem posso acreditar: o blogue está no ar! Quando começo a pensar no assunto, parece que ainda estou com aquela sonolência matinal em que, por brevíssimos instantes, não sabemos distinguir a realidade da alienação. Depois, passo com os dedos pelos olhos para aguçar a atenção; estou acordado, o blogue é real e esta é a segunda publicação. (Que satisfação!) No primeiro artigo, expliquei como surgiu a ideia do blogue e o processo até à sua concretização. Gostaram da história? (Sinceramente: espero que sim e que tenham sentido o quão intenso e significativo poderá ser este projeto). Partilhei nesse texto que queria aproximar-me um pouco mais de vocês; nada melhor, então, que começar por apresentar-me e responder aqui a uma pergunta que nas últimas entrevistas tem sido realçada: Quem é o Célio?

QUEM SOU EU?
Não sei responder a esta pergunta . É como me perguntarem acerca da quantidade de grãos de um monte de areia. (Apenas sei que serão uns milhões!) Falando em contas, confesso que a Matemática nunca foi um talento. Nem o entusiasmo da minha professora Dulce Morais, com aqueles enormes olhos cintilantes, me contaginou. Quem me dera que tal tivesse acontecido: ser contaminado por todo aquele amor abstrato, numérico. Mas não aconteceu; estudar funções sempre foi um processo sofrido. Mas não me quero definir por aquilo que não sou; é algo fácil e, ao mesmo tempo, perigoso porque nos afasta do desafio maior: o de nos compreendermos e pensarmos sobre nós. Tenho qualidades e defeitos. Não sei em que medida os equilibro… Posso afirmar, sem me comprometer, que sou atraído pela racionalização e emoção. Duas variáveis de um casamento que nem sempre é feliz; por isso, sou contraditório. Essa contradição reflete-se desde a maneira como me visto, à maneira como falo, à musica que oiço… Num dia, opto por um outfit mais elegante, para no seguinte redescobrir o rebelde inconsequente de lenço na cabeça. Numa dada altura sou expansivo… Passados uns momentos, sou absorvido apaixonadamente por uma espiral introspectiva: torno-me menos acessível. Muitas vezes pareço que vivo numa revolta, zangado, quando afinal estou a tentar compreender a minha própria ambiguidade. Sinto-me muitas vezes incompreendido; sou inconsistente, mas também não sei ser de outra forma. Os meus amigos aceitam-me e não me questionam; a minha personalidade múltipla faz com que se riam de mim. (Gosto quando esses momentos acontecem porque sinto que realmente existe uma grande cumplicidade!)

A BELEZA DO DESCONHECIDO
Acredito que todos nós somos aquele céu de final de tarde em que os últimos raios de Sol e a penumbra se combinam num misticismo. A partir de certo ponto tornamo-nos incompreensíveis. (E ainda bem que a nossa essência não se rege segundo leis naturais, nem se deixa descodificar por fórmulas matemáticas!) É aí que está a beleza, o encanto da Psicologia: as nossas experiências pessoais e instransmissíveis moldam-nos e transforman-nos. Somos o produto de tudo o que vivemos desde o início – o momento em que demos o primeiro choro. Somos arte inacabada: ao ritmo dos ponteiros do relógio, a cada segundo, é acrescentada uma pincelada fresca num quadro único – de tons diversos: quentes e frios, alegres e tristes. (Será que na vida tudo tem esta dinâmica?) Eu tenho (e amo) o meu quadro; vocês tem o vosso quadro. (Amam-no?) As nossas personalidades múltiplas resultam de todos os contextos que frequentamos. (Pensem em todos os ambientes que frequentam: da vossa casa ao local de trabalho… Comportam-se de igual forma?) Quando olham para o vosso quadro o que veêm nele? Gostam da textura? Da alternância entre bons e maus momentos? Independentemente da resposta, gostava que pensassem no seguinte: todos nós somos perfeitos na nossa imperfeição – humanamente belos. A nossa beleza passa pelo carácter plural das nossas personalidades. Eu consigo ver a beleza da minha incoerência. E vocês? Conseguem ver a vossa?

Days of Light and Fights

DAYS OF LIGHT AND FIGHTS

O INÍCIO
Há cerca de três anos o Days of Light and Fights tinha formas pouco concretas na minha cabeça. Inicialmente, desejei criar um blogue para gerar oportunidades de trabalho enquanto modelo. No entanto, percebi que, ao falar apenas sobre roupas, sapatos e botões, não me iria satisfazer totalmente. Por isso, desacelerei o passo porque queria projectar algo mais do que a minha imagem, alguém mais profundo. Na exploração dos trilhos da criatividade, troquei ideias com o Bruno Reis. Foi o primeiro a quem confidenciei este desejo. Apoiou-me e sugeriu-lhe um nome: Days of Light and Fights. Foi um momento eletrizante! Não apenas pela conviniência da designação mas, sobretudo, porque a referência soou-me auspiciosa. Todos nós estamos envolvidos nas nossas lutas pessoais – “fights”. Porteriormente, algumas dessas aspirações se convertem em luz – “light” – que resulta do nosso esforço e dedicação. Days of Light and Fights. As palavras quando profetizadas pelo seu ancião, o Bruno, ecoaram como notas musicais. O nome do projeto clarifica uma das minhas mais precoces lições: o sucesso vem inexoravelmente associado a horas de trabalho e frustração. Obrigado Bruno, querido amigo, pelo teu companheirismo.

Days of Light and Fights

O DESENVOLVIMENTO
À medida que o nevoeiro se foi dissipando, as linhas distorcidas do Days of Light and Fights ganharam clarividência. Assim, neste blogue pretendo partilhar as lições da minha carreira desportiva – de vida – com a esperança de poder transmitir a mensagem que a minha mãe me segredou tantas vezes, com a mesma cadência com que o dia sucede à noite: “Tu podes ser aquilo que tu quiseres!” Uma quase lei universal, simples, mas que quando assimilada permite descobrirmos todo o potencial humano que encerramos. Obrigado à Carla Rocha por ter refinado o teor do meu discurso e por me ter ensinado, através do seu exemplo, que a vulnerabilidade é uma demostração de força interior. Por outro lado, também quero partilhar aqui o meu universo de prefências. Sinto cada vez mais a necessidade de partilhar algo mais do que a minha experiência enquanto judoca, talvez numa tentativa de combater o estigma de que todos os atletas apenas se dedicam ao culto do corpo – quando na realidade também nos dedicamos ao desenvolvimento do nosso intelecto. Este blogue é uma ferramenta de expresssão – mental e corporal – com a qual me desejo aproximar de todos aqueles que me acompanham – vocês. Obrigado ao Luís Sustelo, ao Rui Rocha e à Rita Lima por me terem feito reflectir em toda a minha incoerência. Porque é isso que sou: contraditório. Penso que todos o somos, na verdade, porque coerência é sinónimo de perfeição. Há alguém perfeito por aí?

AGRADECIMENTOS
Quero agradecer ao Fábio Caetano, à Marta F. Cardoso e ao Rafic Daud. Obrigado pelo carinho, aconselhamento e, sobretudo, pela crença neste meu projecto e nos valores que nele defendo. Obrigado às minhas amigas Ana Monteiro, Sílvia Saiote e Telma Monteiro por todos os dias me inspiraram e me ajudaram a ser, dia após dia, uma atualização da minha anterior versão. Obrigado a todas as pessoas que me foram incentivando ao longo deste processo. Obrigado às pessoas que me acompanham na minha página de Facebook porque através do seu cuidado, quase parental, me ajudam a traçar o caminho deste desafio. Essencialmente, obrigado aos meus amigos, à minha família, em especial à minha querida mãe – Maria de Lourdes. (Este blogue é uma pequena homenagem à Grande Mulher que você é!) Obrigado ao Sr. Eusébio da Silva Ferreira pela sua substância, pelo exemplo, pelo amor àquela que foi a sua camisola, agora também minha: Sport Lisboa e Benfica. Obrigado a todos os que para mim são modelos de valores e me inspiram das mais diversas formas. Irremediavelmente, agradecido.

CRÉDITOS

Fotografia: Luís Sustelo

Assistente de Fotografia: Rita Lima

Make-Up: Ani Toledo (Da Vinci Pincéis)

Atleta/Modelo: Célio Dias