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SUCESSO – UMA VERSÃO ROMÂNTICA

Todos queremos ser eficazes nas nossas relações, no nosso trabalho, na vida em geral. A eficácia traduz-se no sucesso que desejamos alcançar para constituir o fundamento para a nossa existência. O sucesso não é mais do que um caminho e descoberta pessoais no qual o indivíduo contata com o seu mundo interno e, através do auto-conhecimento, melhora as suas relações inter-pessoais. Ser-se bem-sucedido não é mais do que se moldar um bloco de ferro. No início, tudo é uma massa compacta, fria, imóvel; depois, à medida que o percurso é feito, a natureza desta matéria altera-se: a sua frieza ascende à temperatura incandescente, que se molda, que se adapta e que é permeável ao obstáculo. O bloco de ferro altera-se: agora, é resiliente. De facto, Deus atribui-nos um bloco de ferro aquando da nossa Criação. Nesse momento, confia-nos um composto material, cabendo-nos a nós, enquanto ferreiros, trabalhar a sua fundição até ao ponto em que somos capazes de nos deslocar sobre as águas e abrir caminho na torrente caminhada da existência. Existir é fundir o ferro primordial no sentido de o trabalhar para ser mais capacitado e maleável às latitudes da Vida.

No entanto, na Sociedade ergue uma versão fantasiada de sucesso; incutem-nos que o sucesso aparece na medida da nossa capacidade de trabalho. Quanto mais esforço for capaz um indivíduo de imprimir no seu desempenho, maior será a sua recompensa final! Esta é uma versão romancista do sucesso; é um conto de fadas que nos é soprado ao ouvido e que poderá não ter implicações reais. De facto, perante as amplitudes e exigências do quotidiano, esta versão de sucesso parece incompatível a realidade. O esforço nem sempre é a medida de todas as recompensas. Aqui, entramos numa dinâmica em que a capacidade de aceitação é determinante para que sejamos capazes de trabalhar com eficácia as problemáticas que nos são apresentadas.

“Não existe caminho para o sucesso. O sucesso é o caminho.”

Na preparação para os Jogos Olímpicos 2016 não poderia estar mais comprometido com a minha missão. Com efeito, controlei (pensava eu!) todos os fatores que, no dia da minha competição, tivessem um impacto direto na minha performance. Trabalhei arduamente; o suor foi a testemunha visível de uma crença que me era tangível aos sentidos. Apliquei-me com afinco repicado – redobrado, atento. Acumulei horas de trabalho que se agarraram ao corpo definindo a sua musculatura… Estava numa forma bestial. Sentia-me o cavalo negro que percorre com exuberância o horizonte do deserto escaldante, exibindo cada traço do seu perfil magnânimo. Apesar de todo este contexto superlativo, quase místico – como o senti – o meu esforço, o trabalho de uma vida, foi fragmentado pela imponência de um ippon agreste: o atleta africano desfraldou as minhas expectativas, foi o fim da linha!

No momento da derrota, não tive a capacidade de aceitar a realidade que duramente se impunha: tudo era de uma altura intransponível à minha capacidade de compreensão. Fui engolido por um vórtice cuja capacidade de sucção me atirou para fora da realidade, num momento, para no seguinte, me deitar no ócio de um tédio existencial, um mar de sargaço que me comeu – das extremidades até às vísceras – ao ponto de não mais desejar a Vida. Foi um período conturbado. Foi difícil aceitar que o meu esforço se enamorou por uma crença que não foi cumprida. Esta é a dura realidade: ninguém merece nada! Deixemo-nos de falsas ilusões e expetativas. Não existe o caminho para o sucesso, o sucesso é o caminho. Está tudo em ti.

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ATITUDE

Cada um fala a língua em que está mergulhado o seu coração, expressando-se segundo a medida dos seus sonhos.  Assim, cada indivíduo participa e interage com a realidade que lhe é chegada aos seus sentidos – em tudo falíveis! – de acordo com a latitude da sua ânsia de se aventurar ao desconhecido. Por isso, temos que desenvolver uma bússola interna para minimizar a influência das outras pessoas sobre nós mesmos já que existe a possibilidade de haver uma discordância de vozes, um desacerto no compasso de dois pares de sapatos que não acertam o seu ritmo.

Com efeito, é urgente que desenvolvamos uma confiança verdadeira (de fundo!) nas nossas próprias ações; isso apenas é possível se nos permitirmos mexer no lodo da consciência profunda: princípio e fim, perfeição e imperfeição, treva e dia – de todas as coisas. Temos que estar dispostos a enfrentar as faces menos esculpidas – e, por esse motivo, mais desconcertantes – de nós próprios; é um trabalho que exige uma permanente sinceridade e busca pela Verdade.

“A CONFIANÇA NÃO É UMA DÁDIVA.”

Ser-se confiante é um desafio: a pessoa confiante expôs-se à chuva dos dias menores e ao calor das noites piores; atravessou os caminhos tenebrosos do entendimento humano, dedilhou a incerteza e caminhou sobre a areia escaldante da loucura – neste local encontra repouso para a alma pois descobre que tudo não passa de uma falsa ilusão.

A confiança não é uma dádiva: é um caminho que está aberto aos curiosos; é um percurso tumultuoso – dificultoso –, por vezes, delirante. A confiança é alvo de críticas. No entanto, quando estás verdadeiramente robustecido, sentes-te capaz de carregar o mundo inteiro às costas. Não tenhas medo: Dá-me a mão! Está tudo em ti.

CARTER B. REY

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SENTIMENTO

O Homem não existe sem estar associado a um contexto; de facto, estes dois paradigmas são duas faces de uma moeda unitária. Deste modo, assumimos uma variedade de personalidades em concordância com a variação de ambientes que frequentamos. Não nos comportamos da mesma forma na escola, numa festa, ou até mesmo na igreja. Perante esta multiplicidade de carateres é nos apresentado um desafio: a compreensão do semelhante.

Todos nós vivemos num universo particular – único – que tende a isolar-se e a não comunicar com os universos que lhe são adjacentes. Por falta de uma escuta ativa (processo que encerra a salvação da Humanidade!), somos convidados, num diálogo intra-pessoal, a fechar as portas à perceção daquilo que nos rodeia. Este comportamento é extremamente protetivo; ajuda-nos a manter uma individualidade espessa e condensada que se quer manter alheia à exposição…

…Sentimentos misturados. Emoções misturadas. Tudo está conjugado num tecido que nos cobre uma pele sensível – uma capa –, translúcida, que nos direciona para a nossa essência.

“SENTIMENTOS MISTURADOS. EMOÇÕES MISTURADOS.”

Comunicar é um processo intenso, dinâmico e que exige a saída desta redoma que nos congrega para o egoísmo. Comunicar é estarmos disponíveis para aceitarmos o outro em nós; é um processo de consciencialização que nos permite ir além de nós mesmos – comunicarmos com o outro é uma metáfora transformante que nos eleva à comunhão do universal do ser humano.

Pese embora exista a evidente dificuldade de acesso, tem que existir um esforço para uma partilha. Informarmos o mundo acerca daquilo que nos vai dentro ajuda-nos a construir pontes de vulnerabilidade que possibilitam o Amor – linguagem universal do Cosmos. Liberta-te! Deita por terra as máscaras que apenas criam divisão. Tu és (simultaneamente!) Problema e Solução. Está tudo em ti.

CARTER B. REY

 

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O TEMPO EMOCIONAL

Nos tempos que correm é difícil descontrair: somos comprimidos por um tempo que impõe a sua efemeridade e nos castiga à sua passagem. Num universo global e criativo, parece ser uma missão impossível dar espaço às nossas emoções para que vivam e prosperem; negligenciamos o nosso tempo psicológico. Esta atitude assume um risco; abraça o desespero de um comportamento que se compraz na falta de entendimento e espaço à liberdade. Os cenários stressores em que nos vemos envolvidos são uma ameaça ao júbilo de uma vida que se permite ser integrante e rejuvenescida. O tempo da emoção é um fundamento a uma existência equilibrada e firme.

Vivemos numa atitude que anula partes essenciais do “eu”. Não somos proprietários de uma casa que é nossa; somos remetidos para a posição do cão de loiça que guarda um espaço que não conhece. Não nos cumprimos. Quando não autorizamos que as nossas emoções se aflorem no nosso tempo consciente, evocamos uma força oculta que nos irá esmagar com zelo e potência.

“RELAXA E APROVEITA O TEU TEMPO.”

O surto psicótico que tive no passado mês de Setembro encontra a sua pedra angular nesta realidade. Durante a minha adolescência e vida pré-adulta, estimulei-me no sentido de reprimir versões do meu “eu” estruturantes para a minha identidade. Com efeito, uma lava subiu ao longo de um canal energético e fez com que eu criasse uma realidade paralela em que me afastei do contexto social que me circundava.

Neste sentido, é urgente abrandarmos o ritmo de vida e encontrarmos tempo para viver o tempo emocional. Relaxa e aproveita o teu tempo! Acredita que é possível libertarmo-nos das correntes que nos oprimem e não nos possibilitam sermos nós mesmos; é possível vivermos de forma equilibrada com as nossas emoções – incrementos que glorificam esta experiência (a vida!).

“Deus quer, o Homem sonha e a Obra nasce.” O que esperas para viver uma vida feliz e plena?

CARTER B. REY

Carter B. Rey

GRANDEZA

Todos temos sonhos e aspirações; temos vontades e desejos ansiosos por se realizar. Somos iguais porque almejamos os mesmos objetivos. Temos uma ânsia que não se cala, uma voz que queima na garganta: temos sede de sucesso. E em que queremos ser bem-sucedidos? O ser humano quer ser bem-sucedido no Amor; queremos amar mais e melhor, queremos viver apaixonados pela vida. Quando falta o Amor, somos o pescador – cuja embarcação rasga a torrente da madrugada – que desesperadamente procura orientação perante a escuridão que se impõe. Quando o Amor é negligenciado comparece o Crime, quando o Amor não se faz presente, emerge a Violência; quando o Amor é ausente, irrompe o Pecado. Quando o Amor não se materializa, incrementa-se a Morte.

Eu sei o que é viver sem Amor. Quando no meu Entendimento se deixou de alimentar do Amor que dá Vida, tentei matar-me. Duas vezes. Desejei a Morte tanto quanto os meus pulmões anseiam por uma corrente de ar fresco. Tudo aconteceu durante os onze meses que estive deprimido – período em que senti um enorme desprezo pela dádiva e dom maiores de Deus: o Verbo que se faz presente na carne e que dá Fecundidade às partículas atómicas; esta natureza maior cuja profundidade, altura e comprimento habitam o Mistério que se faz presente pelo Espírito Santo. Tentei matar-me porque no meu coração não estava presente esta grandeza de Amor Maior.

“DEIXA A TUA AMBIÇÃO DE GRANDEZA SER O MAR DO TEU ESPÍRITO E O CÉU DA TUA ALMA – TUDO EM AZUL.”

O sucesso é o Amor. Sonhar é amar uma vida que se apropria e se compraz na novidade. Ser vencedor é amar! Cada vez que beijamos a face de alguém, é a nós mesmos que nos beijamos; quando sentimos um abraço apertado, o Universo exprime-se em nós através da energia – consequentemente, o nosso cérebro é inundado por dopamina que nos enamora as redes neurais. Ser-se grande é deixar que a vontade de Deus se cumpra em nós.

Deixa a tua ambição de Grandeza ser o mar do teu espírito e o céu da tua alma – tudo em azul. “Tal como as casas têm fachadas [nós temos] este modo de ser”. Todos nascemos para sermos Campeões do Amor. O Amor é a medida de todas as coisas. Aceitas o desafio?

CARTER B. REY

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SOU LOUCO E GOSTO

“Tu és estranho.”

Esta é a afirmação que é quase um segundo nome para um homem que sempre sentiu o mundo de forma exacerbada, apaixonada – eu. Desde cedo na minha vida que tenho dificuldade em fazer-me entender pelos outros, por isso, sempre fui tido como diferente: estranho. Esta forma como fui categorizado distanciou-me da realidade porque esta proporcionava-me um sofrimento extremo pela inexistência de compreensão. Esta atitude fez com que me segmentasse, com que ocultasse partes de mim que de forma alguma queria ver desnudadas.

Tudo o Universo é ação e reação; perante a negligência do meu eu o meu subconsciente enleou-me num mar de sargaço, fiquei preso em mim mesmo. Por mendigar o brilho no olhar dos outros, agredi-me violentamente; tinha vergonha da capacidade mais maravilhosa e extraordinária que Deus me entregou e confiou como talento: pensar. Sempre tive pudor de me afirmar socialmente como um ser que tem uma forte tendência para a racionalização porque a inteligência também pode ser uma agressora para os espíritos agrilhoados à realidade sensitiva.

“SER LOUCO É UM CAMINHO DE LIBERDADE: LIBERTA-TE!”

Mas agora tudo é diferente. Depois da depressão, depois de duas tentativas de suicídio, depois de dois surtos psicóticos (tendo sido o primeiro depois dos Jogos Olímpicos e o segundo acerca de dois meses); depois de tudo isto, do sofrimento, ficou uma tremenda capacidade de aceitação da pessoa que eu sou. Aceito a minha doença mental. Aceito a minha loucura!

Ser louco é um caminho de liberdade: liberta-te! Liberta-te dos estereótipos que apenas condenam; liberta-te das falsas verdade. Ser estranho é um privilégio de quem tem a coragem de observar o mundo por uma ótica alternativa. Ser estranho é um privilégio de alguém que ousa pensar e, por isso, é criticado gratuitamente.

CARTER B. REY

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DEIXA-ME CHORAR

Vivemos numa Era Digital e Estética onde não existe espaço para o insucesso. As emoções negativas associadas a este processo são negligenciadas e, quando assumimos esta atitude, existe um falso contentamento e elegemos máscaras que nos escondem – muitas vezes – de nós mesmos.

A beleza e a perfeição são as palavras que cadenciam o quotidiano. Quem “no seu perfeito juízo” vai colocar uma foto no Facebook ou Instagram em que não se sinta um máximo? (Em última análise e, tendo em conta que as generalizações são sempre injustas, ninguém!) É com este mindset que parece que estamos a abordar todas áreas da nossa vida – incluindo o nosso universo emocional –, esquecendo-nos do valor dos dias cinzentos.

As verdadeiras transformações ocorrem quando os nossos planos e expetativas são desfraldados; revelamo-nos quando a angústia nos invade e a ira nos consome, deixando-nos feridos, no chão. Este tipo de emoções evoluiu connosco de modo a proporcionar-nos vantagens adaptativas: a tristeza guia-nos por reflexões que podem conduzir à mudança; a raiva, quando bem direcionada, aumenta o foco e determinação numa dada tarefa.

Devemo-nos permitir estar mais vezes tristes, chorar mais; devemos deixar-nos incomodar pela chuva e tempestades que nos abalam o âmago. Não ter vergonha dos nossos sentimentos. Apenas há que aprender a lidar com eles para que um equilíbrio emocional seja possível.

 

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AS PEDRAS DO MEU CAMINHO – COMO GERIR UM DESAIRE?

Pedras no caminho?

Guardo todas, um dia vou construir um castelo…

Fernando Pessoa

No Judo a primeira lição que aprendemos é a cair. Nas primeiras aulas, antes de aprender os gestos técnicos mais complexos, aos praticantes iniciados são-lhes ensinados os movimentos que permitem proteger o seu corpo no momento em que este entra em contato com o tapete. Esta atitude – para além de ser uma metáfora para a vida – é um modelo que fomenta a resiliência, aumentando assim a capacidade de se reagir favoravelmente à adversidade.

Nesta arte marcial cair significa que existiu um fator externo – o nosso oponente – que nos levou a cometer um conjunto de erros técnicos e/ou táticos que promoveram a nossa queda. Quantas vezes não nos acontece o mesmo num contexto profissional? Na nossa esfera privada? Todos já sentimos o sabor amargo do desaire. Perante a inevitabilidade destes pequenos sulcos: Qual é a atitude mais correta a adotar?

Uma postura de resignação não é a mais indicada porque pode perpetuar maus hábitos mentais, não promove a mudança; pensar em perspetiva logo após um momento da falha – “nada acontece por acaso” –  conduz a uma precoce racionalização que, a longo prazo, pode conduzir a uma intensificação das emoções negativas.

Assim, numa fase após traumática, devemos ter a humildade de assumir que caímos e  estamos magoados – estatelados no chão. Por isso, devemos primeiro permitirmo-nos mergulhar na tristeza (que nos permite avaliar novas perspetivas); para depois, eventualmente, sentirmos um sentimento de injustiça acompanhado geralmente de uma raiva (que, quando bem canalizada, aumenta o nosso foco e determinação).

Não devemos ter pressa para nos levantar pois muitas vezes as nossas pernas não estão preparadas para sustentar o peso do corpo tão prontamente. Só depois de passarmos por todo este processo e paleta de emoções é que estaremos aptos para nos reinventarmos e iniciar um novo caminho: agora mais sábios e confiantes.


CONTACTO:

geral@celiodias.pt


 

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DLFIGHTS FASHION: THE POSTURE

Parece-me incrível estarmos em pleno mês de Outubro e o tempo estar propício a usarmos roupa de Verão. Se por um lado é uma desculpa para ainda não vestirmos os pesados casacos de Inverno; por outro lado, faz-me pensar nas alterações climáticas de que é fruto este bom tempo. A longo prazo quais serão as suas consequências? Qual será o impacto nas comunidades vegetais e animais do nosso país? De que forma é que esta mudança afetará o nosso sistema económico? São perguntas a que deveremos dar respostas e encontrar formas de interagirmos com os nossos recursos de uma forma mais sustentável para que possamos viver num planeta saudável.

Inicio a semana com esta reflexão porque penso que cada vez mais assumimos uma atitude egocêntrica – de pensar apenas no nosso umbigo –, negligenciando a postura de cidadãos globais que nos é exigida atualmente. Certamente que cada um terá as suas causas e batalhas (a realidade que nos rodeia é exigente nas suas problemáticas!). No entanto, acredito que uma felicidade plena só é alcançada se na sua equação for adicionado um caráter comunitário, um objetivo maior.

Dalai-Lama fala-nos de uma atitude de compaixão no livro Uma Força para o Bem; uma postura generosa que atende aos nossos problemas pessoais, mas que também não é indiferente às preocupações alheias. Vários estudos sobre a felicidade indicam-nos que os nossos objetivos geram uma gratificação mais intensa se tiverem esta componente social. Todos nós temos um papel e somos chamados a agir; podemos contribuir de forma efetiva para este motor de desenvolvimento: para isso, basta potenciarmos a nossa melhor versão sendo capazes de – num ato de fraternidade – saltar as barreiras que nos dividem.

 


LOOK

Chapéu – Element

Calças – Dockers

Sapatos – Dkode


CRÉDITOS

Fotografia – Luís Sustelo


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YOGA HIGH PERFORMANCE – O NOVO TREINO DE ALTA COMPETIÇÃO

“Eu vim ao mundo para quebrar estereótipos.”

Carla Ferraz

Para quem pensa que o Yoga é uma atividade dirigida apenas para as mulheres em que se permanece durante longos períodos em estado zen tem que conhecer a nova abordagem que Carla Ferraz trás a esta arte milenar: o Yoga High Performance. Carla é uma mulher que nos envolve na sua filosofia de vida – de forma apaixonante – e que tem um olhar verde sincero que nos deixa antever a sua personalidade forte e determinada.

Na época de 2012/2013 experimentei as minhas primeiras aulas de Yoga com o meu amigo Bruno Reis – o fiel guru. Esta atividade promoveu o desenvolvimento das minhas competências de base: flexibilidade e consciência corporal. O Judo é um desporto de combate que exige coordenação motora e movimento explosivos. É aqui que o Yoga High Performance faz a diferença: amplia a mobilidade articular e muscular, permitindo-nos desenvolver a solidez dos nossos movimentos.

Nas sessões de treino a Mestre implementou três regras de conduta para a prática: 1) Não reclamar – o livro de reclamações tem que ser deixado à porta; 2) Não justificar – todas as desculpas são relegadas para um quinto e sexto planos; 3) Não duvidar – é crucial abraçar a novidade com espírito de aventura. Estas três regras de ouro são essenciais dentro e fora do tapete. Quantas vezes não reclamamos, nos justificamos e duvidados das nossas capacidades perante algo que se nos apresenta como novo? O segredo deste treino e do sucesso está em deixar a novidade bater-nos à porta e sentar-se na nossa mesa a tomar um chá ou um café; desta forma, temos tempo para assimilar o seu conteúdo: as boas-novas. O treino Yoga High Performance é um ginásio para a mente pois também potencia ferramentas psicológicas vitais. Não acreditas? Porque não te levantas do sítio onde estás e experimentas um asana – qualquer posição bem definida do Yoga


Contacto – geral@celiodias.pt


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SER OU NÃO SER: EIS A QUESTÃO…

“A educação e o ensino são as mais poderosas armas que podes usar para mudar o mundo.”

Nelson Mandela

Ser aluno universitário é para mim a concretização de um sonho. Foi um percurso sinuoso, com anos de paragens… Contudo, este ano abraço essa missão com responsabilidade e compromisso. Estou a estudar Psicologia no ISCTE e tem sido uma experiência fantástica. É numa universidade cheia de vida e diversidade cultural que começo a aprender os conceitos chave de uma disciplina que, através de modelos teóricos, pretende estudar o comportamento humano. Penso que a Psicologia contribui para uma melhoria dos mais diversos contextos e ambientes pois através de um melhor auto-conhecimento conseguimos uma interação mais eficiente e positiva com os pares que nos rodeiam.

Estou num momento da minha vida com várias alterações e, por isso, sinto necessidade de olhar para trás e ver tudo o que aconteceu: colocar em perspetiva. Relativamente ao meu percurso académico, lembro-me – com alguma nostalgia – do meu primeiro dia de aulas de sempre. O meu pai foi-me levar à escola no carro branco que tinha na altura e recordo-me de ficar parado nas escadas dentro do edifício cheio de medo. A minha escola primária chamava-se Escola Branca do Monte da Caparica e foi um dos momentos definitórios da minha vida pois foi aqui que comecei a construir o meu percurso. A exigência da minha mãe quanto às notas associada ao espírito de competição para ser um dos melhores alunos na classe fizeram com que encarasse sempre os estudos com seriedade. Parece que foi ainda ontem que era apenas um infante (cheio de sonhos e ambições); nesse tempo afirmava determinadamente que queria ser médico – mal sabia que a vida me iria trocar as voltas.

As mudanças são sempre positivas porque ensinam-nos sempre algo sobre nós próprios que não sabíamos e que estava mesmo ali à nossa espera – para ser descoberto. Sem estas pequenas alterações no nosso percurso, não seria possível crescermos e aprendermos que nada pode ser tomado ou dado por garantido. Muitas vezes quando damos a vida como uma comodidade acontece algo que nos puxa o tapete e aí somos lembrados da nossa pequenez – não controlamos nada verdadeiramente. É, por isso, que nos devemos esforçar mais e tentar mais forte porque em qualquer momento vamos ser lembrados de que não somos omnipotentes.


Chapéu & T-shirt: H&M


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UM ENCANTO DE JAPÃO

Com a clarividência que me proporciona o “Argonauta das sensações verdadeiras”, ao ritmo das minhas (quem me dera que fossem!) kizombas quentes, descubro a riqueza nipónica de uma vida de Japão. Assim vamos os três: o poeta, uma versão que não é a minha e África (com uns olhos de mel, tristes mas contentes, e uma certa e característica ginga na cintura)… Aliás, vamos os quatro! Ou melhor: vamos, contando bem, os cinco! (Lá escorreguei eu nos números e na exactidão!)

Adoro o cheio da densidade populacional e do katsu kare. E vocês comparsas?

“A beleza destes olhos meios rasgados enche-me a alma! Não, o que me enche a alma não é a beleza dos olhos rasgados… Aliás, estes olhos não são belos. Nem estes, nem nenhuns, nem coisa alguma! Comovem-me apenas estes olhos nipónicos que não são rasgados e muito menos nipónicos. Na verdade, estes olhos são nipónicos: para ti e para as mentes dementes; para mim: são olhos. Tal como as árvores são árvores, as flores são flores e os filósofos tristes e estúpidos. Desculpa: o vento que se levantou fez com que algum desse pó, que cega e racionaliza, entrasse para os olhos – os meus.”

(Silêncio, luzes e mais pessoas. Oiço um ligeiro mixoxo, uma testa franzida.)

“Sabes muito bem que esse vento não me bate! Não me cega, mas queima. Cada árvore, cada rio; os elefantes e os leões… Tudo geme e grita e rosna com o frio desta banda. A terra quer-se enterrar para fugir a este briol! Não estou a curtir esse mambo não…”

(Outro mixoxo, mais vento e frio. O poeta revira olhos devido à falta de eloquência; África lança-lhe um olhar de soslaio.)

E eu riu-me com todos os dentes da boca (mais tive!) E a fisiologia da não filosofia aquece-se e namora com a africanidade! Amo o poeta, vibro com África e finjo que não vejo com olhos doentes – encantado! Meu, nosso, teu – talvez não seja de ninguém: Japão.

O velho samurai resmunga e os olhos curiosos lêem e interpretam. (Vá, eu não conto ao Mestre para lhes poupar a leitura de mais um poema, claro e simples. Não, na verdade vou-lhe contar; com sorte, ele escreve dois poemas. Um para os olhos que lêem e outro para mim, advogando neles um luar que é só luar. E eu vou-me deliciar, ouvir mais música e descobrir mais Japão – em Tóquio).

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VLOG #1 – JOGOS OLÍMPICOS

JOGOS OLÍMPICOS – SONHO NÃO PLANEADO

Comecei a praticar judo quando tinha 13 anos, num clube que se chama Construções Norte-Sul. Iniciei a prática da modalidade por convite da Dona Manuela Monteiro que me lançou o desafio numa tarde de Sol: “Não queres vir experimentar o Judo? Vou levar o Miguel Ângelo agora.” Existem histórias de atletas que desde tenras idades desejam singrar nos desportos em que se especializam; esse não é o meu enredo: o judo surgiu na minha vida completamente por acaso e o que me levou a aceitá-lo foi o meu espírito experimentalista; quando comecei: não tinha quaisquer ambições ou projetos a longo prazo (Jogos Olímpicos?! Um evento onde se faz desporto?)

Desde esse meu primeiro “sim”, nunca mais deixei de praticar “o caminho da suavidade” – significado da palavra judo em japonês. A forma como luto, como me expresso em cima do tapete, pouco tem de suave – intensa certamente. No entanto, os valores que este desporto trouxe para a minha vida foram enormes. Enquanto jovem, até à idade dos 13 anos, sempre fui bastante conflituoso e sempre gostei de andar bastante à pancada; contudo, nunca mais optei pela violência física desde que sou judoca. Só posso estar grato à Dona Manuela, mãe da minha amiga Telma, por me ter iniciado nesta viagem transformadora.

DEUS QUER, O HOMEM SONHA E A OBRA NASCE

Pensando em todo o percurso pelo qual fui guiado, olho para trás com grande orgulho essencialmente porque sinto que a vida como atleta ofereceu-me uma oportunidade de crescimento pessoal – amadurecimento de personalidade. Agradeço a Deus cada segundo vivido nesta viagem, nesta descoberta de mim mesmo. Lutar no Rio de Janeiro vai ser a materialização de uma crença que é foi – que é – maior do que os meus medos e inseguranças: um novo começo; um objetivo que não se encerra em si mesmo: impulsiona-me para novos desafios e conquistas. Existem metas traçadas para além do dia 10 de Agosto – dia em que luto nas terras de Vera Cruz -, muitos deles ultrapassam largamente a carreira desportiva.

Até agora tenho optado por partilhar os meus pensamento sob a forma escrita: agora é chegada a altura de dar voz a esse mesmo conteúdo. Para relatar toda a minha experiência durante a qualificação olímpica, vou publicar um vídeo na minha página de atleta (Se uma imagem vale mais do que mil palavras, qual será o valor das emoções associadas a um relato na primeira pessoa?) A este tipo de formato digital dá-se o nome de Vlog – abreviatura da palavra “vídeoblogue”. A minha qualificação foi um percurso tão intenso que merece esta produção. Não sou um filmmaker: gravarei a partir do meu telemóvel (Prometo que me vou dar o meu melhor!) Quero falar diretamente para todas as pessoas que gostam de mim e têm interesse em acompanhar a minha carreira. É para vocês que vou abrir o meu coração: este Domingo, às 19 horas, na minha página de atleta. Temos encontro marcado?

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O AUTOCARRO DO POVO

Até quando o passado vai ser uma prisão? Até que ponto o facto de não controlarmos o que nos acontece é justificação para uma atitude de estagnação?

CORRER ATÉ MORRER

Depois de ter perdido a minha carteira de manhã (para começar o dia em beleza!) e ter corrido a maratona sob o comando do Professor Jorge, arrastei-me com o Martinho – amigo e judoca do Benfica – até à paragem de autocarros. Estou numa missão: poupar dinheiro! Nestas últimas semanas, tenho me esquecido que a minha bolsa de moedas tem fundo; consequentemente, deu-me um ataque quando repousei a testa sobre a mão e contei os meus cifrões (Claro que não fui ao hospital!) Portanto, iniciei o dia com uma grande motivação… Não fosse esta arrasada pela projeção das filas na loja do cidadão e pelo pesar nas pernas (Será que algum dia vou obrigar o Professor a cumprir estes treinos malucos? Babo-me só com a visualização!)

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Por fim, alcançámos o nosso destino: eu a rastejar ao ritmo da gargalhadas de troça do Martinho (Pimenta nos olhos dos outros não arde, não é o que dizem?) Sentei-me na paragem ao lado do único passageiro que, com um ar aborrecido, descansava as mãos sobre uma barriga experimente. Quando abre a boca, noto que lhe faltam alguns dentes: “Já estou à espera há 30 minutos!” – atira impacientemente; as nossas caras contraem-se em sorrisos concordantes. De facto, o “autocarro do povo” estava atrasado mas nós estávamos entretidos a discutir as vantagens de termos uma equipa que construiu uma estrutura independente – o tempo é sempre efémero, contraditória a sua percepção. Por entre carros a velocidades médias, finalmente surge a nossa boleia. “Estou a ver bastantes cabeças!” – constata o Martinho no tom irónico que lhe é habitual. Com a antecipação do mau cheiro e dos encontrões: uma gargalhada bem viva invade o ar.

SEJAM BEM-VINDOS

A particularidade deste autocarro é que um dos segmentos que realiza passa pela Amadora e, à hora que apanhámos o transporte, vem sempre lotado. Digo que é o “bairro em movimento” porque em todas as viagens que faço oiço sempre discussões entre os passageiros e o motorista, palavrões que marcam as conversas como vírgulas; jovens mães derretidas com os seus recém-nascidos ao colo e raparigas que choram o um amor não correspondido por causa de uma “cadela” que têm que pôr na ordem. Um cenário que me é bastante familiar – nostalgia e diversão. Uma das protagonistas da viagem foi uma rapariga atrevida com um vestuário que lhe destacava um peito cheio; uma voz esganiçada que, ao dispersar-se pela atmosfera, feria os ouvidos dos passageiros não só apenas por causa do timbre, mas sobretudo porque os enunciados que ditava eram uma extensão de neurónios cheios de ar e sinapses – claramente – interrompidas!

DE VOLTA AO BERÇO

Perante o conteúdo do discurso, ou pela sua falta, noto que começo a ficar com alguma tensão facial; de repente, sou atirado para a minha infância: rodeado por todo um cenário em que, em afirmações convictas, ouvia: “Eu sou mesmo do ghetto: quem gostar, gosta; quem não gostar não gosta!” – um mixoxo a acompanhar. Este tipo de declarações sempre me fizeram fervilhar sangue. Desde quando é que crescer no bairro é um fundamento para a má educação? Conheço um batalhão de pessoas, nomeadamente atletas com carreiras de destaque e cursos universitários concluídos, como são o caso das minhas amigas Telma Monteiro, Sandra Borges e Ana Monteiro, que são bem-formadas e cheias de valores e princípios – fontes de inspiração (Todos, elas e eu, crescemos no mesmo bairro, bebemos das mesmas origens e temos a mesma visão relativamente a este assunto!)

Nascer no bairro é apenas uma condição base, não é uma sentença. O que dizer do senhor americano que esteve 42 anos preso injustamente que quando abandona a prisão, depois de apurados os factos e ser-se destacado pelo seu comportamento, diz: “Só porque estamos numa prisão, não temos que agir como criminosos.” Quando nascemos uma vida é-nos entregue e com ela um pacote de liberdade (não ilimitado!) Dentro dessa embalagem, vem uma responsabilidade de ação e um dever de educação para que possamos contribuir para uma sociedade produtiva e mais justa. O Estado é responsável e fornece parte dessa educação; o aprofundamento desses conhecimentos é inteiramente da esfera pessoal. Se temos um telemóvel com Internet para postarmos lindas fotografias nas nossas redes sociais, porque não utilizar essa mesma habilidade para preencher e desenvolver a mente com conteúdos e aprender novas competências?

CULPA: MORTE E RENASCIMENTO

Como atleta da alta competição aprendi que a culpa das minhas derrotas é – sempre – minha! Não vale de nada aliviar o peso dos desaires culpando entidades externas. Acerca de uma das teorias acerca do conceito de livre-arbítrio vs determinismo, um filósofo descreve uma das posições como “um reles subterfúgio de palavras” (Professora Joana Rigato: pode aclarar-me a memória?) Na minha opinião, quando nos desculpamos com “a má sorte do destino” estamos apenas a refugiam-nos da culpa e negligenciar uma oportunidade de mudança. Qual é o custo de uma atitude de irresponsabilidade e procrastinação?

(Vou continuar a dançar ao som de África, tal como a rapariga de corpo esguio vai continuar a esvoaçar as tranças ao vento. A vida quer-se apaixonada e a vista de um ponto, só e apenas, a vista de um ponto.)

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UMA CRÍTICA À BEIRA-MAR

REPOUSO

Estou a mimar o meu corpo, atento aos apelos que ele me tem feito. E vocês: Conseguiram tirar o pé do acelerador e relaxar? (Lê o artigo de ontem para perceberes esta pergunta) Se sim, como se sentiram? Apesar de não saber nadar, o contacto com o mar sempre me deixa bastante calmo. Por isso, aceitei um convite de almoço e fui comer um hambúrguer a Carcavelos, à beira-mar (Sei que deveria ter optado por uma saladinha, mas desta vez estou perdoado: afinal de contas tenho que ouvir o meu corpo, certo?)

Quando nos sentámos para fazer o pedido, o Sol despediu-se deixando um frio abrasivo. Pedimos as bebidas e os pratos, agora embrulhados numas mantas de lã -uma recordação nostálgica de Inverno. Entre os detalhes da minha carreira desportiva e as aventuras do percurso musical do meu amigo, a conversa fluiu num ritmo alegre interrompido de quando em vez por um olhar perdido sobre a paisagem que tínhamos à disposição – ouvir o silêncio deixa a conversa aflorar, aprofundar-se em dinâmicas mais intimistas. Finalmente, chegam as bebidas: um sumo de morango e uma água naturais para mim (Estou agora perdoado?) Até à chegadas dos pratos: viajámos de Portugal a África, discutindo a riqueza de uma cultura de dança e calor. O Sol timidamente espreitou por entre as nuvens e, ao compasso de sabor e maresia, restabelecemos energias.

A CRÍTICA DO HAMBÚRGUER

Silenciados pela serenidade que o mar nos impôs, fomos devolvidos à realidade pela senhora magra e em pele de galinha que estava a fazer o atendimento às mesas:

– Gostou do hambúrguer? – perguntou com um largo sorriso.

– Nem por isso! – respondi sem qualquer qualquer emoção, seco.

– Algo não estava do seu agrado? – indagou-me, desta vez com um sorriso mais apreensivo.

– Não sei: simplesmente não gostei assim tanto – respondi a olhar-lhe fixamente nos olhos.

– Pronto, já percebi: não estava especialmente divinal – devolveu-me a senhora, retirando-se da mesa em gestos apressados.

Neste momento, quando olho para o Salvador, o meu amigo músico, ele está com os dedos a segurar as têmporas – um ar de desaprovação:

– O que foi? – perguntei-lhe sem hesitar.

– Acabaste de criticar o hambúrguer sem justificar a tua observação. Foste indelicado! – sentenciou.

– Apenas fui sincero. Mas pronto, está bem: corrijo da próxima vez – devolvi com um tom de desinteresse; ação contínua, olho para o ambiente envolvente.

O vento abranda a sua investida. Peço um café e uma fatia de bolo de chocolate (Juro, estou apenas a recuperar da fadiga muscular!) Sabem aquele bolo que vos preenche o paladar, até aos cinco sentidos, e vos faz salivar? Aquela cobertura branca de açúcar que acentua o sabor do chocolate quando se derrete na boca? Bem, a minha fatia estava assim – sensacional! Quando terminei, pagámos e viemos embora. No carro, sou empurrado pelas notas melódicas da música que estava a tocar para uma reflexão: “Porque critiquei o hambúrguer sem fundamento? Porque não elogiei a fatia de bolo que estava fantástica?” Absorvido pelos meus pensamentos, só fui interrompido por um telefonema da minha mãe; como sempre, não sabia ainda que tinha ido para o hospital – gargalhadas e um novo choro ao dinheiro perdido.


ELOGIOS E ABRAÇOS

Até determinado ponto da minha vida, sempre tive bastante dificuldade em expressar as minhas emoções de afeto. A primeira vez que disse à minha mãe que gostava imenso dela tinha 20 anos! Como é que é possível? No bairro não somos muito deste tipo de declarações. A minha amiga Sílvia – ginasta no Sporting Clube de Portugal – costuma dizer: “Vocês são tramados! Uma pessoa se diz que gosta de vocês, nem nos passam cartão. Agora, se vos maltrata, já ficam todos contentes!” (Estou a partir-me a rir só de me lembrar disto!) Claro que é uma situação exagerada, mas a verdade é que somos mais de mostrar os nossos afetos com ações. É assim: cada contexto tem as suas próprias dinâmicas! Talvez por esta situação, sinta embaraço quando se trata de elogiar pessoas que não tenha confiança, dar abraços ou lidar com elogios. (É habitual darem-me os parabéns por uma medalha ou pela minha prestação e eu ficar sem palavras ou mudar de assunto desajeitadamente…)

No judo temos uma grande preocupação com o peso; oiço mais criticas relativamente aos aumentos de volume corporal e às caras inchadas do que elogio aos corpos em forma quando estamos próximos de competições importantes. Em geral, penso que criticamos mais do que aquilo que elogiamos. Concordam comigo? Depois da minha reflexão, considero que esta situação se deve a três factores. Em primeiro lugar, temos uma tendência natural para reparar em padrões que não estejam de acordo com a “normalidade”: num grupo de pessoas com batas brancas, vão se destacar as que tiverem com uma indumentária diferente. Em segundo lugar, penso que a crítica nos concede poder: Quem não gosta de sentir livre? Os julgamentos dão-nos poder no sentido de expressarmos os nossos sentimentos. (Qual foi a minha reação perante a observação do Salvador? Ah, viva o 25 de Abril!) Por último, cada vez mais tenho consciência que não nos sentimos à vontade para elogiar as outras pessoas. Quantas vezes não pensamos que aquela pessoa está com um corte de cabelo mesmo porreiro e não somos capazes de lhe comunicar os nossos sentimentos? Ou: Nunca vos aconteceu fazerem algo bem feito e não receberem um reforço positivo? Como se sentiram? Talvez isto se verifique porque, devido às tecnologias, andamos a perder a nossa humanidade no sentido de conseguirmos expressar a nossa vulnerabilidade. Sim, quando elogiamos mostramos o nosso lado mais sensível, construímos uma ponte entre nós e os outros. Será que temos medo deste contacto?

REFORÇOS POSITIVOS

Elogiar é importante porque aumentamos a probabilidade de determinado comportamento se repetir. Se dizermos à nossa amiga Isabel como as saias lhe destacam as pernas elegantes, provavelmente ela irá optar mais vezes por esta peça de vestuário. O que aconteceria de elogiássemos mais os outros – o atendimento no café que é sempre agradável, o humor do nosso amigo que nos alegra sempre? Será que poderíamos contribuir para ambientes mais saudáveis e positivos?

Pese embora a importância dos incentivos, a crítica é essencial: pode conduzir a alteração ou correção de comportamentos indesejados, mantém de alguma forma a ordem social. Mas como criticar adequadamente? Já ouviram falar no método sanduíche? É uma formula bastante simples: um elogio, uma crítica e novamente um reforço. No meu caso poderia ter feito o seguinte comentário quando a senhora da esplanada me pediu a apreciação do hambúrguer:

“Obrigado pela pergunta. Penso que a carne do hambúrguer estava um pouco seca (Que foi a razão pela qual não apreciei tanto a refeição!) No entanto, a salada e o atendimento estão óptimos (Factos verdadeiros!)”

O que a senhora teria sentido se tivesse comentado o prato desta forma? Provavelmente, iria ter a minha apreciação mais em conta e, talvez, tentar melhorar o estado da carne numa próxima oportunidade. No final todos perdemos: o café, se aquele for o estado habitual do hambúrguer; e eu porque poderia ter contribuído positivamente para a alteração de um hábito.

E vocês: No vosso dia a dia qual é a vossa tendência – o elogio ou a crítica? Que tal neste final de tarde elogiar a boa-disposição constante dos nossos companheiros? Não percam esta oportunidade! Os motivos pelos quais criticamos mais frequentemente não são desculpas mas sim um fundamento que sustenta a mudança. Se tivermos que criticar: O que pode acontecer se usarmos o método sanduíche? É tudo uma questão de boa comunicação. Os erros são oportunidades, um call to action. O que motivou toda esta minha reflexão? Não tenham medo de construir pontes entre as pessoas, sejam elas mais próximas ou um pouco mais distantes. Uma felicidade global é feita com o contributo de todos. Vais aceitar o desafio?

(Obrigado a todos pelas mensagens de uma rápida recuperação. Desejo-vos um excelente início de semana!)

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FADIGA MUSCULAR A 334,73 EUROS

A DOR ABDOMINAL

No Sábado passado, o meu corpo começou a queixar-se: o lado direito da região abdominal começou a doer-me intensamente. Inicialmente, pensei que se tratava de fatiga. No entanto, a dor não passou: intensificou-se na mesma região. Treinei as duas vezes na Segunda-feira e na Terça-feira, como prescreveu o meu treinador, mais conhecido por Professor Jorge, mais duas vezes. Depois do treino da noite de Terça-feira, a dor agravou-se a ponto de me começar a interferir na marcha, ou seja, comecei a ter dificuldades em andar. Com este quadro clínico, não haviam dúvidas: era chegado o momento de consultar o meu médico de eleição – o Dr. Google (Viva a tecnologia!) Abri o computador e iniciei a minha pesquisa; rapidamente encontrei páginas que me falavam de doenças terminais. Com esta sentença médica, mais a minha tendência para a dramatização, estava perante o pior cenário de sempre. Os pensamentos negativos começaram a invadir a mente… Comecei a pensar em como gostaria de ser recordado (Jesus, como eu sou novo!)

AINDA MAIS DOR

Depois de uma sentença médica tão fundamentada em exames e análises médicas, na Quarta-feira de manhã fui para o treino consciente de toda a minha nova condição. Enquanto ia no táxi, comecei a olhar com nostalgia pela janela e a pensar no que iria ter mais saudades depois do adeus final (Comer frango com as mãos, dançar e rir-me com os meus amigos foram os pensamentos que saltaram de imediato!) Quando iniciei o treino a dor atacou mais uma vez, comecei a caminhar ainda mais encurvado; fui para o hospital a ouvir a minha kizomba… Em menos de duas horas tudo aconteceu: fui atendido por uma médica que usava os óculos na ponta do nariz, não me retribuiu o cumprimento quando entrei no consultório e falava com movimentos esvoaçantes; tinha tirado sangue e feito mais uma cena porque não gosto de agulhas; e, finalmente, recebi uma medicação intravenosa. Passado este tempo, em que pensei estar numa pista de fórmula 1, voltei a entrar no gabinete da médica, desta vez com a Telma, para descobrirmos uma versão doce da mesma pessoa que quase não me olhou da primeira vez que a encontrei. “Penso que já nos conhecemos da televisão”, disse a médica para a Telma (Claro que esta situação foi motivo de piadas depois de abandonarmos o consultório!) Com uma voz delicada – eu, ainda a pensar na primeira abordagem que tinha tido com a mesma senhora -, disse-me que os resultados das análises estavam normais. Voltei para casa, não treinei à noite. Mas a dor não desapareceu…

MAIS EXAMES? NÃO, OBRIGADO!

Na Quinta-feira a dor começou a alastrar-se para a região lombar, eu a pensar em todas as coisas que o Dr. Google me tinha dito! Fiz a musculação aos membros inferiores e a trabalhei a parte técnica com o meu parceiro de treino, o Nuno Albuquerque. Na Sexta-feira: mais dor e propagação; o vírus estava instalado (talvez na minha cabeça!) e tinha ambos os lados nas regiões abdominal e lombar afetados. Fui mais uma vez ao hospital, a caminhar com a cabeça quase no chão e a contorcer-me com dores. Desta vez, a termo particular, na recepção do atendimento das urgências cobraram-me 90 euros pela consulta e, num tom simpático o recepcionista disse-me: “Quaisquer exames ou tratamentos a que o senhor tenha que ser submetido, os custos adicionais ser-lhe-ão cobrados no final do processo”. Por momentos esqueci as dores, comecei a pensar que cada minuto dentro daquele espaço significaria uma diferença de euros na minha conta bancária! (Mas como abandonar o processo depois do diagnóstico do Dr. Google?)

Desta vez, fui atendido por uma médica de meia idade, com bastante energia, pragmática e com um humor refinado – a Dr. Ana Maria Saque. Entre contorções e movimentos exorcistas, foi inevitável não me rir perante a sua descontração. Só houve um problema: estava determinada em mandar-me para casa com um diagnóstico! (Afinal o do Dr. Google não era válido?) “Telma: não me estou a conseguir concentrar naquilo que a médica me está a dizer! Cada vez que a doutora me diz que tenho que fazer mais um exame, só penso nos euros a sair!”, confidenciei à minha companheira de boas e más horas. Tudo foi mais divertido na sua presença – apesar do aumento progressivo das dores. Depois das análises, uma injeção, dois choros por saber que tinha que ser picado, uma radiografia e uma ecografia, obtive o diagnóstico: fatiga muscular. Estava perplexo! O médico que me realizou a ecografia explicou-me que quando os esforços são constantes estas situações podem verificar-se (Todas aquelas horas de espera e dois treinos perdidos para saber que estava com cansaço muscular? Maior anedota de sempre!) Saí abatido, com a mente a pensar nos cifrões que ia gastar. Despedi-me da Dr. Ana Maria Saque que, com um sorriso, prometeu acompanhar a minha carreira. Quando me dirigi à recepção, tive duas quebras de tensão que justificavam um internamento: 244,73 euros! Estiquei o cartão multibanco relutantemente (Ao menos, poderia ter tido algo que justificasse este dinheiro…)

BALANÇO FINAL

Pensando em todo o contexto, o meu corpo já me tinha dado sinais de que estava a precisar de descansar aos quais não +prestei a devida atenção. Muitas vezes são estas paragens forçadas que nos fazem abrandar o ritmo e repensar as nossas ações. Tenho realmente que descansar mais: dormir talvez entre os treinos da manhã e da tarde. O ritmo alucinante não vai acabar, por isso, o melhor mesmo é criar estratégias que me permitam uma melhor recuperação. Acho que vou ter que voltar a fazer as massagens que tanto detesto. Apesar de considerar uma perca de tempo e ficar sempre bastante ansioso porque começo a pensar nas coisas que poderia fazer enquanto estou ali deitado na marquesa, a verdade é que o meu corpo está precisar desse mimo. É como dizem: O descanso também é um treino! Portanto, durante este fiim de semana são sopas e descanso! Depois de sair do hospital, fui jantar com a minha amiga Sandra Borges, também judoca no Benfica. Rimo-nos até à exaustão e ela deu-me novas ideias que poderia desenvolver aqui no blogue.

Tirarmos um tempo para descansar não é um luxo: é antes uma obrigação! Muitas vezes pensamos que somos imbatíveis até que um situação grave nos bate à porta. No meu caso foi apenas cansaço muscular (ainda me estou a rir só de pensar neste diagnóstico);mas quantas vezes não são situações mais graves? Neste fim de semana, o que aconselho é que tiremos o pé do acelerador e aproveitemos o “dolce far niente”. Vão esperar que uma “fatiga muscular” vos interrompa obrigatoriamente? Aceita o desafio e relaxa. No final do dia só duas coisas contam: saúde e as nossas relações pessoais!

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REVIEW: “FALE MENOS. COMUNIQUE MAIS” – CARLA ROCHA

LEITURA: O MEU GINÁSIO MENTAL

Gosto bastante de ler: é um estímulo à criatividade e acredito que esta actividade melhora a minha performance nos treinos e na competição (esta é apenas uma opinião pessoal, nunca pesquisei se tem evidência científica!) Da minha experiência como atleta, associo vários dos meus melhores momentos de prática desportiva e resultados a períodos em que me encontrava com um maior estímulo intelectual.

Ler para mim é fundamental. É tão importante como os treinos de judo ou as sessões de preparação física pois exercito e preparo o que é essencial em competição: a mente. Os livros para mim são um ginásio espiritual onde as palavras, ideias e cenários que leio me inspiram e refinam as minhas capacidades mentais.  Durante um processo de leitura, aproximo as minhas experiências pessoais à visão dos autores e fundamento as minhas concepções da realidade. Numa dessas sessões na minha sala de exercício mental, sentei-me com o “Fale menos. Comunique mais” ao colo; fortaleci a minha capacidade de comunicação e, agora, porque considerar uma leitura indispensável, venho falar-vos como ele vos pode ajudar a melhorar as vossas relações pessoais – tal como prometi no artigo de Terça-feira.

QUANDO COMUNICAR BEM IMPORTA

Comunicar não é fácil e exige um processo de entrega ao outro – um espírito de aceitação perante as ideias partilhadas durante o debate de opiniões. Uma das grandes lições que aprendi com a autora do livro, Carla Rocha, foi que a comunicação pressupõe uma condição: vulnerabilidade. Quando falo em vulnerabilidade, falo de transparência e assertividade – duas das estratégias sugeridas no livro. Não devemos ter medo ou vergonha de comunicar com sentimento ou até mesmo expor as nossas experiências pessoais. Só desta forma é possível nos ligarmos às outras pessoas, à nossa audiência, criando empatia e garantindo, desta forma, que a partilha da nossa mensagem é genuína.

No “Fale menos. Comunique mais” encontramos 10 estratégias para aprimorarmos a nossa capacidade de comunicação. Um livro de leitura fácil, bem escrito e bastante ilustrativo. O seu título apresenta um falso paradoxo: Será que sempre que falamos estamos realmente a comunicar? Eis o que defende a Carla:

“Todos os problemas de comunicação são um problema de compreensão. As pessoas só compreendem a informação que reconhecem.”

Através da frase anterior, pode-se compreender que o processo de comunicação está assente no entendimento bilateral, ou seja, só estamos a comunicar se houver um entendimento mútuo do enunciado que está a ser partilhado. Uma tarefa exigente mas que, quando treinada, pode-se tornar uma ferramenta muito efetiva. Quando iniciei os meus discursos enquanto keynote speaker estava sempre bastante nervoso; com o passar do tempo, tenho cada vez mais confiança nas minhas capacidades. Treinar a comunicação importar pois muitas vezes temos ideias que podem ser revolucionárias, fazer a diferença, e, por falta de estrutura, perdem todo o conteúdo. Quantas vezes não conseguimos expressar-nos da forma correta? Quantas vezes não nos sentimos compreendidos? Este livro tem estratégias com resultados reais. Enquanto formando da Carla, posso realmente afirmar que todas estas estratégias são válidas e fazem a diferença no momento em que desejamos transmitir os nossos pensamentos.

AS ESTRATÉGIAS

É notável a generosidade da autora no seu processo de partilha pois, segundo as pessoas que lhe são mais próximas, neste seu trabalho existe a trasmissão de toda a experiência que adquiriu durante a sua carreira na rádio e enquanto formadora. Mas não são necessárias quaisquer confirmações: de facto, sente-se a entrega – uma abertura de vida – por parte da Carla Rocha neste livro. Nele fazemos uma viagem pela sua experiência profissional (inspiradora a sua história de como alcançou o seu posto na RFM), passando por alguns detalhes da sua vida familiar (bastante interessante a história de como dentro do seu seio familiar conseguiu colocar todos os membros a falarem uns com os outros); temos ainda acesso a testemunhos e exemplos de boas práticas comunicativas. De todas as estratégias no livro partilhadas, principalmente por já ter iniciado o meu caminho para me tornar num melhor comunicador, estas são as estratégias que destaco nesta obra:

Estratégia nº 2: “Escutar: ouça mais do que fala”

Durante a minha formação com a Carla no âmbito do programa Atletas Speakers promovido pelo Comité Olímpico de Portugal, aprendi que um bom comunicador é aquele que ouve. Da sua experiência, a autora realça a importância da escuta ativa nas suas entrevistas: existe um processo de preparação mas apenas ao escutar o seu entrevistado é que se apercebe de um pormenor que faz a entrevista ganhar uma nova força. A escuta é essencial no processo de comunicação! Podem ver neste artigo que escrevi algumas dicas para se tornarem “bons ouvintes”. O livro explora mais profundamente esta temática, explicando os seus benefícios e com a recomendação de exercícios (inspiradora a história de John Fracis que ficou 17 anos sem falar! Porquê? Já têm uma boa razão para comprarem o livro, uma história absolutamente brilhante!)

Estratégia nº3: “Simplicidade: fale português, fuja do «compliquês»”

Quando descobri que a escrita era uma das minhas paixões, procurava expor nos meus textos as palavras mais difíceis que conhecia para exibir o meu conhecimento da língua portuguesa. Ficava orgulhoso quando me diziam: “Não percebo nada do teu texto!”; neste momento, inflamava e pensava: “Sou mesmo bom!” Não poderia estar mais enganado: não estava a comunicar. Actualmente, faço um esforço claro para reduzir o tamanho dos meus textos e focar-me no essencial. Dica da Carla:

“Leia em voz alta tudo o que escreve e faça as alterações necessárias até que a mensagem se torne clara, simples e memorável.”

Estratégia nº 4:  “Conte mais histórias: abra o seu livro, revele-se”

Para mim esta é a dica que me faz mais sentido em todo o livro. Descobri que é através das histórias, das nossas histórias, que tornamos a nossa mensagem única. Na primeira preleção que fiz após concluir o programa, foquei-me em fundamentar cada um dos meus argumentos com dados científicos. Quando mostrei à Carla o tamanho da minha exposição, uma expressão de perplexidade invadiu-lhe o rosto: “Tens que pôr mais Célio!” Depois de cortar muita da informação inicialmente pensada, após a minha intervenção, a opinião da audiência era consensual: “Deverias colocar mais histórias da tua carreira desportiva”. Nesta altura, percebi que aquilo que as pessoas estão interessadas em ouvir de nós são as nossas histórias pessoais; ninguém se vai recordar de datas, gráficos ou números de estudos. Como me disse a Carla: “Tens que ter a certeza que a tua apresentação não poderia ser feita por mais ninguém.” Como fazê-lo? Relatar episódios íntimos em que aprendemos uma lição; descrever o percurso de carreira/vida de alguém que admiramos e que encerra uma moral. É nesta partilha que nos ligamos às nossas audiências. Vamos apimentar os nossos discursos com mais histórias?

“[Q]uanto mais pessoal é uma história mais universal ela pode tornar-se.”

VAMOS PARTILHAR!

Todos nós temos histórias inspiradoras, uma voz que merece ser ouvida. Que tal transmitir as nossas ideias de uma forma carismática e estruturada? Muitas mensagens se perdem porque não somos capazes de traduzir os nossos pensamentos por miúdos, ou seja, em palavras que os nossos ouvintes são capazes de perceber. A comunicação é essencial e, num mundo cada vez mais tecnológico, é uma capacidade que exige dedicação e trabalho. Não existem aplicações ou atalhos para a melhorar: a única forma é realmente conversarmos cada vez mais. Quem sabe se algum de vocês tem a próxima grande ideia que irá revolucionar o mundo? Será que sabem como comunicá-la devidamente no sentido de a encaminhar ao sucesso? A Carla Rocha com este livro pode ajudar-vos nesse processo. Comprem-no e mergulhem neste ginásio da comunicação; fortaleçam os vossos músculos e espalhem mensagens inspiradoras (Todos nós precisamos de inspiração, nunca é demais!) Vais aceitar o desafio?

“É durante uma conversa que tomamos consciência das nossas fraquezas, dos nossos pontos fortes e estreitamos ligações.”


FOTOGRAFIA

Ana Rita Lima – colaboradora no “Days of Light and Fights”

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A MONTANHA É O CAMINHO

A montanha é o caminho: não é o obstáculo. A cada segundo estamos a decidir o nosso futuro, num presente em que o passado é sempre uma interferência. Sonhar: um romper inconsciente com os passados – no entanto, presentes – grilhões. É neste rompimento de paradigma que a vida ganha novas cores: uma força e um sentido. Quando olhamos para a montanha somos esmagados pela sua beleza, pela sua magnitude: somos crucificados pelos nossos medos e inseguranças; neste momento: surge a dúvida, vem a revolta… Somos consumidos pela revolta! Protestamos contra a natureza da montanha: os seus vales, as suas curvas, as suas árvores; ameaçamos a sua essência. Contudo: a ira nunca foi uma boa conselheira! Mas, quando o Sol se põe e nós não somos mais do que um destroço caído no chão, atirados por um movimento de alma, é que a verdade vem: a montanha é o caminho! O sucesso é apenas para aqueles que decidem escalar as suas subidas íngremes e se expõem à brutalidade das suas rochas. A frustração é o caminho. A tristeza é o caminho. O percurso da montanha: é o caminho.