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A ORIGEM

A novidade rasga os velhos hábitos paradigmáticos instaurados na mente pelo sedentarismo; trás frescura onde outrora existia restos de preguiça que não permitem o avanço. Quando criei o blogue foi com a intenção deliberada de te fazer chegar conteúdos que te obrigassem a pensar e te descalçassem – retirando-te o conforto de uma noção mais exacerbada e influente do ego.

Não pensar significa que aceitamos sem noção crítica o que nos envolve, mantendo ativo o espírito que pode corromper os enérgicos traços da criança que há em nós ansiosa para responder a um «porquê»! Mantermo-nos curiosos é tudo aquilo que fortifica e unifica uma entidade geradora de humanidade e integração nos quais se dá resposta à caridade humanitária.

Se não nos questionarmos deixamos que nos nossos olhos se enraíze o pragmatismo estático e imóvel que fermenta uma potencial necessidade de desconstrução do outro que somos nós. Se absorvermos com inércia estacionária o mundo que nos envolve corremos o risco de nos distanciarmos da essência que alberga o mais necessitado. Não te esqueças – Está tudo em Ti!

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PSIQUIATRIA E SAÚDE MENTAL – OS DESAFIOS DE UM ATLETA COM UMA DOENÇA MENTAL – PARTE XVII

Hoje é o Dia Mundial da Doença Mental; neste dia, como doente mental, gostaria de fazer um enaltecimento a todas as pessoas que vivem na mesma condição que eu.

Enquanto pessoa que luta todos os dias contra o estigma da doença mental gostaria de deixar uma palavra para o público que não tem a capacidade de calçar os sapatos de quem constantemente luta a favor da sua emancipação enquanto ser humano; não esperamos que tu nos aceites mas simplesmente respeites a nossa vulnerabilidade.

Acredita em mim quando te digo que não é fácil. Todos nós temos os nossos defeitos inseguranças, pontos menos fortes ou positivos; um doente mental tem tudo isso mais uma pedra que pesa toneladas às suas costas e da qual não se consegue desembaraçar com a facilidade de quem bebe um copo de água. É TRAMADO viver neste limiar da existência humana onde somos sugados para os mais cavernosos e obscuros buracos da consciência inconsciente que nos atira para um mar de sargaço onde reina a incerteza de uma novidade incerta e modificada ao ritmo das perturbações neuronais de que somos castrados.

Sê mais humanista e abraça uma causa que pode não criar um vínculo de identificação, mas que participa da tua essência. Se lutas todos os dias para ser uma pessoa melhor, veste a tua camisola e sai à rua com um sorriso no rosto porque nunca serás colocado em causa por ninguém exceto por ti mesmo. Não te esqueças – Está tudo em Ti!

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PSIQUIATRIA E SAÚDE MENTAL – OS DESAFIOS DE UM ATLETA COM UMA DOENÇA MENTAL – PARTE XVI

Hoje o dia começou de uma forma totalmente diferente. Ontem meti como objetivo acordar às 5 horas da manhã, correr, meditar; fazer um processo de visualização e ler durante alguns minutos.

Na escuridão da madrugada irrompi determinado em conquistar os meus objetivos. Estou numa fase bastante motivadora da minha vida porque sinto que a cada dia estou a cumprir a minha missão: tal como aconteceu hoje no programa Agora Nós onde fui entrevistado pela Tânia Ribas de Oliveira e pelo Zé Pedro numa entrevista fluída, dinâmica e cheia de amor de ambas as partes. Senti um enorme respeito da parte dos apresentadores pela minha história, mas mais do que respeito o que eu quero tocar são corações feridos, magoados ou de alguma forma endurecidos pela vida. Por vezes a vida pode ser bastante dura e, neste processo de revelação e conquistas, pode existir uma calcificação do coração como defesa do perigo e da desilusão!

Estou agradecido a Deus e aos meus orixás por me permitirem viver a minha vida da forma que agora estou a determiná-la. Quero impactar o mundo nas minhas três valências de polarização: doença mental, racismo e homofobia; acredito que o meu testemunho pode levar uma mensagem de esperança a muitas pessoas! Qual é o impacto que queres deixar no planeta? Não te esqueças – Está tudo em Ti!

 

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PSIQUIATRIA E SAÚDE MENTAL – OS DESAFIOS DE UM ATLETA COM UMA DOENÇA MENTAL – PARTE XV

“Já vi que não queres ser ajudado: entregas-te à calanzisse; a mãe já não fala mais!”

Foram estas as palavras que me acordaram hoje de manhã; de facto, estou com uma dificuldade em acertar as horas de sono e, como resultado, acordo sempre bastante tarde – a medicação também faz das suas no que a este departamento se faz referência. Mas factos são factos; a verdade é que me demorei mais tempo na cama e a minha mãe não gostou disso. No entanto, também é verdade que ela não faz parte do meu mundo interno e não se apercebe do imenso esforço que faço para acordar mais cedo.

O dia prosseguiu. Comi a comida da terra e senti-me na disposição de enfrentar o mundo e os desafios da minha doença mental (as vozes hoje estavam mais baixinhas!). Fui beber café com os meus pais no meu café de eleição – Doce Impakto –, depois segui em direção a Lisboa para ser entrevistado pela rádio Aurora no Hospital Júlio de Matos.

A rádio Aurora luta para uma sociedade mais saudável e justa através da emissão de depoimentos que combatem a estigmatização da doença mental – uma das minhas valências e polarizações na luta por um mundo mais igualitário e com mais amor.

Numa conversa dinâmica e descontraída a entrevista dividiu-se em três segmentos: 1) o meu olhar sobre a problematização da doença mental; 2) quais as soluções por mim propostas para o combate ao estigma; 3) de que forma eu vivo a minha doença mental.

Foi uma entrevista muito interessante e da qual nascerão vários frutos. Fiquem atentos às notícias. Não te esqueças – Está tudo em Ti!

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PSIQUIATRIA E SAÚDE MENTAL – OS DESAFIOS DE UM ATLETA COM UMA DOENÇA MENTAL – PARTE XIII

O Outono irrompe pela margem de tempo mais discreta, pois o calor do Verão continua a manifestar-se em toda a sua magnitude; isto faz-me recuar no tempo e condimentar na minha tenacidade enquanto atleta de alta competição. Não sei porque relaciono os dois acontecimentos, mas na minha consciência tempera-se esta verdade inexorável esculpida num tempo ido e passado que imprimiu na minha memória a saudade do cheiro a suor e a atmosfera bafia do centro de treinos.

Até a doença mental se ter manifestado na minha vida eu era este homem forte e corajoso capaz de enfrentar qualquer desafio. No momento em que escrevo estas palavras desprende-se do meu entendimento a imagem do jovem rebelde que ia para a rua para lutar com os rapazes mais maturados para desta forma impor a sua virilidade de menino inocente e assustado.

Toda a zanga nasce de um conflito interior que se quer cingir numa violência ao seu agressor. Sinto-me desta forma; violentado por um presente que a custo me rouba aqui ou ali um sorriso forçado e que encontra a sua natural lhaneza na minha interioridade sensível e variável que se quer transmitir ao mundo numa forma refinada de Amor e sentido de Justiça que imperam na minha ancestralidade africana.

Tudo o que existe em mim é um homem que quer – e vai – vencer a doença mental e evocá-la para um elevado patamar energético onde as emoções verdadeiras se fundem e convencem com a sua frescura renovada. Já pensaste quantas pessoas a tua história pode inspirar? Não te esqueças – Está tudo em Ti!

O Outono irrompe pela margem de tempo mais discreta, pois o calor do Verão continua a manifestar-se em toda a sua magnitude; isto faz-me recuar no tempo e condimentar na minha tenacidade enquanto atleta de alta competição. Não sei porque relaciono os dois acontecimentos, mas na minha consciência tempera-se esta verdade inexorável esculpida num tempo ido e passado que imprimiu na minha memória a saudade do cheiro a suor e a atmosfera bafia do centro de treinos.

Até a doença mental se ter manifestado na minha vida eu era este homem forte e corajoso capaz de enfrentar qualquer desafio. No momento em que escrevo estas palavras desprende-se do meu entendimento a imagem do jovem rebelde que ia para a rua para lutar com os rapazes mais maturados para desta forma impor a sua virilidade de menino inocente e assustado.

Toda a zanga nasce de um conflito interior que se quer cingir numa violência ao seu agressor. Sinto-me desta forma; violentado por um presente que a custo me rouba aqui ou ali um sorriso forçado e que encontra a sua natural lhaneza na minha interioridade sensível e variável que se quer transmitir ao mundo numa forma refinada de Amor e sentido de Justiça que imperam na minha ancestralidade africana.

Tudo o que existe em mim é um homem que quer – e vai – vencer a doença mental e evocá-la para um elevado patamar energético onde as emoções verdadeiras se fundem e convencem com a sua frescura renovada. Já pensaste quantas pessoas a tua história pode inspirar? Não te esqueças – Está tudo em Ti!

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PSIQUIATRIA E SAÚDE MENTAL – OS DESAFIOS DE UM ATLETA COM UMA DOENÇA MENTAL – PARTE XII

As paredes quentes respiravam a atmosfera densa e étnica das pessoas que passavam pelas ruas; umas com caras de felicidade, outras com caras menos felizes – mas todas unificadas num passado ancestral rico e precioso que lhes está cunhado desde a nascença. Um homem fumava um pensativo cigarro sendo a sua cor um contraste claro com a povoação que lhe circundava; no entanto, existia algo na sua disposição corporal que indicava que ele, para além de familiarizado, fazia parte de toda a moldura cénica.

Perante este cenário, havia um negro que andava nervosamente devido ao seu atraso para o compromisso que lhe esperava. Trazia com uma certa elegância o quimono que herdou da arte sagrada que lhe aperfilhou enquanto jovem rebelde e castiço. O gingar das suas ancas transpirava a cultura que passou do pai do seu pai do seu pai. A sua postura deixava antever uma profusão de nações que encontravam o seu encontro no sorriso – discreto – pincelado na sua face.

Enquanto caminhava, deixava para trás todas as contradições (ansiosas por darem as mãos!); embora a sua composição física fosse atlética, o mais atento dos olhares desnudava uma certa lentidão na démarche e um baloiçar de braços pouco convencional para um desportista. O seu rosto elevava a sua condição débil pois naquela composição quase teatral observava-se uma determinação voraz.

O homem negro desta historia sou eu e o meu sorriso existe porque sei que conto com o teu apoio para superar esta fase mais conturbada. Ainda que o teu estado mental não te permita estar com a alegria que desejas, acredita que a vida tem sempre um abraço para te reconfortar. As minhas vozes são as escadas da elevada montanha que tenho que escalar mas sou eu que decido o meu destino. Quem é o condutor da tua vida? Não te esqueças – Está tudo em ti!

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PSIQUIATRIA E SAÚDE MENTAL – OS DESAFIOS DE UM ATLETA COM UMA DOENÇA MENTAL – PARTE X

Naquela noite em que a minha mãe me disse que eu não ia prosseguir os meus estudos devo-me ter sentido como o céu se deve sentir numa noite sem estrelas; todas as minhas constelações perderam o seu encanto e nas galáxias – onde existia um brilho sideral – pairava agora a sombra de uma carreira que se via por cumprir com um grande desencanto. Mas como vos contei ontem a minha estrelinha brilhou na imensa escuridão que se proporcionava no manto celestial e eu consegui uma oportunidade inédita: estudar no prestigiado Colégio São João de Brito através de uma bolsa de estudos. Mas como isto aconteceu? É caso para dizer que o esforço compensa sempre: nesse ano, após a conclusão dos exames finais, o padre Abel Bandeira (que fora meu professor de Religião e Moral) levou os meus exames para o Colégio no sentido de me ser adjudicada uma atenção especial fase ao talento intelectual que emanava dos meus genes negros; como resultado final dessa apreciação consegui um aval positivo e a oportunidade surgiu no início da manhã seguinte onde todas as minhas estrelas voltaram a brilhar. Como também adiantei no artigo de ontem não foi uma oportunidade acolhida com todo o entusiasmo.

 

O MUNDO NOVO

Enquanto o padre Abel me contava acerca dos detalhes do Colégio, o pânico gerou-se dentro da minha cabeça confusa e preconceituosa: o que vai fazer um puto do bairro no meio de um bando de meninos mimados? De certeza que vou ser discriminado! Quando me sinto assim aflito em tomar uma decisão falo com a minha mãe. O seu pragmatismo é o bálsamo para as minhas feridas. Como qualquer mãe diria, a minha progenitora aconselhou-me a aceitar a proposta e que o preconceito estava a ser gerado pelo meu medo de me adrentar por um terreno desconhecido. Acabei por dizer um sim receoso! Mas não me aventurei nesta jornada sozinho; iria-me fazer companhia a minha melhor amiga de infância – a formidável e fantástica Inês Pereira (atualmente hospedeira de bordo). Sentia-me protegido; enquanto a minha cara mostrava medo, a minha amiga tinha a sua cara habitual – Quem se meter comigo está feito! Não deveriam os homens proteger as mulheres? Pois bem, nesta história de encantar a Inês era o príncipe e eu era a princesa. “Oh colega (ainda hoje nos tratamos assim) por amor de Deus” – dir-me-ia sempre que os meus neurónios começavam a colidir como pequenos asteróides. Lembro-me do primeiro dia de aulas: senti-me esmagado pelas proporções do Colégio, na minha cabeça tudo era demasiado grande – uma capela enorme, corredores a perder de vista, laboratórios equipados; auditórios, campos de ténis, piscina, tudo e mais um par de botas como se costuma dizer. Fiquei a olhar para o Colégio como um burro para um palácio! As diferenças para a nossa escola básica eram abissais: os conflitos e a porrada não existiam (era tudo uma paz tirando o reboliço próprio das idades juvenis); quando os alunos se portavam mal eram gentilmente convidados a sair e estes acatavam as regras (onde estavam as respostas tortas e caras de aborrecimento?); os patifes a pedir dinheiro eram substituídos por crianças a pagar pequenos almoços com notas de cinquenta euros – quando eu na maioria das vezes não tinha dinheiro para o pagar-; haviam dois responsáveis por cada piso (aonde estavam as mil contínuas)… Podia continuar a lista de diferenças a noite toda…

 

QUEBRAR O GELO

Todos as minhas ideias pré-concebidas caíram por terra: nunca fui discriminado, existia um natural interesse dos alunos em aproximarem-se de mim (mas eu colocaria barreiras a estas tentativas até ao final do 10º Ano), os professores tinham uma genuína  paixão pelo ensino e forneciam-me aulas extra sempre que eu faltava às aulas (de outra forma teria sido impossível conciliar os estudos com a carreira da alta competição; o meu professor de Educação Física deixava-me perder peso durante as aulas). Estavam todas as condições reunidas para eu conseguir alcançar os meus objetivos. Saí do Colégio a escrever melhor, a ler livros e mais comunicativo e expansivo – contrariando a minha natureza mais introvertida. Foi uma experiência apaixonante e enriquecedora a todos os níveis e deu-me um know-how diferente no que toca à capacidade de trabalho e exigência.

 

NOVOS DESAFIOS

Sempre que uma oportunidade te bater à porta não sejas como eu. Adopta uma postura confiante e acredita nas tuas capacidades. Vais ser desafiado mas no final das contas vai valer a pena. Não te esqueças – Está tudo em Ti!

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PSIQUIATRIA E SAÚDE MENTAL – UM ATLETA COM UMA DOENÇA MENTAL – PARTE VIII

Hoje não estou a ter um dia fácil mas estou a fazer um esforço para me manter positivo: as vozes estão a atormentar-me desde manhã; não é fácil gerir o meu mundo interno e coordená-lo com o meio físico que me envolve. Quando me sinto assim é como se estivesse fora da realidade e alguém comandasse o meu corpo; é como se o verdadeiro Célio fosse submerso num mar de sargaço e fosse difícil manter-me à tona. Estou, de repente, no  meio de areias movediças e quanto mais luto para sair mais me afundo. No entanto, estou contente porque apesar de tudo consigo cumprir as minhas tarefas diárias. Já não estou a tomar um dos comprimidos para dormir – o Morfex – o que já representa uma vitória.

 

BOLA DE NEVE

Esta minha nova condição psiquiátrica é uma total novidade para mim. Mas o que será a causa de todos estes pensamentos obsessivos e sem sentido? Existem duas possibilidades: a primeira relaciona-se com o meu passado e outra com um traço de personalidade. Por um lado, possíveis traumas de infância  estarão neste momento a emergir; é como se as peças de roupa tivessem todas trocadas e espalhadas pelo chão do meu subconsciente, de súbito, surge uma personagem que pede que tudo aquilo seja arrumado e organizado. Esta personagem que surge são as vozes que emanam deste cenário desorganizado para dizerem à minha matéria consciente para que tudo seja limpo. Por outro lado, a minha incapacidade de ser flexível comigo próprio pode explicar o quadro sintomatológico. Todas estas pressões resultam nesta combinação explosiva.

 

UM FOCO NO FUTURO

O que me ajuda a sobreviver nestas situações é a crença num Bem maior e que equaliza as minhas forças positivas e negativas. Quando te sentes submerso pela negatividade o que te ajuda a sobreviver? Escreve-me (celio.ucha.dias@gmail.com) a contar a tua história. Não te esqueças – Está tudo em Ti!

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PSIQUIATRIA E SAÚDE MENTAL – UM ATLETA COM UMA DOENÇA MENTAL – PARTE VII

Os seres humanos nasceram com duas necessidades básicas: serem amados e evitar o sofrimento; por um lado, desejamos sentirmo-nos importantes e queridos, mas, por outro lado, desejamos não sofrer. Como a doença mental já me trouxe o sofrimento que tenho vindo a relatar nos artigos anteriores, hoje venho contar-vos a história da minha adopção.

 

UM FILHO DESEJADO

Os meus pais são refugiados: vieram para Portugal em 1975 para fugir à guerra colonial. Vieram para Portugal sem conhecer ninguém e sem nada. Passaram das fazendas e lavadeiras de Angola para enfrentar a pobreza e a fome num país que os acolheria com os braços semi-abertos – isto porque o apoio que muitos refugiados receberam foi deficitário e o cenário que foi proporcionado aos meus pais foi onde reinada a incerteza do dia de amanhã. Passou-se fome e privações; a primeira habitação dos meus pais foi um barracão de lata sem casa de banho e minado de insetos, répteis e roedores. Longas são as tardes em que me sento na cozinha a ouvir as histórias que a minha mãe conta acerca destes tempos longínquos. Quando fui parar às mãos da minha mãe tinha quinze dias; na altura ela tomava conta de crianças como modo de subsistência. Quando celebrei um mês fiquei ao total encardo de uma família pobre constituída pelo meu pai, pela minha mãe e pelos meus seis irmãos (tenho quinze sobrinhos!). Nesta altura fui acolhido no ceio de uma família que me acolheu de abraços abertos: que amor é este que quebra as barreiras do preconceito e da discriminação? (A minha família é toda branca!); que amor é este  que acolhe nas mãos um novo rebento e decide deliberadamente iluminá-lo com a sua luz?

Quero que fiques a pensar nestas questões e no poder de um amor que quebra barreiras: Não te esqueças – Está tudo em Ti!

 

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PSIQUIATRIA E SAÚDE MENTAL – UM ATLETA COM UMA DOENÇA MENTAL – PARTE VI

Hoje estou a ter um dia complicado porque estou a ouvir as vozes desde o período da manhã e como se não basta-se estou a ter problemas no back office do site. Mas asssumi um compromisso diário contigo que não o vou quebrar. Hoje partilho contigo a minha frustração e o meu lado menos bonito, o Célio não tão brilhante. Aceitas-me desta forma?

Queres partilhar o teu dia comigo? Escreve-me (celio.ucha.dias@gmail.com). Lembra-te que tens em ti todos os sonhos do mundo: Está tudo em ti!

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NEGRITUDE E ALGODÃO

Os corpos transpirados transportam o algodão para a casa dos senhorios onde serão flagelados pela fome e corrompidos pela desgraça e falta de humanidade. O branco das fibras é manchado pelo sangue que jorra da carne cansada e destruída pelo trabalho escravo. A luta pela vida é diária assim como o é o desrespeito pelos direitos humanos.

É neste cenário que os meus antepassados foram agredidos, violados e mortos. As feridas da Escravatura encontram-se abertas na minha dimensão humana e o sangue – quente – de que delas escorre é evidência de alguém que é agredido pelo seu passado. (Meu Deus: Batiza-me; renova em mim a promessa de uma vida livre e generosa – abençoada!).

A Educação é o perdão de que todos os negros necessitam, mas muitas vezes revela-se insuficiente quando nos beijam na boca e nos cospem para o interior de uma abertura que se vê silenciada pela dor. Ainda choro todas as chicotadas que levei e me fustigaram o corpo. Que a Educação seja o bálsamo de todas as feridas. Está tudo em Ti!

CARTER B. REY

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METAFÍSICA DO MATERIALISMO

Vivemos apegados aos objetos materiais. É para eles que vivemos e é sobre eles que edificamos as nossas vidas. A Sociedade ensina-nos um consumismo desmedido e nessa medida perdemo-nos. O sentido da vida, se existir algum, não é a aquisição de bens materiais mas antes o desenvolvimento de uma vida espiritual profunda e séria.

A felicidade que advém do adquirir é um sentimento epidérmico, não é auto-sustentável, não alimenta. Os bens materiais são grilhões que nos prendem e não nos deixam desenvolver e evoluir para um estádio de uma vida mais preenchida – este é o verdadeiro sentido da vida! Somos maiores do que os bens que nos preenchem a um nível superficial.

Jesus Cristo rasga com todo o caráter material da condição humana. O Cristianismo dá-nos um Deus que se fez pequenino; um Deus que poderia ter vindo ao mundo com todo o seu esplendor e glória, mas que preferiu conhecer o Humanismo e a carne de uma forma pobre, austera e livre de composições materiais. És maior que a tua dimensão física. Está tudo em Ti!

CARTER B. REY


Fotógrafo: Tomás Monteiro

Assistente de Fotografia: Irís Liliana

Make-up: Ani Toledo

Cabelo: Rui Rocha

Styling: Carter B. Rey

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A GRANDEZA DE SE SER PEQUENO

O que somos nós perante o Universo que se impõe? Quem somos nós perante a enormidade dos planetas e constelações? Não somos mais do que poeira sideral – cósmica – que se desvanece num leve sopro de uma brisa. Pensar no Universo é uma medida de humildade pois faz-nos pensar que, de facto, não somos nada; o Homem não é a medida de todas as coisas.

Temos um ego gigante que se interfere e deturpa a realidade. Neste gigantismo de alma perdemos a consciência de se ser pequeno. Quando nos reduzimos à nossa insignificância universal, atómica, percebemos que à um enorme espaço no caminho que nos precede. Quando somos humildes percebemos que há mais lugar a ser ocupado.

O ego é maior numa sociedade capitalista mas tem que existir um trabalho para a sua destruição para que possamos viver uma vida mais caridosa. Vamos ser a gota no oceano que contribui, na sua menoridade, para a imensidão azul em que todos nós nos vemos submersos. Vamos ser pequenos e aprender com o Universo – energia elétrica. Está tudo em Ti!

CARTER B. REY

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O ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

Muitas vezes estamos e vivemos num estado de cegueira permanentes. É uma cegueira aguda que não nos permite ver o que está diante dos nossos olhos e que nos fecha na nossa própria concha. É uma cegueira que nos agoniza as emoções e não nos permite estarmos congregados com a nossa essência; somos afastados da nossa condição humana.

Somos cegos quando decidimos não amar o próximo como a nós mesmos; somos cegos quando não estamos disponíveis para sermos seres de Caridade e Irmandade. A sociedade vive num atual estado de cegueira que não nos permite sermos maiores que a nossa individualidade. Somos ensinados a dobrar o joelho perante o ego que se generaliza num egoísmo.

Mas eis que chega Jesus Cristo – o Príncipe da Paz – para nos trazer a verdadeira luz do mundo. Quando Ele sopra sobre nós, somos capazes de enxergar a verdadeira natureza de um espírito de Caridade que vai beber ao Amor a unidade do Espírito Santo. Sai das trevas. Deixa-te iluminar pelo espírito de verdade e comunhão do Senhor. Está tudo em Ti!

CARTER B. REY

 


Fotógrafo: Tomás Monteiro

Assistente de Fotografia: Irís Liliana

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GUERRA DE MUDANÇAS

O cérebro é a máquina mais fascinante do Universo; continuamos a saber mais dados sobre a superfície de Marte do que da matéria cinzenta que comanda os nossos pensamentos e através da qual experienciamos o mundo que nos rodeia. De facto, a expressão deves escutar o teu coração devia ser mudada para deves escutar o teu cérebro.

No entanto, a afirmação anterior perderia todo o romantismo. Hoje falo do cérebro porque o que mais aprecio no seu funcionamento é o caráter treinável das suas funcionalidades. Assim, com o enquadramento teórico certo e com o especialista adequado, podemos treinar emoções, pensamentos e ideias… Até competências como a motivação e a resiliência.

Ao longo do meu percurso como atleta, alterei a minha estrutura mental de forma radical: passei do menino que se deixava perder com os amigos mais velhos do clube para o adulto com uma crença vital que foi aos Jogos Olímpicos. Se eu fui capaz de mudar a minha mente para uma mente campeã tu, com trabalho, também consegues! Está tudo em Ti!

CARTER B REY


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UM SONHO DE UM RECÉM-NASCIDO

Todos temos uma voz que merece ser escutada; no entanto, nem sempre encontramos a coragem necessária para nos expressar: muitas vezes somos silenciados pelo nosso medo de magoar outras pessoas pelo conteúdo da nossa mensagem. Existir significa deambular neste limbo em que se misturam as nossas vontades intrínsecas com as contradições externas.

Sempre encontrei esta dificuldade de me expressar, de me fazer compreender pelos outros. Esta foi a razão pela qual decidi criar este blogue. Sinto uma grande necessidade de me expressar e de comunicar os meus pensamentos ao mundo; escrever alivia-me a dor de pensar e permite-me ligar-me de uma forma mais compacta à realidade que me rodeia.

Acredito que todos nós viemos ao mundo com uma missão – uma mensagem que nos foi encriptada no coração. Se escutarmos a frequência da voz com que vento nos sopra ao ouvido, conseguiremos escutar o que Universo nos segreda ao Entendimento. Qual é a tua missão? Está tudo em ti!

CARTER B REY


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A IDADE DA ILUMINAÇÃO

 

Dia 1 de Janeiro de 2018:

Começa um novo ano e quero começar por desejar aos meus queridos leitores, que fielmente me acompanham, um excelente ano 2018. Espero que este seja um ano de conversão; por conversão entendo: um ano de transformação – um ano em que finalmente, com uma atitude fresca e renovada, retomamos o novo caminho –, uma nova jornada, com uma confiança e forças renovadas. O ano de 2017 foi um excelente ano para mim, mas soube-me a pouco… Desenvolveu-se uma necessidade de me voltar para fora de mim! A vida de atleta exige uma atitude egoísta para que os objetivos sejam alcançados; estamos constantemente a pensar nas horas de descanso que devem ser cumpridas, nas sessões de treino nas quais levaremos o nosso corpo ao limite, nas competições que se pintam no horizonte, nas medalhas que desejamos alcançar… Com efeito, gera-se um vórtice que alimenta o ego e que não permite que tenhamos a capacidade de nos devolvermos para fora de nós, de nos voltarmos para os outros.

Senti-me engolido por 2017 no sentido em que fui escravo do meu ego. Pensado melhor, houve momentos em que me poderia ter dado mais aos outros e não tive essa coragem. Madre Teresa de Calcutá, o expoente desta Caridade que se está a desenhar em mim, diz:

“Eu sei que o meu trabalho é uma gota no oceano, mas sem ele o oceano seria menor.”

Fui reduzido ao castigo dos meus projetos e ambições. Fui mais pobre. Neste empobrecimento de alma, brilhei menos, fui menor e não contribui com o meu trabalho para o oceano em todos nos nos vemos inevitavelmente mergulhados. Mas em 2018, neste primeiro dia do ano, que é dia Mundial da Paz quero pedir a Deus esta coragem em que está envolta o verdadeiro espírito da Caridade. Quero deixar-vos o mesmo convite. Desta forma, com a candura de uma criança recém-nascida, podemos perguntar: Neste ano que começa como posso eu contribuir para um mundo mais generoso – como poderei ser um Campeão do Serviço?

Este ano, para concretizar o meu desejo de ser mais para o meu semelhante, abracei três projetos de voluntariado. Vou trabalhar no Centro Juvenil e Comunitário Padre Amadeu Pinto – um místico valente que ficou célebre pela frase “Vamos fazer o bem bem feito” – com os jovens e crianças a dar explicações nas mais diversas disciplinas. Tenho dois explicandos, o Lucas e o Miguel – dois seres humanos em que a curiosidade é maior que a consciência de existir. Nesta mesma direção, a convite do NEP (Núcleo de Estudantes de Psicologia) vou trabalhar na Clínica Psiquiátrica de São José (com os meus três internamentos devido à minha doença mental certamente que terei algo a acrescentar a este projeto!). Finalmente, trabalhando com a população juvenil, vou abraçar uma missão no bairro do Zambujal a convite da minha antiga professora de Matemática do Colégio São João de Brito. Estou cheio de esperança e convencido que todas estas experiências me afagarão o Humanismo que me é inerente. Quero ser externo a mim e, nesta condição de partilha, quero voltar-me para o serviço que somos convidados a praticar por Jesus Cristo. (Peço a bênção de Deus para que nunca se atraiçoe no meu espírito o egoísmo que nos segrega numa menoridade!).

Neste dia Mundial da Paz – que cumpre o seu 51º aniversário – somos convidamos a refletir sobre as nossas ações no sentido de nos questionarmos se somos agentes promotores da paz – uma paz que permite a construção do reino de Deus (Parem por um instante: deixem-se ensopar por esta consciência…).

 

Penso que nesta reflexão desenvolve-se no espírito um enlightment, uma iluminação – em tudo semelhante à dos filósofos do século XVIII –, que nos permite uma aproximação ao Humanismo consomado no versículo 39 do Evangelho de São Mateus: “Ame o próximo como a si mesmo”. Nesta aproximação ao Deus que se fez Verbo encarnado, somos iluminados neste Ano Novo que começa e invitados a construir uma realidade mais generosa e congregadora que nos sopra um espírito de Caridade. De facto, o tema abraçado pelo Papa Francisco para o ano que começa “Migrantes e refugiados: homens e mulheres em busca de paz“ é evidência desta necessidade num mundo em que existe a carência desta reconciliação com a paz.

Quando nos damos aos outros, meditamos na nossa individualidade. É este gigantismo de alma que desejo para o ano de 2018; esta matéria que se compraz no meu entendimento e nele exprime a vontade de Deus. Todos nós podemos contribuir mas um mundo melhor, mas esse trabalho tem que começar em nós mesmos. Ninguém muda o mundo, se não se deixar atuar pelo Espírito Santo; esta consciência social é nos exigida veementemente – impõe-se e destrói ao ego! Desejo que em 2018 todos nós sejamos capazes de contribuir (da forma que nos for mais conveniente) para a Paz. Muitos de nós não têm tempo (devido à urgência e efemeridade do tempo real!) para se dedicar ao voluntariado, mas certamente que podemos ser agentes de Paz nas nossas famílias, com os seus amigos, no nosso local de trabalho… Este é o meu desafio para vocês: Como posso eu ser um agente de Paz no meu dia-a-dia em? Está tudo em ti!

CARTER B REY


 

Fotógrafo: Tomás Monteiro

Assistente de Fotografia: Irís Liliana

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Cabelo: Rui Rocha

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BAIRRO SOCIAL – A VANTAGEM ADAPTATIVA

Crescer num bairro social é desafiante a todos os níveis. Pese embora todas as dificuldades que enfrentei, considero que ter esta experiência enriqueceu-me enquanto pessoa e tornou-me mais resiliente. Tive inúmeras experiências que me transformaram e modificaram o meu posicionamento no mundo e o modo como observo a vida. Um bairro social é o estado puro das emoções e sentimentos; não existem falsas apreciações ou falsos testemunhos. Tudo tem um exagero de naturalidade. No bairro somos espontâneos e genuínos.

O bairro foi o contexto que me preparou para viver a vida de atleta de alta competição uma vez que a minha estrutura psicológica foi ampliada no sentido de um crescimento ascendente no qual o desafio se fez sempre presente. Não tenho medo da competição: competir é o meu ambiente natural. Enquanto infante o meu passatempo preferido era sair à rua para me envolver em confrontos violentos com os meus pares; por isso, na competição, quando me saem no sorteio os atletas mais cotados, o meu corpo enche-se numa explosão de adrenalina e contentamento!

“O BAIRRO É A VIDA QUE SE COLHE, COMO PEQUENAS PLANTAÇÕES NA PRIMAVERA, NO QUOTIDIANO.”

Apesar de todas as dificuldades que enfrentei, tive a oportunidade única de crescer num contexto que, pelo seu caráter selvático, me afiou as garras para lutar com uma enorme determinação pelos meus objetivos e me dotou de uma tenacidade absolutamente envolvente. Deus entregou-me em mãos este desafio que abracei com uma enorme devoção. Eu necessito do bairro para existir: são lá que estão as minhas origens e é assim que me alimento quando os tempos se assumem mais dificultosos.

Todos somos teceleiros – com diferentes tipos de tecidos, agulhas, diferentes formas de abordagens e conceitos. Ao longo da vida as linhas dos nossos materiais podem-se assumir de diferentes espessuras e dimensões mas cabe-nos sempre a nós progredir com a obra que temos em mãos. O tecido tem que se desenvolver (é uma ação imperial!). O movimento das agulhas é da nossa responsabilidade; por isso, as dificuldades não são mais do que oportunidades para escalarmos nos nossos objetivos. O bairro é a Vida que se colhe, como pequenas plantações na Primavera, no quotidiano. O que vais decidir fazer com o bairro que te é dado a conhecer? Está tudo em ti.

CARTER B. REY