Arquivo de etiquetas: Desenvolvimento Pessoal

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NEGRITUDE E ALGODÃO

Os corpos transpirados transportam o algodão para a casa dos senhorios onde serão flagelados pela fome e corrompidos pela desgraça e falta de humanidade. O branco das fibras é manchado pelo sangue que jorra da carne cansada e destruída pelo trabalho escravo. A luta pela vida é diária assim como o é o desrespeito pelos direitos humanos.

É neste cenário que os meus antepassados foram agredidos, violados e mortos. As feridas da Escravatura encontram-se abertas na minha dimensão humana e o sangue – quente – de que delas escorre é evidência de alguém que é agredido pelo seu passado. (Meu Deus: Batiza-me; renova em mim a promessa de uma vida livre e generosa – abençoada!).

A Educação é o perdão de que todos os negros necessitam, mas muitas vezes revela-se insuficiente quando nos beijam na boca e nos cospem para o interior de uma abertura que se vê silenciada pela dor. Ainda choro todas as chicotadas que levei e me fustigaram o corpo. Que a Educação seja o bálsamo de todas as feridas. Está tudo em Ti!

CARTER B. REY

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METAFÍSICA DO MATERIALISMO

Vivemos apegados aos objetos materiais. É para eles que vivemos e é sobre eles que edificamos as nossas vidas. A Sociedade ensina-nos um consumismo desmedido e nessa medida perdemo-nos. O sentido da vida, se existir algum, não é a aquisição de bens materiais mas antes o desenvolvimento de uma vida espiritual profunda e séria.

A felicidade que advém do adquirir é um sentimento epidérmico, não é auto-sustentável, não alimenta. Os bens materiais são grilhões que nos prendem e não nos deixam desenvolver e evoluir para um estádio de uma vida mais preenchida – este é o verdadeiro sentido da vida! Somos maiores do que os bens que nos preenchem a um nível superficial.

Jesus Cristo rasga com todo o caráter material da condição humana. O Cristianismo dá-nos um Deus que se fez pequenino; um Deus que poderia ter vindo ao mundo com todo o seu esplendor e glória, mas que preferiu conhecer o Humanismo e a carne de uma forma pobre, austera e livre de composições materiais. És maior que a tua dimensão física. Está tudo em Ti!

CARTER B. REY


Fotógrafo: Tomás Monteiro

Assistente de Fotografia: Irís Liliana

Make-up: Ani Toledo

Cabelo: Rui Rocha

Styling: Carter B. Rey

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A GRANDEZA DE SE SER PEQUENO

O que somos nós perante o Universo que se impõe? Quem somos nós perante a enormidade dos planetas e constelações? Não somos mais do que poeira sideral – cósmica – que se desvanece num leve sopro de uma brisa. Pensar no Universo é uma medida de humildade pois faz-nos pensar que, de facto, não somos nada; o Homem não é a medida de todas as coisas.

Temos um ego gigante que se interfere e deturpa a realidade. Neste gigantismo de alma perdemos a consciência de se ser pequeno. Quando nos reduzimos à nossa insignificância universal, atómica, percebemos que à um enorme espaço no caminho que nos precede. Quando somos humildes percebemos que há mais lugar a ser ocupado.

O ego é maior numa sociedade capitalista mas tem que existir um trabalho para a sua destruição para que possamos viver uma vida mais caridosa. Vamos ser a gota no oceano que contribui, na sua menoridade, para a imensidão azul em que todos nós nos vemos submersos. Vamos ser pequenos e aprender com o Universo – energia elétrica. Está tudo em Ti!

CARTER B. REY

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O ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

Muitas vezes estamos e vivemos num estado de cegueira permanentes. É uma cegueira aguda que não nos permite ver o que está diante dos nossos olhos e que nos fecha na nossa própria concha. É uma cegueira que nos agoniza as emoções e não nos permite estarmos congregados com a nossa essência; somos afastados da nossa condição humana.

Somos cegos quando decidimos não amar o próximo como a nós mesmos; somos cegos quando não estamos disponíveis para sermos seres de Caridade e Irmandade. A sociedade vive num atual estado de cegueira que não nos permite sermos maiores que a nossa individualidade. Somos ensinados a dobrar o joelho perante o ego que se generaliza num egoísmo.

Mas eis que chega Jesus Cristo – o Príncipe da Paz – para nos trazer a verdadeira luz do mundo. Quando Ele sopra sobre nós, somos capazes de enxergar a verdadeira natureza de um espírito de Caridade que vai beber ao Amor a unidade do Espírito Santo. Sai das trevas. Deixa-te iluminar pelo espírito de verdade e comunhão do Senhor. Está tudo em Ti!

CARTER B. REY

 


Fotógrafo: Tomás Monteiro

Assistente de Fotografia: Irís Liliana

Make-up: Ani Toledo

Cabelo: Rui Rocha

Styling: Carter B. Rey

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GUERRA DE MUDANÇAS

O cérebro é a máquina mais fascinante do Universo; continuamos a saber mais dados sobre a superfície de Marte do que da matéria cinzenta que comanda os nossos pensamentos e através da qual experienciamos o mundo que nos rodeia. De facto, a expressão deves escutar o teu coração devia ser mudada para deves escutar o teu cérebro.

No entanto, a afirmação anterior perderia todo o romantismo. Hoje falo do cérebro porque o que mais aprecio no seu funcionamento é o caráter treinável das suas funcionalidades. Assim, com o enquadramento teórico certo e com o especialista adequado, podemos treinar emoções, pensamentos e ideias… Até competências como a motivação e a resiliência.

Ao longo do meu percurso como atleta, alterei a minha estrutura mental de forma radical: passei do menino que se deixava perder com os amigos mais velhos do clube para o adulto com uma crença vital que foi aos Jogos Olímpicos. Se eu fui capaz de mudar a minha mente para uma mente campeã tu, com trabalho, também consegues! Está tudo em Ti!

CARTER B REY


Fotógrafo: Tomás Monteiro

Assistente de Fotografia: Irís Liliana

Make-up: Ani Toledo

Cabelo: Rui Rocha

Styling: Carter B. Rey

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UM SONHO DE UM RECÉM-NASCIDO

Todos temos uma voz que merece ser escutada; no entanto, nem sempre encontramos a coragem necessária para nos expressar: muitas vezes somos silenciados pelo nosso medo de magoar outras pessoas pelo conteúdo da nossa mensagem. Existir significa deambular neste limbo em que se misturam as nossas vontades intrínsecas com as contradições externas.

Sempre encontrei esta dificuldade de me expressar, de me fazer compreender pelos outros. Esta foi a razão pela qual decidi criar este blogue. Sinto uma grande necessidade de me expressar e de comunicar os meus pensamentos ao mundo; escrever alivia-me a dor de pensar e permite-me ligar-me de uma forma mais compacta à realidade que me rodeia.

Acredito que todos nós viemos ao mundo com uma missão – uma mensagem que nos foi encriptada no coração. Se escutarmos a frequência da voz com que vento nos sopra ao ouvido, conseguiremos escutar o que Universo nos segreda ao Entendimento. Qual é a tua missão? Está tudo em ti!

CARTER B REY


Fotógrafo: Tomás Monteiro

Assistente de Fotografia: Irís Liliana

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A IDADE DA ILUMINAÇÃO

 

Dia 1 de Janeiro de 2018:

Começa um novo ano e quero começar por desejar aos meus queridos leitores, que fielmente me acompanham, um excelente ano 2018. Espero que este seja um ano de conversão; por conversão entendo: um ano de transformação – um ano em que finalmente, com uma atitude fresca e renovada, retomamos o novo caminho –, uma nova jornada, com uma confiança e forças renovadas. O ano de 2017 foi um excelente ano para mim, mas soube-me a pouco… Desenvolveu-se uma necessidade de me voltar para fora de mim! A vida de atleta exige uma atitude egoísta para que os objetivos sejam alcançados; estamos constantemente a pensar nas horas de descanso que devem ser cumpridas, nas sessões de treino nas quais levaremos o nosso corpo ao limite, nas competições que se pintam no horizonte, nas medalhas que desejamos alcançar… Com efeito, gera-se um vórtice que alimenta o ego e que não permite que tenhamos a capacidade de nos devolvermos para fora de nós, de nos voltarmos para os outros.

Senti-me engolido por 2017 no sentido em que fui escravo do meu ego. Pensado melhor, houve momentos em que me poderia ter dado mais aos outros e não tive essa coragem. Madre Teresa de Calcutá, o expoente desta Caridade que se está a desenhar em mim, diz:

“Eu sei que o meu trabalho é uma gota no oceano, mas sem ele o oceano seria menor.”

Fui reduzido ao castigo dos meus projetos e ambições. Fui mais pobre. Neste empobrecimento de alma, brilhei menos, fui menor e não contribui com o meu trabalho para o oceano em todos nos nos vemos inevitavelmente mergulhados. Mas em 2018, neste primeiro dia do ano, que é dia Mundial da Paz quero pedir a Deus esta coragem em que está envolta o verdadeiro espírito da Caridade. Quero deixar-vos o mesmo convite. Desta forma, com a candura de uma criança recém-nascida, podemos perguntar: Neste ano que começa como posso eu contribuir para um mundo mais generoso – como poderei ser um Campeão do Serviço?

Este ano, para concretizar o meu desejo de ser mais para o meu semelhante, abracei três projetos de voluntariado. Vou trabalhar no Centro Juvenil e Comunitário Padre Amadeu Pinto – um místico valente que ficou célebre pela frase “Vamos fazer o bem bem feito” – com os jovens e crianças a dar explicações nas mais diversas disciplinas. Tenho dois explicandos, o Lucas e o Miguel – dois seres humanos em que a curiosidade é maior que a consciência de existir. Nesta mesma direção, a convite do NEP (Núcleo de Estudantes de Psicologia) vou trabalhar na Clínica Psiquiátrica de São José (com os meus três internamentos devido à minha doença mental certamente que terei algo a acrescentar a este projeto!). Finalmente, trabalhando com a população juvenil, vou abraçar uma missão no bairro do Zambujal a convite da minha antiga professora de Matemática do Colégio São João de Brito. Estou cheio de esperança e convencido que todas estas experiências me afagarão o Humanismo que me é inerente. Quero ser externo a mim e, nesta condição de partilha, quero voltar-me para o serviço que somos convidados a praticar por Jesus Cristo. (Peço a bênção de Deus para que nunca se atraiçoe no meu espírito o egoísmo que nos segrega numa menoridade!).

Neste dia Mundial da Paz – que cumpre o seu 51º aniversário – somos convidamos a refletir sobre as nossas ações no sentido de nos questionarmos se somos agentes promotores da paz – uma paz que permite a construção do reino de Deus (Parem por um instante: deixem-se ensopar por esta consciência…).

 

Penso que nesta reflexão desenvolve-se no espírito um enlightment, uma iluminação – em tudo semelhante à dos filósofos do século XVIII –, que nos permite uma aproximação ao Humanismo consomado no versículo 39 do Evangelho de São Mateus: “Ame o próximo como a si mesmo”. Nesta aproximação ao Deus que se fez Verbo encarnado, somos iluminados neste Ano Novo que começa e invitados a construir uma realidade mais generosa e congregadora que nos sopra um espírito de Caridade. De facto, o tema abraçado pelo Papa Francisco para o ano que começa “Migrantes e refugiados: homens e mulheres em busca de paz“ é evidência desta necessidade num mundo em que existe a carência desta reconciliação com a paz.

Quando nos damos aos outros, meditamos na nossa individualidade. É este gigantismo de alma que desejo para o ano de 2018; esta matéria que se compraz no meu entendimento e nele exprime a vontade de Deus. Todos nós podemos contribuir mas um mundo melhor, mas esse trabalho tem que começar em nós mesmos. Ninguém muda o mundo, se não se deixar atuar pelo Espírito Santo; esta consciência social é nos exigida veementemente – impõe-se e destrói ao ego! Desejo que em 2018 todos nós sejamos capazes de contribuir (da forma que nos for mais conveniente) para a Paz. Muitos de nós não têm tempo (devido à urgência e efemeridade do tempo real!) para se dedicar ao voluntariado, mas certamente que podemos ser agentes de Paz nas nossas famílias, com os seus amigos, no nosso local de trabalho… Este é o meu desafio para vocês: Como posso eu ser um agente de Paz no meu dia-a-dia em? Está tudo em ti!

CARTER B REY


 

Fotógrafo: Tomás Monteiro

Assistente de Fotografia: Irís Liliana

Make-up: Ani Toledo

Cabelo: Rui Rocha

Styling: Carter B. Rey

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BAIRRO SOCIAL – A VANTAGEM ADAPTATIVA

Crescer num bairro social é desafiante a todos os níveis. Pese embora todas as dificuldades que enfrentei, considero que ter esta experiência enriqueceu-me enquanto pessoa e tornou-me mais resiliente. Tive inúmeras experiências que me transformaram e modificaram o meu posicionamento no mundo e o modo como observo a vida. Um bairro social é o estado puro das emoções e sentimentos; não existem falsas apreciações ou falsos testemunhos. Tudo tem um exagero de naturalidade. No bairro somos espontâneos e genuínos.

O bairro foi o contexto que me preparou para viver a vida de atleta de alta competição uma vez que a minha estrutura psicológica foi ampliada no sentido de um crescimento ascendente no qual o desafio se fez sempre presente. Não tenho medo da competição: competir é o meu ambiente natural. Enquanto infante o meu passatempo preferido era sair à rua para me envolver em confrontos violentos com os meus pares; por isso, na competição, quando me saem no sorteio os atletas mais cotados, o meu corpo enche-se numa explosão de adrenalina e contentamento!

“O BAIRRO É A VIDA QUE SE COLHE, COMO PEQUENAS PLANTAÇÕES NA PRIMAVERA, NO QUOTIDIANO.”

Apesar de todas as dificuldades que enfrentei, tive a oportunidade única de crescer num contexto que, pelo seu caráter selvático, me afiou as garras para lutar com uma enorme determinação pelos meus objetivos e me dotou de uma tenacidade absolutamente envolvente. Deus entregou-me em mãos este desafio que abracei com uma enorme devoção. Eu necessito do bairro para existir: são lá que estão as minhas origens e é assim que me alimento quando os tempos se assumem mais dificultosos.

Todos somos teceleiros – com diferentes tipos de tecidos, agulhas, diferentes formas de abordagens e conceitos. Ao longo da vida as linhas dos nossos materiais podem-se assumir de diferentes espessuras e dimensões mas cabe-nos sempre a nós progredir com a obra que temos em mãos. O tecido tem que se desenvolver (é uma ação imperial!). O movimento das agulhas é da nossa responsabilidade; por isso, as dificuldades não são mais do que oportunidades para escalarmos nos nossos objetivos. O bairro é a Vida que se colhe, como pequenas plantações na Primavera, no quotidiano. O que vais decidir fazer com o bairro que te é dado a conhecer? Está tudo em ti.

CARTER B. REY

Trend me too | Days of Light and Fights | Imagens do Ginásio

SUCESSO – UMA VERSÃO ROMÂNTICA

Todos queremos ser eficazes nas nossas relações, no nosso trabalho, na vida em geral. A eficácia traduz-se no sucesso que desejamos alcançar para constituir o fundamento para a nossa existência. O sucesso não é mais do que um caminho e descoberta pessoais no qual o indivíduo contata com o seu mundo interno e, através do auto-conhecimento, melhora as suas relações inter-pessoais. Ser-se bem-sucedido não é mais do que se moldar um bloco de ferro. No início, tudo é uma massa compacta, fria, imóvel; depois, à medida que o percurso é feito, a natureza desta matéria altera-se: a sua frieza ascende à temperatura incandescente, que se molda, que se adapta e que é permeável ao obstáculo. O bloco de ferro altera-se: agora, é resiliente. De facto, Deus atribui-nos um bloco de ferro aquando da nossa Criação. Nesse momento, confia-nos um composto material, cabendo-nos a nós, enquanto ferreiros, trabalhar a sua fundição até ao ponto em que somos capazes de nos deslocar sobre as águas e abrir caminho na torrente caminhada da existência. Existir é fundir o ferro primordial no sentido de o trabalhar para ser mais capacitado e maleável às latitudes da Vida.

No entanto, na Sociedade ergue uma versão fantasiada de sucesso; incutem-nos que o sucesso aparece na medida da nossa capacidade de trabalho. Quanto mais esforço for capaz um indivíduo de imprimir no seu desempenho, maior será a sua recompensa final! Esta é uma versão romancista do sucesso; é um conto de fadas que nos é soprado ao ouvido e que poderá não ter implicações reais. De facto, perante as amplitudes e exigências do quotidiano, esta versão de sucesso parece incompatível a realidade. O esforço nem sempre é a medida de todas as recompensas. Aqui, entramos numa dinâmica em que a capacidade de aceitação é determinante para que sejamos capazes de trabalhar com eficácia as problemáticas que nos são apresentadas.

“Não existe caminho para o sucesso. O sucesso é o caminho.”

Na preparação para os Jogos Olímpicos 2016 não poderia estar mais comprometido com a minha missão. Com efeito, controlei (pensava eu!) todos os fatores que, no dia da minha competição, tivessem um impacto direto na minha performance. Trabalhei arduamente; o suor foi a testemunha visível de uma crença que me era tangível aos sentidos. Apliquei-me com afinco repicado – redobrado, atento. Acumulei horas de trabalho que se agarraram ao corpo definindo a sua musculatura… Estava numa forma bestial. Sentia-me o cavalo negro que percorre com exuberância o horizonte do deserto escaldante, exibindo cada traço do seu perfil magnânimo. Apesar de todo este contexto superlativo, quase místico – como o senti – o meu esforço, o trabalho de uma vida, foi fragmentado pela imponência de um ippon agreste: o atleta africano desfraldou as minhas expectativas, foi o fim da linha!

No momento da derrota, não tive a capacidade de aceitar a realidade que duramente se impunha: tudo era de uma altura intransponível à minha capacidade de compreensão. Fui engolido por um vórtice cuja capacidade de sucção me atirou para fora da realidade, num momento, para no seguinte, me deitar no ócio de um tédio existencial, um mar de sargaço que me comeu – das extremidades até às vísceras – ao ponto de não mais desejar a Vida. Foi um período conturbado. Foi difícil aceitar que o meu esforço se enamorou por uma crença que não foi cumprida. Esta é a dura realidade: ninguém merece nada! Deixemo-nos de falsas ilusões e expetativas. Não existe o caminho para o sucesso, o sucesso é o caminho. Está tudo em ti.

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ATITUDE

Cada um fala a língua em que está mergulhado o seu coração, expressando-se segundo a medida dos seus sonhos.  Assim, cada indivíduo participa e interage com a realidade que lhe é chegada aos seus sentidos – em tudo falíveis! – de acordo com a latitude da sua ânsia de se aventurar ao desconhecido. Por isso, temos que desenvolver uma bússola interna para minimizar a influência das outras pessoas sobre nós mesmos já que existe a possibilidade de haver uma discordância de vozes, um desacerto no compasso de dois pares de sapatos que não acertam o seu ritmo.

Com efeito, é urgente que desenvolvamos uma confiança verdadeira (de fundo!) nas nossas próprias ações; isso apenas é possível se nos permitirmos mexer no lodo da consciência profunda: princípio e fim, perfeição e imperfeição, treva e dia – de todas as coisas. Temos que estar dispostos a enfrentar as faces menos esculpidas – e, por esse motivo, mais desconcertantes – de nós próprios; é um trabalho que exige uma permanente sinceridade e busca pela Verdade.

“A CONFIANÇA NÃO É UMA DÁDIVA.”

Ser-se confiante é um desafio: a pessoa confiante expôs-se à chuva dos dias menores e ao calor das noites piores; atravessou os caminhos tenebrosos do entendimento humano, dedilhou a incerteza e caminhou sobre a areia escaldante da loucura – neste local encontra repouso para a alma pois descobre que tudo não passa de uma falsa ilusão.

A confiança não é uma dádiva: é um caminho que está aberto aos curiosos; é um percurso tumultuoso – dificultoso –, por vezes, delirante. A confiança é alvo de críticas. No entanto, quando estás verdadeiramente robustecido, sentes-te capaz de carregar o mundo inteiro às costas. Não tenhas medo: Dá-me a mão! Está tudo em ti.

CARTER B. REY

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SENTIMENTO

O Homem não existe sem estar associado a um contexto; de facto, estes dois paradigmas são duas faces de uma moeda unitária. Deste modo, assumimos uma variedade de personalidades em concordância com a variação de ambientes que frequentamos. Não nos comportamos da mesma forma na escola, numa festa, ou até mesmo na igreja. Perante esta multiplicidade de carateres é nos apresentado um desafio: a compreensão do semelhante.

Todos nós vivemos num universo particular – único – que tende a isolar-se e a não comunicar com os universos que lhe são adjacentes. Por falta de uma escuta ativa (processo que encerra a salvação da Humanidade!), somos convidados, num diálogo intra-pessoal, a fechar as portas à perceção daquilo que nos rodeia. Este comportamento é extremamente protetivo; ajuda-nos a manter uma individualidade espessa e condensada que se quer manter alheia à exposição…

…Sentimentos misturados. Emoções misturadas. Tudo está conjugado num tecido que nos cobre uma pele sensível – uma capa –, translúcida, que nos direciona para a nossa essência.

“SENTIMENTOS MISTURADOS. EMOÇÕES MISTURADOS.”

Comunicar é um processo intenso, dinâmico e que exige a saída desta redoma que nos congrega para o egoísmo. Comunicar é estarmos disponíveis para aceitarmos o outro em nós; é um processo de consciencialização que nos permite ir além de nós mesmos – comunicarmos com o outro é uma metáfora transformante que nos eleva à comunhão do universal do ser humano.

Pese embora exista a evidente dificuldade de acesso, tem que existir um esforço para uma partilha. Informarmos o mundo acerca daquilo que nos vai dentro ajuda-nos a construir pontes de vulnerabilidade que possibilitam o Amor – linguagem universal do Cosmos. Liberta-te! Deita por terra as máscaras que apenas criam divisão. Tu és (simultaneamente!) Problema e Solução. Está tudo em ti.

CARTER B. REY

 

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O TEMPO EMOCIONAL

Nos tempos que correm é difícil descontrair: somos comprimidos por um tempo que impõe a sua efemeridade e nos castiga à sua passagem. Num universo global e criativo, parece ser uma missão impossível dar espaço às nossas emoções para que vivam e prosperem; negligenciamos o nosso tempo psicológico. Esta atitude assume um risco; abraça o desespero de um comportamento que se compraz na falta de entendimento e espaço à liberdade. Os cenários stressores em que nos vemos envolvidos são uma ameaça ao júbilo de uma vida que se permite ser integrante e rejuvenescida. O tempo da emoção é um fundamento a uma existência equilibrada e firme.

Vivemos numa atitude que anula partes essenciais do “eu”. Não somos proprietários de uma casa que é nossa; somos remetidos para a posição do cão de loiça que guarda um espaço que não conhece. Não nos cumprimos. Quando não autorizamos que as nossas emoções se aflorem no nosso tempo consciente, evocamos uma força oculta que nos irá esmagar com zelo e potência.

“RELAXA E APROVEITA O TEU TEMPO.”

O surto psicótico que tive no passado mês de Setembro encontra a sua pedra angular nesta realidade. Durante a minha adolescência e vida pré-adulta, estimulei-me no sentido de reprimir versões do meu “eu” estruturantes para a minha identidade. Com efeito, uma lava subiu ao longo de um canal energético e fez com que eu criasse uma realidade paralela em que me afastei do contexto social que me circundava.

Neste sentido, é urgente abrandarmos o ritmo de vida e encontrarmos tempo para viver o tempo emocional. Relaxa e aproveita o teu tempo! Acredita que é possível libertarmo-nos das correntes que nos oprimem e não nos possibilitam sermos nós mesmos; é possível vivermos de forma equilibrada com as nossas emoções – incrementos que glorificam esta experiência (a vida!).

“Deus quer, o Homem sonha e a Obra nasce.” O que esperas para viver uma vida feliz e plena?

CARTER B. REY

Carter B. Rey

NINGUÉM É ESPECIAL

Não existem pessoas especiais, cada vez mais estou convicto disso. Ser especial significa que assumimos um carácter emergente, um papel, que está acima da Criação. Vermo-nos como especiais é uma atitude e postura arrogantes face à profundeza e complexidade daquilo que significa sermos humanos. Esta necessidade justifica-se, aos olhos da Psicologia Social, por uma carência que todos nós, enquanto seres errantes, manifestamos: queremos sentir-nos iguais aos nossos pares mas, ainda assim, diferentes. É nesta tendência para a especialidade que está o âmago da questão. Ser especial é reconfortante ao mesmo tempo que nos tira, de certo modo, alguma da responsabilidade sobre as nossas ações.

Este tem sido um assunto que tem inundado as minhas ideias com grande fervor. Esta tese foi trazida até mim através de uma pessoa sensível, que assume uma postura crítica face à realidade que a rodeia e que, nas suas palavras, aspira a conclusões universais, pensamentos que habitam a verdadeira comunhão da Humanidade; o seu nome é Angela Rijo. Conhecemo-nos na universidade durante o período em que estava deprimido. A nossa conexão e cumplicidade foram imediatas. Gosto de conversar com a  Angela porque ela adiciona condimento ao meu pensamento… E foi num debate apimentado que chego à minha conclusão!

“HAVERÃO SOMBRAS NO NOSSO CAMINHO DE LUZ.”

O céu estava límpido, de um azul celestial; duas bestas se preparam para se enfrentar. De um lado um leão com uma juba proeminente, do outro: uma leoa com olhar fulminante. Foi uma luta em que imperou o respeito, o Espírito Santo fez-se presente em cada palavra: Teologia e Física, duas faces de moedas distintas que se encontraram num confronto pautado pela amizade. Foi nesta atmosfera que a Angela e eu nos inebriámos, conscientes dos limites da compreensão humana.

“Ou somos todos especiais, ou ninguém é especial”. Apesar de ter incorrido numa falácia (erro de raciocínio), a afirmação da Angela revibrou-me na alma e fez-me compreender que tenho a mesma importância do cão vagabundo que percorre com ócio as ruas da cidade, a mesma importância da ave que rasga esplendorosamente o céu, a mesma importância da base unitária da vida – o átomo… Haverão sombras no nosso caminho de luz. Cabe-nos a nós discernir o caminho da Verdade.

CARTER B. REY

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DEIXA-ME CHORAR

Vivemos numa Era Digital e Estética onde não existe espaço para o insucesso. As emoções negativas associadas a este processo são negligenciadas e, quando assumimos esta atitude, existe um falso contentamento e elegemos máscaras que nos escondem – muitas vezes – de nós mesmos.

A beleza e a perfeição são as palavras que cadenciam o quotidiano. Quem “no seu perfeito juízo” vai colocar uma foto no Facebook ou Instagram em que não se sinta um máximo? (Em última análise e, tendo em conta que as generalizações são sempre injustas, ninguém!) É com este mindset que parece que estamos a abordar todas áreas da nossa vida – incluindo o nosso universo emocional –, esquecendo-nos do valor dos dias cinzentos.

As verdadeiras transformações ocorrem quando os nossos planos e expetativas são desfraldados; revelamo-nos quando a angústia nos invade e a ira nos consome, deixando-nos feridos, no chão. Este tipo de emoções evoluiu connosco de modo a proporcionar-nos vantagens adaptativas: a tristeza guia-nos por reflexões que podem conduzir à mudança; a raiva, quando bem direcionada, aumenta o foco e determinação numa dada tarefa.

Devemo-nos permitir estar mais vezes tristes, chorar mais; devemos deixar-nos incomodar pela chuva e tempestades que nos abalam o âmago. Não ter vergonha dos nossos sentimentos. Apenas há que aprender a lidar com eles para que um equilíbrio emocional seja possível.

 

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AS PEDRAS DO MEU CAMINHO – COMO GERIR UM DESAIRE?

Pedras no caminho?

Guardo todas, um dia vou construir um castelo…

Fernando Pessoa

No Judo a primeira lição que aprendemos é a cair. Nas primeiras aulas, antes de aprender os gestos técnicos mais complexos, aos praticantes iniciados são-lhes ensinados os movimentos que permitem proteger o seu corpo no momento em que este entra em contato com o tapete. Esta atitude – para além de ser uma metáfora para a vida – é um modelo que fomenta a resiliência, aumentando assim a capacidade de se reagir favoravelmente à adversidade.

Nesta arte marcial cair significa que existiu um fator externo – o nosso oponente – que nos levou a cometer um conjunto de erros técnicos e/ou táticos que promoveram a nossa queda. Quantas vezes não nos acontece o mesmo num contexto profissional? Na nossa esfera privada? Todos já sentimos o sabor amargo do desaire. Perante a inevitabilidade destes pequenos sulcos: Qual é a atitude mais correta a adotar?

Uma postura de resignação não é a mais indicada porque pode perpetuar maus hábitos mentais, não promove a mudança; pensar em perspetiva logo após um momento da falha – “nada acontece por acaso” –  conduz a uma precoce racionalização que, a longo prazo, pode conduzir a uma intensificação das emoções negativas.

Assim, numa fase após traumática, devemos ter a humildade de assumir que caímos e  estamos magoados – estatelados no chão. Por isso, devemos primeiro permitirmo-nos mergulhar na tristeza (que nos permite avaliar novas perspetivas); para depois, eventualmente, sentirmos um sentimento de injustiça acompanhado geralmente de uma raiva (que, quando bem canalizada, aumenta o nosso foco e determinação).

Não devemos ter pressa para nos levantar pois muitas vezes as nossas pernas não estão preparadas para sustentar o peso do corpo tão prontamente. Só depois de passarmos por todo este processo e paleta de emoções é que estaremos aptos para nos reinventarmos e iniciar um novo caminho: agora mais sábios e confiantes.


CONTACTO:

geral@celiodias.pt


 

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O PODER DE UMA CONVERSA

No bairro apercebi-me que todas as nossas escolhas têm consequências. Lembro-me de um dia, particularmente chuvoso, em que me dirigi ao prédio de um amigo, o Yuri, para irmos brincar. Ao subir as escadas, sou parado por um rapaz mais velho e com mau aspeto. Ele estava a fumar e perguntou-me: “Queres uma passa?”. Tinha cerca de 10 anos e entrei em pânico. Sabia que se a minha mãe soubesse de tal encontro, estaria em maus lençóis; por isso, corri o mais rápido que pude e, mal cheguei a casa, contei-lhe o sucedido. Prefiro não pensar no que teria acontecido se tivesse aceite o convite!

Existem alturas em que tomamos atitudes que sabemos não serem as melhores para nós. Mas o que fazer para mudar? Muitas vezes basta uma conversa para acontecer uma verdadeira transformação. Esta TED Talk que vos falo hoje tem esse potencial! Emma é uma jovem de 25 anos que, quando se encontra com Meg Jay, está numa “crise de identidade”; na sua vida poucas coisas fazem sentido – desde o seu emprego à sua relação amorosa. No entanto, Emma quer mudar de vida e Meg Jay transmite-lhe três mensagens que a orientam numa nova direção.

Quantas vezes não somos esta Emma? Quantas Emma’s não conhecemos e são nossos amigos? Idenfico-me bastante com esta mulher em diferentes momentos da vida. Lembro-me da primeira vez que vi este vídeo: estava a trabalhar na preparação do blogue, numa altura em que estava bastante desanimado – o trabalho parecia infindável e os caminhos estavam pouco claros! Depois de ouvir a mensagem desta psicóloga, ganhei uma nova força e foi, sem quaisquer dúvidas, um incentivo que tornou este projeto uma realidade. Uma palmadinha nas costa, da pessoa e na medida certas, sabe sempre bem; pode ser a diferença entre um objetivo que foi apenas pensado e aquele que, de facto, foi concretizado. Faz-vos sentido? Abram este vídeo e escutem a mensagem. Se não vos fizer sentido, certamente conhecerão alguém com quem podem partilhar. Aceitas o desafio?

 

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CAIS DE PARTIDA: DO SONHO À REALIZAÇÃO

O BOM E O MAU

Durante uma entrevista para a Benfica TV, questionaram sobre qual é a maior vantagem e a maior dificuldade na vida de um atleta. Uma questão de resposta rápida, sem muito tempo para pensar. O meu olhar desliza com nostalgia para a vista panorâmica da sala em que me encontrava e, por breves instantes, o silêncio domina as instalações. Quando devolvo a minha atenção à jornalista Carina Bento, sinto que algo dentro dela advinha as minhas respostas… Finalmente a língua solta-se: viagens e disciplina. Sorrimos e outra questão é disparada.

O rigor e disciplina é aquilo que para mim é mais exigente no meu dia a dia. Não gosto de correr, não gosto de levantar pesos até vomitar nos treinos de resistência muscular; os treinos tecnico-táticos, apesar de fundamentais, podem ser entediantes devido à necessidade de repetição. Treinar duas vezes por dia também é algo que pode ser bastante doloroso principalmente quando as semanas de trabalho se acumulam e não consigo dormir à noite com as dores que sinto no corpo! Ir ao treino todos os dias – feriados, férias e, por vezes, Domingos – não é algo que seja fácil para mim! Nem sempre a gestão da dor é simples e natural…

ESTRATÉGIAS

Depois de alguns treinos falhados e várias conversas honestas com o meu treinador Jorge Gonçalves sobre esta minha dificuldade, consegui chegar a algumas estratégias para tornar as minhas semanas de trabalho mais produtivas e os treinos mais eficazes.

Os nossos níveis de motivação variam e, apesar de muitos de nós trabalharmos naquilo que gostamos, quando o cansaço nos domina nem sempre é fácil conseguirmos ser eficazes. Por isso, pensei hoje em partilhar três estratégias que vos poderão ajudar a manter a produtividade no trabalho.

        1. CONCENTRAÇÃO NO PRESENTE

Pensar na quantidade de treinos que tinha pela frente desmotivava-me (especialmente nos treinos de resistência muscular em que, salvo raras excepções, vomito devido ao cansaço extremo). Ao concentrar-me na minha semana de trabalho e ao definir objetivos de desempenho para cada treino, mantenho-me mais envolvido nas tarefas que tenho em mãos. Será que esta estratégias vos pode ajudar?

        2. MEDITAÇÃO

O conceito de mindfulness é bastante debatido na atualidade devido aos seus benefícios para a saúde. Estamos sempre a fazer coisas e a um ritmo alucinante. Porque não tirar 10 minutos do dia para sentar e respirar enquanto os nossos pensamentos se acalmam? Com a meditação sinto que tenho um maior equilíbrio emocional, uma maior consciência  e uma percepção diferente da dor. Aconselho-vos mesmo a experimentar! Podem ler o livro “Meditação e Minfulness” do autor Andy Puddicombe para perceber como a meditação é uma excelente ferramenta que potencia o rendimento e a felicidade duradoura.

        3. MOTIVADORES INTERNOS

Quando se sentem desmotivados o que vos ajuda a dar a volta por cima? Nos dias em que acordo às 7:30 da manhã cheio de dores e envolto no quentinho dos lençóis, tudo o que não me apetece fazer é levantar, apanhar o frio da rua e ir para o ginásio. Nestas situações ajuda-me pensar nos meus objetivos e nas conquistas que quero alcançar enquanto atleta. O que vos faz abandonar a vossa cama todos os dias?

A VIAGEM

Independentemente da nossa dedicação, os dias difíceis são sempre ser uma certeza no caminho. Será que a sua antecipação e preparação poderá ajudar no momento em que estes surgem?

Tudo começa por um desejo – uma ansiedade – uma viagem por entre tempestades e marés… Mas, seja qual for o resultado, os quilómetros percorridos vão ser sempre recompensadores.

 

 

“A revolta imensidão
Transforma dia a dia a embarcação
Numa errante e alada sepultura…
Mas corto as ondas sem desanimar.
Em qualquer aventura,
O que importa é partir, não é chegar.”

Miguel Torga


CRÉDITOS

Fotografia: Ana Rita Lima

Sapatos&Camisa: Dockers

Sapatos: Exceed Shoe Thinkers

AGRADECIMENTOS ESPECIAIS

Triângulo das Bermudas

ouvinte 3

COMO SER UM BOM OUVINTE

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Quando leio ou oiço falar sobre comunicação, os aspectos relacionados com o conteúdo e a forma como transmitimos a nossa mensagem são sempre os mais destacados. No entanto, existe uma ferramenta essencial na relação com os outros que exige um esforço maior: ouvir. A capacidade de ouvir implica humildade e curiosidade, ambas características que não são facilmente falseadas.

Durante o meu percurso como atleta, já tive oportunidade de estar sob o comando de diversos treinadores; todos os que com quem mantenho uma relação mais próxima são aqueles que lhes reconheço esta capacidade de ouvir. Apesar de saberem que sou um atleta novo, estas pessoas estão sempre genuinamente interessadas em saber o que penso – sinto que dentro delas existe espaço para a minha opinião. É uma sensação incrível saber que nos momentos menos positivos existem sempre treinadores com quem posso ser transparente e partilhar o que me vai na alma. Reconheço também que escutar os meus amigos com atenção proporciona-me bastante alegria: são nesses momentos, especialmente nos mais adversos, que a nossa amizade cresce e ganha raízes mais profundas…

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Ser um bom ouvinte é o que nos permite ligar aos outros, é a capacidade que gera empatia – emoção que sustenta qualquer tipo de ligação sentimental. Mas, como ouvir nem sempre é uma tarefa fácil, neste artigo vou partilhar quatro dicas que me ajudam a desenvolver esta capacidade e que vos podem ajudar a exercitar este músculo da comunicação e a melhorar as vossas relações.

  1. Questiona as tuas suposições

Se já estás certo daquilo que achas que está na cabeça da outra pessoa, o teu cérebro só vai aceitar a informação que esteja de acordo com aquilo que tens em mente. É difícil não fazer suposições, mas experimenta durante uma conversa referir “então, tu queres dizer que…” ou “estás a pensar que…” Deixa a outra pessoa ter oportunidade de confirmar ou não aquilo que estás a pensar.

  1. Amplifica a troca de ideias

Só existe um verdadeiro ambiente de escuta e partilha se estivermos interessados em saber realmente quais são os verdadeiros pensamentos da pessoa com quem estamos a conversar. Cria mais espaço nas tuas conversas com enunciados como “podes dizer-me mais sobre esse assunto?”, “podes explicar-me melhor para que eu possa compreender?” ou “podes dizer-me mais sobre como isso te faz sentir?” Desta forma, promoves a atmosfera certa e facilitas a abertura e transparência do teu ou tua interlocutor/a.

  1. Escuta ativamente

Se durante uma conversa és o tipo de ouvinte que, enquanto ouve, está a pensar em mil argumentos e artigos para fazer valer a sua opinião, esta dica pode valer ouro. Experimenta ouvir na íntegra a mensagem que a outra pessoa tem para te transmitir: sem questões, interrupções ou julgamentos. Muitas vezes, apesar de não concordares com a ideia global, poderás encontrar pontos em comum que vos ajudem a clarificar ou aprofundar o tema debatido.

  1. Sabe quando sair

Se estamos irritados ou chateamos com alguma situação, certamente não estamos com a atenção e paciência necessárias para ouvir o que alguém nos possa quer dizer. Por experiência própria descobri que muitas vezes mais vale adiar uma conversa, sobretudo se o tema a discutir é delicado. Quando te sentires nestas condições, este tipo de enunciados pode ajudar: “Eu agora não consigo. Estou stressado, podemos falar mais tarde?” Apelando à compreensão da outra pessoa, poderás garantir que, em condições mais propícias, sejas capaz de te expressar melhor.

Porque saber ouvir é uma ferramenta de comunicação eficaz e que, quando bem treinada, pode conduzir a resultados fantásticos de integração social: utiliza-a!

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Camisa, malha, calças e chinos : Dockers

Sapatos: Dkode

Relógio: Nixon


CRÉDITOS:

Fotografia e coordenação: Trend me Too

AGRADECIMENTOS ESPECIAIS:

Triângulo das Bermudas